Ocidente e mundo islâmico: objectivos diferentes?

Políticos, cristãos e comentaristas no Ocidente, vêem os muçulmanos e sua fé como 'inclinadas para a violência' e, portanto, com tendência de destruir seu 'estilo de vida civilizado'.
Dentro do mundo muçulmano há grupos que estão convencidos de que o Ocidente, especificamente os Estados Unidos, fizeram do mundo islâmico e de seu povo como seu principal alvo e não vão descansar enquanto não os subjugar totalmente.
Não é só gente no Ocidente que encara os ataques suicidas contra o World Trade Centre e o Pentágono como actos abomináveis. Muçulmanos em toda parte condenaram a matança de inocentes.
Da mesma forma, não foram apenas muçulmanos que se revoltaram contra a invasão do Afeganistão e do Iraque.
Milhões de pessoas no Ocidente protestaram. De fato, seus protestos, especialmente no caso do Iraque, foram muito mais maciços do que o que transpirou nos países muçulmanos.
Isso mostra que nas questões fundamentais de justiça, de certo e errado, que confrontam a humanidade hoje, não há dicotomia entre o Ocidente e o mundo islâmico.
Se houver alguma dicotomia, é entre as elites dominantes e o povo.
A ameaça real ao nosso bem-estar emana de interesses ocultos que estão determinados a perpetuar sua hegemonia global, militar, política, econômica e cultural.
Embora o ponto-focal dessa hegemonia global seja Washington, seu poder é sustentado por toda uma rede de elites, inclusive governantes do mundo muçulmano!
Recentes eventos mostraram que nós, os povos do mundo, somos capazes de transcender barreiras étnicas, religiosas, culturais e de civilização na busca de justiça e paz.
Quando uma luta de significação tão monumental para o futuro da raça humana nos aguarda, como nós podemos permitir que um choque de civilizações falso desvie nossas energias?
Faz realmente sentido falar em "Ocidente" e "mundo islâmico" como duas entidades separadas, distintas?
Chandra Muzaffar
Presidente do Movimento Internacional para um Mundo Justo (Just)
artigo completo AQUI BBC Brasil


Comentários
Luta puramente "darwiniana". Já era altura da parte reptiliana do nosso cérebro ser dominada pelo resto.
Tudo não mas estas porcarias já são controláveis com educação adequada no entanto continuamos a ver o que se passa no futebol com as hordas defrontando-se no mesmo país quanto mais entre civilizações diferentes.
Boa tarde e com licença que vou ali a uma churrascada que isso é que promove a harmonia.
Daqui, da cidade Invicta, e cheio de remorsos pela debandada de ontem, não resisti a ler este texto. Antes de voltar a Lisboa, deixo o meu comentário a Chandra Muzaffar:
It´s the religion, stupid!
Bjos
pois essa é sempre a atitude mais fácil, apostar nas nossa guerrinhas domésticas e esquecer a guerra mais importante, a paz.
mas têns razão, faz parte da nossa condição, é inevitàvel e até necessário. mas era bom que não nos esquecessemos da paz comum,não é inevitável que as diferentes civilizações se destruam:)
beijinho e bom churrasco!
grata pela lembrança :)))que querido!
quanto aos remorços(justificados), está perdoado...desde que não se repita:)))
se quiser perder algum tempo veja
http://www.bbc.co.uk/portuguese/forum/story/2003/09/030909_hardyg.shtml
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2003/030412_islamismobases.shtml
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2003/030407_islamismorelato.shtml
até logo então, bom regresso :)
Beijinho :)
O contrário e o bloqueio da arrogância a esta evidência futura, só provocará mais guerra, mais fome, mais diferenças, mais guetos.
O mundo não pode continuar a ser dividido entre países ricos e países pobres, sob pena de sermos nós os ricos – neste contexto incluo Portugal – a mais sofrer com a falta de visão de futuro.
Excelente escolha.
Com a devida vénia, vamos lá então discordar um bocadinho! Não do que Você diz, mas daquilo que está subjacente àquilo que Você diz.
1- Como sempre, os E.U.A.!!!
Em substância, a estratégia da política externa americana não mudou muito entre a realidade Clinton e a realidade Bush.
Os E.U.A. defendem os seus interesses à sua maneira, quase sempre desastrada, em matéria de política externa. A compreensão do mundo, por parte dos americanos, é uma coisa muito lá deles, num país em que os interesses das "corporations" está acima de qualquer outro.
Há, portanto, um imperialismo financeiro caucionado pelos canhões, e não o contrário.
E repare que a história do envolvimento americano nesta problemática não se centra nem no Iraque, nem no Afganistão.
A base de tudo isto radica na defesa intransigente da posição de Israel naquelas paragens. Este é o problema político. O resto são problemas económicos ligados aos recursos estratégicos, como aquele que decorre da "vigilância" da produção petrolífera.
Mas tudo isto de que estou a falar, são assuntos com a idade máxima de 50 anos o que, em termos históricos, é nada.
Porque o texto do post em apreço, esse sim, releva de uma problemática com milhares de anos!
É por isso que é um erro "atirar" estas análises para cima daquilo que nos está mais próximo e que conhecemos melhor.
Por muitas voltas que dê ao texto, e se recuar séculos, vai sempre acabar na religiâo.
Mas isso deixamos para depois.
evoluímos sempre, nem sempre no melhor sentido. e quando 'acordamos', é tarde:(
beijinho
Idealizas um Mundo sem fronteiras e com diluição das culturas. não será pedir demais? eu ficaria satisfeita com uma sã convivência nas diferenças, sem outros interesses a miná-la. afinal o indivíduo comum está muito para lá dos motivos desta 'guerra'.
beijinho e obrigada!
a música é também para ti :))
de facto, se há algum fio condutor na atitude dos EUA em relação à comunidade internacional, não serão certamente preocupações com o nivel de vida dos povos, com a sua falta de liberdade ou o desprezo pelos direitos humanos, nem sequer qualquer intenção de expancionismo cultural :(
a questão é só uma e todos a conhecemos. agora...a questão é terão os povos com culturas diferentes capacidade para não se continuar a deixar manipular e continuar a morrer? é que sendo assim há um perdedor óbvio, o povo que não tem voz, cá e lá.
beijinho
boas! (boa viagem?)
deixo aqui mais uma provocação retirada de uma passagem de uma jornalista brasileira por uma mesquita onde fez algumas entrevistas:
Dentro da mesquita, meses após os ataques de 11 de setembro de 2001, eu queria descobrir como os islâmicos viam a sua religião sendo alvo de um escrutínio em nível global.
“Acho que é ignorância pensar que somos culpados pelos atos de muçulmanos radicais. E ninguém provou nada”, disse-me uma advogada.
Um dos xeques interferiu: “Os Estados Unidos enviam soldados para a guerra, eles morrem e são enterrados como heróis e mártires. Por que que nós também não podemos ter nossos mártires suicidas?"
Perguntei: “O sr. está dizendo que incentiva pessoas a se matar e matar outras em defesa do Islã?” Ele foi mais veemente tocando num ponto nevrálgico para muitos latino-americanos: “Che Guevara não morreu em defesa de um ideal? Por que que nós muçulmanos não podemos?”
o de sempre:)
Reli agora a parte final do seu comentário e permita-me discordar dessa sua separação tão grande entre religião e cultura de um povo. Interpenetram-se , veja-se o caso do catolicismo que adoptou, transfigurando-as, certas prácticas religiosas anteriores. A religião influencia os costumes e vice-versa.
Eu, que não sou baptizado nem tive qualquer educação religiosa, tenho um conjunto de valores e costumes que, pela sua óptica , seriam definidos como católicos apostólicos romanos.
A viagem foi boa, obrigado.
Não vejo nada de contraditório entre o que Você publica e aquilo que eu digo.
Pelo contrário.
Não menosprezemos é o factor religioso. Ou será que a memória dos milhões(?) de mortos islâmicos em nome da fé cristã não continua presente? Não há branqueamentos papais destas realidades, nem o tempo as apaga quando é o factor FÉ que está em causa.
Fui reler a parte final do meu comentário e não encontro lá nenhuma alusão, nem sequer indirecta, a qualquer separação entre cultura e religião.
Pode especificar?
Foi isto que interpretei como um culpabilizar exclusivo das religiões como se fossem algo separado e impermeável só influenciando.
não há contraditório, pois não.
foi por isso que lhe deixei a provocação...
Não se trata de culpabilizar, mas sim ir à procura da "causa das coisas".
Aliás aquele meu comentário só dizia respeito a uma moda recente, e globalizada, a do anti-americanismo primário. Como é um produto que vende bem, serve para tudo.
Há outros pontos no comentário do A. J. Faria que queria abordar mais tarde, mas vou desistir.
Porque, por exemplo, invocar o sistema capitalista, como faz A.J.Faria, como uma das causa deste estado de coisas, me atira pela borda fora do debate.
E ninguém fala de Israel e petróleo???
Com esse tudo aceitar destrói o que é seu.
(agora pareço do PNR eh eh eh)
O petróleo... mas há algo a dizer ? É negro e suja...suja muitas mãos
que é isso de educar esses povos? não me faz confuzão que eles sejam 'deseducados'...
Nunca será pedir demais, se estivermos convencidos que aquilo que pedimos é o correcto e o inevitável, e pedindo desde já desculpa, vou-me alongar um pouco nesta resposta.
1 - Teremos de apostar na tolerância e no multiculturalismo, como regra para a existência de um império universal.
2 - Repudiar o universalismo do predomínio do Um Sobre Todos, pelos exemplos históricos do passado, encontrando aí, o motivo de fracasso de quantos tentaram, desde Roma a Atila, e desde Vitória a Bush.
3 - Fazer a grande aposta do multiculturalismo de conceito universal, só compatível com a noção de universalismo
Como diz Roberto Carneiro, no prefácio do livro de Rui Marques “uma mesa com lugar para todos”: […] No que ao encontro de diferentes interessa, cinco séculos de regulação eurocêntrica dos destinos da humanidade legaram-nos, paradoxalmente, uma região em crise identitária e de projecto onde: não se vislumbra a emergência de “melting pot” e o modelo social europeu privilegia os incumbentes.
Por outro lado, Rui Marques sobre a odisseia dos Descobrimentos diz o seguinte: […] importa sublinhar que um dos segredos do sucesso português esteve na dimensão intercultural dessa dinâmica. Agrupando especialistas de diferentes nacionalidades e culturas, envolvendo pilotos locais dos territórios que ia encontrando, misturando-se com as populações com que ia contactando, a odisseia portuguesa dá-se, até determinado momento num contexto de abertura intercultural.
Por último, lembro aqui as palavras de David Lands sobre o assunto: […] também o declínio da expansão portuguesa, por oposição, evidencia os resultados da intolerância e da perseguição aos diferentes da época, nomeadamente os judeus. E “em questões de intolerância a maior perda é a que o perseguidor inflige a si mesmo”.
Ora, estes, são princípios tornados correctos pela nossa própria história e deles não podemos abdicar nem pensar que são ilusórios ou até míticos. Difíceis, sim.
Estamos a precisar de uma boa dose de contraditório:)))
A tradição já não é o que era...
~já fizemos bem pior....
porque é que achas que aceito TUDO?
podemos dispensar as formalidades? (outra chatice)
Você conhece algum sistema que tenha tido melhores "performances" do que o capitalista, nas áreas que mencionou?
Diga Você quais as formalidades que podemos (devemos) abolir. Lady's first:)
A terceira via do Tony Blair?
Já nem ele pensa nisso...
Essa terceira via tem mais que se lhe diga. Era, no fundo, uma daquelas ideias peregrinas da Europa falida de ideias, com os Democratas americanos e a Internacional socialista num saco de gatos do qual ninguém ia sair vivo.
Para terminar, em relação a este assunto, só lhe quero dizer o seguinte:
- Estamos em plena Terceira Guerra Mundial. Sabemos muito bem com quem e porquê.
Por isso é que acho que a frase que remata o seu post não faz qualquer sentido.
Não presto mais declarações:)))
O problema do projecto Terra é que, nos caminhos que está a percorrer, não encontra solução.
São as pessoas que têm que mudar, não são os sistemas.
ah!!! já tinha estranhado!!
a frase não é minha, mas o que ele quer dizer (vocês foram por aí fora e não falaram disso) é se faz sentido dividir quando tenos um interesse comum..
ps-refería-me ao tratamento :)
já chegamos lá.... viva!!
De acordo, mas os sistemas são construídos por pessoas!!!
Por isso é que são elas que têm que mudar.
Mudando elas, mudam forçosamente os sistemas que elas constroem!!!
Não há aqui compartimentos estanques e isto mais parece a história do ovo e da galinha...
obrigada:)
De acordo, mas os sistemas são construídos por pessoas!!!
tiraste-me as palavras dos dedos...
era soubre isso...
Neste momento não há um interesse comum. Há uma guerra em curso, por muito camuflada que ela ainda esteja.
a não guerra não é um interesse comum?
Exactamente, não vale a pena lamentarmo-nos de sistemas que nós construímos, porque todos contribuímos, embora, maioritariamente, por demissão:(
A guerra só expressa um ANTAGONISMO comum! Mais nada.
A não-guerra deseja-se sobre os despojos, sempre demasiado tarde.
é preciso trabalhar essa demissão, já falamos disso uma vez :)
Vamos lá então ao Código de Conduta:)
Quer que a trate por tu, é isso?
é uma proposta, não podemos discutir com essas cerimónias ;)
incomoda?
Não acredito na capacidade de trabalhar essa demissão.
As pessoas querem que lhes resolvam os problemas, é a isso que estão habituadas há demasiado tempo.
E estão cheias de medo, porque todos temos memória do futuro.
Ouve lá, estás parva ou quê?
Parece que não me conheces:))))))
Se me incomoda? Sabes bem que não, porra:)))))))))))))))
Sorry, estou a brincar:)
eu sei? eu só sei o que me é dito..;)
não sei como, mas não deve ser impossível mais tarde ou mais cedo entender que todos perdem, bah talvez tenha que aceitar a tua eterna descrença, só porque tenho sono;)
Acho que hoje ficamos por aqui, não achas?
Sei que estou a dever um mail, mas esta viagem ao Porto estragou-me os planos.
Ele vai aparecer, está descansada.
Bjos frutados:)))
quem faz promessas e não cumpre vai pro inferno sabias?? não é nada católico isso, já não te dou dos meus rebuçados ;)
beijos, obrigada por teres vindo ;)
frutados, pois claro!
Um beijo e boa semana para ti.
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Se conseguíssemos evitar uma visão dicotómica, maniqueísta, do mundo, claro que tudo seria um pouco mais simples. Ou pelo menos, não tão obscenamente violento.
O texto do Chandra Muzaffar está claramente inserido dentro da linha da tolerância civilizacional. Se todos fossem como ele, seria óptimo. Em termos de mais estrita análise política, não aceito uma divisão tão marcada entre "elites dominantes" (os maus) e "povo" (os bons, que coitados, são enganados). No mundo ocidental, as coisas são bem mais complexas...
castigo...:))
gosto deste ponto de vista, da ideia de que podemos fazer alguma coisa.
eu até acho que as coisas são mais complexas do outro lado, no ocidente sempre vamos tendo opinião publica votante e reividicativa, nomeadamente a americana que já acabou com uma guerra e ,espero, acabe com esta. :) (e isto num coxtexto que permanentemente apela ao nacionalismo e ao inimigo islâmico)
concordas??
beijinho e boa semana:)
Aliás já está a acontecer isso, veja-se o comportamento dos jovens que mimetizam os padrões MTV . Caimos na uniformização. É complexo establecer a fronteira entre respeito pela diferença e assimilação excessiva.
Portugal é uma Nação mestiça, no que concerne aos traços culturais assimilados dos povos que por cá passaram e deixaram a sua cultura, sendo que grande parte deriva da civilização islâmica.
Quer se goste ou não, esta é uma verdade indesmentível e que todos aqueles, que clamam pela pureza, terão de interiorizar.
Francamente penso que este sentimento face aos muçulmanos não passam de manobras politicas
Poderão ser manobras politicas, veremos até quando, mas sem dúvida alguma que é falta de visão politica e estratégia de futuro, mal de que enfermam muitos políticos.
estou de volta depois de um fim de semana absolutamente descontraído.
Quanto ao assunto do post, apesar de não ter lido com atenção os outros comentários, penso que as diferenças entre o mundo ocidental e o mundo islâmico são inultrapassáveis.
E por mim, ainda bem, porque é uma forma de se manter a identidade de cada um deles, para o bem e para o mal.
Mas não se pode pensar que por um muçulmano ser terrorista, todos os outros também são.
Até poque no ocidente, os terroristas também existem, e com a complacência do povo...
Até logo!
boa semana para ti também :)
concordo contigo, não é suposto acabar com as diferenças mas convivar com elas, assumir que extremistas há-os dos dois lados, e fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para que não cheguem ao poder ditadores corruptos e terroristas com objectivos que nada têm a ver com o bem estar da população
um beijinho:))