Uma das operações psíquicas mais sofisticadas que aprendemos, lá pelos 7 anos, é esta, de tentarmos sair de nós mesmos para imaginar como se sentem as outras pessoas. A nossa capacidade de imaginar o que se passa é como uma faca de dois gumes. O engano mais comum - e de graves conseqüências para as relações interpessoais - não é imaginarmos as sensações de uma outra pessoa, e sim tentarmos prever que tipo de reação ela terá diante de uma certa situação. Costumamos pensar : Eu, no lugar dela, faria desta maneira. Julgamos correta a atitude da pessoa quando ela age da forma que agiríamos. Achamos inadequada sua conduta sempre que ela for diversa daquela que teríamos. Ou melhor, daquela que pensamos que teríamos, uma vez que muitas vezes fazemos juízos a respeito de situações que jamais vivemos. Quando nos colocamos no lugar de alguém, levamos conosco o nosso código de valores. Entramos no corpo do outro com a nossa alma. Partimos do princípio de que essa operação é possível, uma vez que acreditamos piamente que as almas são idênticas; ou, pelo menos, bastante parecidas.

Flávio Gikovate (psicoterapeuta)
imagem: Cuernavaca Morelos,oleo sobre tela. México

Comentários

Caracolinha disse…
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Caracolinha disse…
«(...) penso que o que decide sobre o bem e o mal não é a comunicação das pessoas entre elas, mas apenas a maneira das pessoas se darem consigo próprias.» JW

A frase acima não é minha ... mas tenho pena ... :))

Acho que, aliada à capacidade que temos de nos pôr no lugar dos outros deve, também, e de preferência, crescer a capacidade de respeitar o espaço e os limites do outro, e se bem que me pareça de todo impossível agirmos face aos outros sem criarmos expectativas em relação ao seu comportamento em determinadas situações, também me parece prudente que, caso as nossas expectativas não se verifiquem, não as devamos impôr ou dizer seja o que fôr em relação aos comportamentos que adoptariamos num lugar que não é o nosso, sob pena de estarmos a querer ver no outro algo que ele não é.

Todos nós somos fruto de um conjunto de vivências das quais não nos podemos separar na altura de exibir comportamentos ou avaliar situações e a frase «Entramos no corpo do outro com a nossa alma» resume isso na perfeição ...

Olha, sabes que mais ... pimenta no cú dos outros ... :)))))))))))

Beijinho de rabo a arder !!!! :)
wind disse…
Iguais aos outros nunca somos, nem podemos "entrar" noutros. O que podemos é ter uma relação saudável (seja de amizade ou amorosa), de maneira diferente, com compreensão, cedências, partilha. Agora e repito se a pessoa está numa de alma gémea, dá de cú no chão.lololol. beijos
Cristina disse…
caracolinha

o respeito pelas atitudes do outro, nao lhe chamaria limites, tem a ver, no seguimento do texto mais com o perceber a alma alheia e resistir à tendencia de lhe "entrar no corpo com a nossa".(que linguagem tao esquisita looool)

achei graça a este texto porque é um exercicio que gosto de fazer, tentar colocar-me em igualdade de circunstancias com pessoas que agem de oudo diferente do meu e muitas vezes chego à conclusão que as minhas convicções, naquele contexto poderiam ser completamente diferentes. talvez por isso, nao goste muito de criticar atitudes, cada um tem as suas, à luz das suas proprias experiencias.
evidentemente dentro de certos limites socialmente aceitaveis.

gostei da conclusão :))

beijocas
Cristina disse…
wind

nunca acreditei em almas gémeas, nunca mesmo!!! sempre que vejo alguem com essa ilusão, o resultado é desastroso, demore o tempo que demorar, mas é inevitável ;)

beijocas
Pêndulo disse…
"Pimenta no cu", "cu no chão"...
Afasto-me um dia daqui e é esta bandalheira ?
Afinal que é isto hein ?
Um cumício, uma cunversa, ou cuê ?
Cristina disse…
P
conversas de gajas....e não te metas que o remédio da caracolita é fatal...
aNa disse…
por tudo isso, e muito mais é que é perigoso dar conselhos!!!

bom dia, giraça!

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