se passarem por Londres, anotem.


Sobre o novo restaurante de Heston Blumenthal, retirado integralmente do incontornável Blog de Thomas Pappon


A expectativa era grande, pois o Dinner de Heston Blumenthal, que abre as portas este mês no novíssimo Mandarin Oriental de Londres, é a primeira aventura do chef em Londres. O seu primeiro restaurante - na cidadezinha de Bray, a uma hora de Londres -, o consagrado Fat Duck, três estrelas no Guia Michelin, era tido como o melhor restaurante da Grã-Bretanha.


Instalado no hotel Mandarin Oriental, ao lado do Hyde Park, o Dinner oferece um tour pelo passado culinário da Grã-Bretanha. Blumenthal passou 18 meses a pesquisar livros de diferentes épocas para criar os 25 pratos do menu. Pratos como porridge aromático (1660), pomba picante (1780), caldo de ovelha (1730), pudim de peru (1730), bacalhau em cidra (1940), torta em tafetá (1830) ou rubarbo escaldado (1590).

No cardápio, os fregueses ficam a saber de onde veio cada receita, que, por exemplo, a inspiração para o arroz com carne (açafrão, rabo de bezerro e vinho tinto) veio de The Forme of Cury (1390), escrito pelos cozinheiros-chefes da corte de Ricardo 3º, que o pato pulverizado (com funcho defumado e purê de batatas) veio de The Queene-like Closet or Rich Cabinet , de Hannah Wooley (1672), o salamugundi (salada de folhas, frutas, moela de galinha, raiz forte e tutano) de The Cook and Confectioner’s Dictionary (1723), de John Nott.

Blumenthal foi enfático ao dizer que não tentou apenas reproduzir as receitas originais, mas que as usou como ponto de partida para novas criações, com novos ingredientes, sempre apostando na abordagem científica da chamada cozinha molecular. O Guardian convidou um historiador para dar opinião sobre o restaurante. Este chama-lhe “país das maravilhas históricas culinárias” e elogia a abordagem cosmopolita e a assimilação de influências globais de Blumenthal, que “com a sua pesquisa rigorosa e seu toque de chefe, se compromete com a história, em vez de lhe sucumbir ”.
Os críticos, que usaram superlativos como “maravilhoso” e “surpreendente” nas resenhas, foram praticamente unânimes em eleger um prato como a grande sensação do Dinner:

a meat fruit (fruta de carne) , inspirada em pratos do final da Idade Média. Parece uma fruta (uma tangerina). A casca é feita de uma suave geléia de fruta. O recheio é um patê de fígado de galinha. “Um suspiro, depois uma risada, seguida por um gosto maravilhoso”, descreveu o crítico do Times, ao provar o prato.
Para os jornais, o restaurante é caro. O Guardian estima em 42 libras um gasto mínimo razoável por pessoa, porém diz que “pela surpresa, pelo deleite e pela originalidade, é um preço que notoriamente vale ser pago”.

Comentários

bacalhau em cidra (1940)

O Zé Quitério dizia que há três maneira de fazer o bacalhau " cozido, assado e estragado".

Aposto que a receita é acompanhada com chá verde.
dalloway disse…
Depois dos "trapinhos" apresentados, a dieta vegetariana e o programa do Jamie, é caso para dizer que o Dinner é uma excelente desculpa para nos encontrarmos e saborear este festim dos sentidos. A Crstina marca o dia e...by the way....algo me diz que o Fado tem que estar presente.

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