
[Expresso 22/4/06]
[...]Suponho que, depois de ter proibido o fumo em todos os locais públicos fechados, depois de ter transformado o acto de fumar numa coisa vexatória e clandestina, o governo se prepare para atacar outros vícios privados que são casos de saúde pública. O álcool e a má alimentação, por exemplo. É escusado enumerar os malefícios clínicos e sociais do álcool: muito pior do que deixar fumar numa discoteca é servir «shots» aos miúdos que depois se vão viciar nisso ou virar suicidas na estrada. Quanto à alimentação, é sabido que o seu mau uso é a maior causa de doenças de toda a ordem e respectivas despesas sociais. Muito pior do que fumar num restaurante é comer num McDonalds. Porque não os proíbem?
Efectivamente, a maior causa de morbilidade, invalidez e mortalidade dos países industrializados, ainda são as doenças cardio e cerebrovasculares. Estas, tal como o fumo, na sua maioria atribuíveis aos erros que cometemos. Com uma diferença, atingem mais de metade da população. Cada vez é maior e mais jovem o número de pessoas com problemas de Obesidade, HTA, Dislipidémias e Diabetes, factores de risco comprovados de doença coronária e cerebrovascular com o peso socioeconómico que conhecemos. No entanto, sendo Portugal o país da União Europeia onde mais calorias se consome e onde menos actividade física se pratica, não houve até agora um plano de actuação organizado no sentido de dar uma especial atenção à efectiva prevenção, detecção e correcção de todos estes potenciais factores de risco.
Como bem diz MST, o problema começa logo na infância, não só com o que se come (e bebe) em casa mas fora dela e sobretudo nas escolas. Outras contas, de que já falámos aqui.
A receita é simples, no entanto a sua realização prática é muito mais difícil, conseguir uma redução efectiva do risco, implica um plano nacional, bem organizado e custos elevados; humanos e materiais. E precisa de tempo. Factores estes, dificilmente articuláveis com políticas de saúde.


Comentários
Estou a debruçar-me sériamente sobre esta matéria -os erros que cometemos- sobretudo da má alimentação.
Depois de muitas horas a pensar, estou a desenvolver uma teoria.
Qualquer dia publico-a.
Deixo uma pista para a solução:
- sono -
Um beijinho para si.
Os meus sinceros parabéns por aquilo que escreve.
há vicios e vícios!!Muito coerentes,sem sombra de dúvida!!
;)
wind
digo eu
a questão é que a arranjar-se uma BANDEIRA-DA-DEFESA-DA-SAUDE-DOS-PORTUGUESES, optou-se por aquela que só implica fazer decretos lei e melhor ainda, continua a ser rentável para o governo ;)
beijos, bom domingo
Pois talvez não saibas mas há estudos ,interessantes, em que apesar de os fumadores terem maior risco de doenças cardiovasculares,têm maior capacidade de sobreviverem a elas.
A alimentação é fruto do chamado desenvolvimento, traduzindo: daquilo que nos vendem e nos publicitam nos media...
Na minha infância os chocolates que eu comia eram frescos, da Arcadia e da Ateneia do Porto,(a Maloud deve conhecer)compravam-se em pacotes de 250 gr...
Não havia Mac Donalds, nem Pizza Hut...
As refeições eram a horas ...etc etc...
E eu era montes de feliz.
Havia menos gordos.
Aquilo que ainda me surpreende é a quantidade de jovens obesos,realmente obesos, que hoje encontramos.
No meu tempo de escola não me lembro de ninguém com tanto peso. Nem os professores.
Beijos
Lola
Eu já estou a ver o dia, em que pela manhã, me dirijo ao Marquês, quem conhece esta zona do Porto percebe, e vou negociar com o meu dealer preferido o maço de Pall Mall blue, porque agora o Light está interdito. Como fumo dois por dia, de tarde lá vou de novo. Claro que seria mais razoável aprivisionar-me de uma vez só, mas temo que a polícia me apanhe e me acuse de ser traficante. Portanto à cautela...
Quanto aos quilinhos nós somos todos magros, excepto o que deixou de fumar há 11 anos. Como sobrevive, e mal, com doses maciças de cortisona, eu desculpo.
Não é com medo da obesidade que rejeitamos em bloco os Mac Donalds, nem as Pizza Hut. A razão é mais comezinha. Nós gostamos de comer e somos exigentes. Cultivamos o gosto com o mesmo frenesim com que cultivamos os outros sentidos. Ora, não estou a ver ninguém cá de casa a contemplar embevecidamente o Menino da Lágrima, ou a escutar religiosamente o Quim Barreiros...
Os chocolates da Arcádia e agora também dos Bonitos continuam a deliciar-me. Todas as semanas comemos, porque nós gostamos de chocolate e não dessas mistelas que usurpam o nome.
Beijocas
não será pela adaptação à hipoxia? ;)
chocolates, linda?? agora só lá pro Natal.....
jokas
loool, bem tuga este culto da comida. não há conversa que não seja acompanhada por uns petiscos...;)
no entanto, há coisas dispensáveis,nocivas até. infelizmente injectadas sem restrições pela publicidade e pela industria. com consequencias que conhecemos.
enfim, depois, mau é fumar...
jinho