confidencialidade


Se não se pode confiar em jornalistas para manter segredos, então os jornalistas não podem operar e não pode haver uma imprensa livre,

disse Judith Miller, presa em Julho por se recusar a revelar a um júri o nome de uma fonte, na investigação da fuga de informação sobre a identidade de uma agente da CIA. Miller ficou presa durante 85 dias,
por se recusar a revelar a identidade da fonte que lhe tinha indicado que Valerie Plame era uma agente da CIA. A jornalista foi posta em liberdade a 29 de Setembro e testemunhou no dia seguinte, depois de Libby (Lewis Libby, o braço direito do vice-presidente Dick Cheney) a ter liberto da obrigação de sigilo. Miller, contudo, nunca escreveu sobre a agente da CIA. Palmer era casada com um oficial da Casa Branca que publicou um artigo em que afirmou não ter encontrado qualquer indício de que os iraquianos possuíssem material nuclear, um assunto sobre o qual Miller trabalhava. A identidade da agente foi divulgada pelo comentador político Robert Novak em 2003, no entanto, o tribunal considerou essencial o testemunho da jornalista que, se recusou a nomear o seu informante.

"Passei 85 dias na prisão por causa de minha crença na importância de manter a relação confidencial entre jornalistas e suas fontes", afirmou ela, depois do depoimento."Acredite, eu não queria estar na prisão. Mas teria ficado ainda mais tempo".
Curiosamente, depois de ter apoiado a jornalista o New York Times critica agora a conduta da repórter. (Via BBC e Diário de Noticias)

Segundo julgo saber (estarei errada?), o tribunal só poderá ordenar a um jornalista que revele as suas fontes se estiver em causa uma investigação de crimes graves, contra a vida e integridade física de pessoas ou "contra a segurança do Estado" e apenas se não existir outra forma de obter essas informações. Ainda assim, os jornalistas que não revelem as suas fontes, podão ser responsabilizados pelo seu silêncio? E não serão estas precisamente, as situações em que se torna mais importante a confiança no jornalista? Entretanto,O New York Times e Judith Miller, chegaram a um acordo ontem (quarta-feira) que terminou a sua carreira de 28 anos no jornal e encerrou mais de duas semanas de negociações". Continuarão os jornalistas, depois deste episódio a arriscar relações perigosas?

Comentários

Anónimo disse…
"jornalistas"..humm.. actualmente não são propriamente a minha classe profissional preferida! é óbvio que não estarão todos no mesmo saco... mas acho nos dias de hoje 90% do "jornalismo" é lixo...
e mtas vezes dizem barbaridades acerca dos mais variados temas.. em nome da liberdade de impressa e mts vezes referindo-se a fontes "seguras".. não sei..isto não é fácil mas penso k deveria existir uma "entidade reguladora" ((se é k isto é possivel!!)) k pudesse investigar .. sei lá qd fosse necessário.. as fontes a veracidade das noticias...

desculpa sou eu a divagar..
beij
Cristina disse…
marta

penso que será dificil regular o jornalismo de investigação, baseia-se na confidencialidade, penso eu..também não sei como será possível garantir que as fontes são credíveis, não me parece, ou se confia neles ou não:)

beijinhos`:)
Anónimo disse…
o jornalismo, está no chão, mas a democracia ainda consegue estar pior.

principalmente nessa parvónia gigante (pelo menos a nível de países, podemos dizer que o tamanho não importa) chamada EUA, o auto-denominado país mais democrático do mundo. nem o maior são, é a Índia...
Cristina disse…
bandinho

algum está, outro não:)
nos EUA, tudo é levado ao exagero, é uma imensa caricatura:(

beijinhos
nikonman disse…
Olha, comecei a ouvir a música e lembrei-me do "Köln Concert" do Keith Jarret. Já venho.
Unknown disse…
Para mim isto não tem muita discussão. Quando uma fonte pede ao jornalista sigilo para poder divulgar os factos que tiver, o jornalista não pode revelar em momento algum a identidade dessa mesma fonte, nem mesmo ao seu proprio director!

E venha quem vier! Ultimamente, vários jornalistas têm sido indiciados, por desrespeito à autoridade, à lei, ou ao que quer que seja!

A relação que existe entre um jornalista e as suas fontes é mantida na base de confiança, se esta for traída, haverão muito furos, e muitas cachas de nunca serão publicadas...

Para terminar, eu prefiro ser preso, a revelar uma fonte! Podem-me torturar, vir o papa, o presidente da Republica, o primeiro-ministro, enfim... quem quer que seja. Se for para manter anonimato, é para manter anonimato!
Cristina disse…
nikon
não conheço:(
beijos
Cristina disse…
desi

olá, boa noite.

esta jornalista acabou com a vida profissional com este caso:(
achas que, com exemplos como este alguns poderão começar não a divulgar fontes, mas a pensar duas vezes antes de se meterem em algumas confusões, nomeadamente se se tratadar de pessoas influentes?

se isso acontecer, alguma coisa mudará...

beijos
Unknown disse…
Pois... mas quando se tratar de ter informação previligiada, não se penbs bas consequencias, por isso a informação, ou grande parte dela, está no estado em que está! Para se ser o primeiro, vale tudo! E não se olha a meios, são as próprias editorias a isso exigirem, e, muitas vezes, a não se responsabilizarem pelo que vir a suceder...

Não acho que alguma vez alguma coisa mudará.

Noutro esfera. No ano passado salvo erro, foi depedido um jornalista do NY Times, que até era bastante conhecido. Já não me lembro de muitos detalhes. O problema era que ele inventava reportagens, incluindo toda a estrutura facutal, fontes e tudo mais o que fosse necessario.

Isto tudo, apesar de o NY Times sempre ter tido um gabinete de "Fact Checkers", mas o priblema que logo se levantou era que os Fact Checkers não podiam verificar factos sobre nada, porque supostamente as fontes eram confidenciais. DEsde essa data, os editores passaram a ser obrigados a conhecer as fontes, mesmo que peçam anonimato. Eu por mim, até acho que e uma forma de o jornal se precaver contra possíveis erros.... mas mais ninguém, pelo menos que tenha conhecimento, faz algo deste género.
Cristina disse…
desi

essa fez-me lembrar um jornalista brasileiro que dizia que muitas vezes a única verdade é a data:)
não fazia ideia que existiam gabinetes de "Fact Checkers".

mas se a selva está instituida, não deve valer de muito...em portugal, parece-me que a "vigarice", coitada, é à dimensão do país...ou não? :)
Unknown disse…
Sim é verdade, em Portugal o jornalismo está à medida do país.

Até amanhã, gostei bastante deste bocadinho!

bjs
Cristina disse…
desi

até amanhã, também gostei:)

beijos
nikonman disse…
@riquita - buááááááááááá!
Cristina disse…
nikon

meu lindo, que choro é esse?????

diz-me...

beijos:)
nikonman disse…
ora, eu pensava que tu conhecias o concerto de Colónia, do Keith.
Quando tiveres oportunidade, rouba aí a um vizinho. vale a pena.
Cristina disse…
nikon

não...
se tiver oportunidade, hei-de ouvir

beijinhos:))

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