Precisávamos de menos deputados, melhores deputados e mais bem pagos. É sabido, porém, que a demagogia de há muito assente nesta matéria determinou que os políticos portugueses devem ser mal pagos, porque o «povo» não aceitaria outra coisa, por muito que lhe expliquem que a democracia não tem de ser o governo dos piores ou dos sacrificados pelo bem comum. Sendo mal pagos, os deputados lançam mão do expediente habitual noutros lados: tentar ganhar paralelamente - em viagens, ajudas de custo, subsídios vários, reformas especiais, indemnizações por cessação de funções - aquilo que não ganham como vencimento. E tratam, grande parte deles, de arranjar maneira de conciliar outras actividades remuneradas com o seu estatuto de deputados, fazendo do exercício desta função de soberania um «part-time» profissional. A maneira como isso se consegue é através de um generoso regime de incompatibilidades, que permite fazer quase tudo em acumulação com o assento parlamentar, e através do mecanismo das substituições, que lhes permite, quando isso lhes interessa - a eles ou ao partido - dizer «vou ali e já venho, guardem-me o lugar».
(...) propôs o PS, com a oposição de todos, que se restrinja o sistema de substituições temporárias dos deputados às situações de doença prolongada, licença de maternidade e paternidade e defesa em processo-crime onde o deputado seja arguido. Terminaria assim o degradante sistema do «rodízio de deputados», em que cada qual pode sair e voltar a tempo de não perder de vez o mandato e sempre que lhe convém ou que convém ao partido. Um sistema que conduz a situações absurdas, tais como a de poder haver, em determinado momento, mais deputados substitutos em funções (que ninguém sabe quem são) do que aqueles que foram directamente eleitos. Temos assim deputados que estão ausentes uma temporada para exercerem funções autárquicas para que também foram eleitos, outros que estão conjunturalmente a gerir empresas, até públicas, de cuja administração fazem parte, outros que estão episodicamente a advogar contra o mesmo Estado que lhes paga e que representam enquanto deputados; outros no Brasil a dar aulas; outras a fazerem mestrados; e outros que simplesmente «andam por aí». Quando lhes dá jeito, metem licença; quando não têm nada de melhor para fazer, regressam.
[MST, Expresso de hoje]

palavras para quê?

Comentários

Kaos disse…
Olá bom dia boa tarde e provavelmente já o boa noite. Come te disse estou de férias e o tempo e a oportunidade da net são mais curos.
Quero desejart-te umas boas férias nessa lindissima serra.
Quanto ao post, gosto muito do que o Miguel diz, porque é frontal e directo na forma como o faz. Como todos nós também, de quando em vez, diz coisas com as quais discordo. Não penso que os deputados ganhem pouco, mas isso também é só a minha opinião (é muito mais complexo do que dito só assim).
Um beijo. Porta-te mal e diverte-te:)
maloud disse…
A maior parte dos deputados ganha demais. Com a "competência" que têm numa empresa privada ganhariam muito menos. Normalmente o exercício que é feito, para chegar à má remuneração dos membros da AR é compará-la com gestores de EPs que têm ordenados obscenos, e com os rendimentos dos profissionais liberais mais reputados do país. Ora isto também é demagogia.
Alien8 disse…
Concordo com quase tudo o que aqui diz o MST. Não esqueçamos que ele tem o cuidado de referir que os deputados deveriam ser melhores, e não apenas mais bem pagos. A competência merece (e precisa de) boa remuneração.
Beijocas.
PA disse…
Agora estou com sono.
.
Amanhã digo o que penso, sobre este "palerma" que é demasiado bem pago, para dizer disparates, ao serviço da TVI, e que, por vezes, me tem tirado o apetite ao jantar, com as "enormidades" que brotam da sua "boquinha".
Mas não é caso para alarme, é só ... mais um !
.
Ressalvo que, como cronista, o "rapazito" agrada-me q.b. !
.
Bons Sonhos !
Diana F.
Cristina disse…
kaos

gosto muito do modo lúcido como coloca os problemas, independentemente de concordar ou não, o que é raro...

também acho que não ganham pouco, considerando todas as ajudas. o ordenado base, é capaz de não ser muito..

boas férias para ti também e vai fazendo umas visitinhas, que temos saudades tuas:))

beijos
Cristina disse…
maloud

conhece muitos que tenham lugar em empresas multiinacionais, por exemplo? é que nas nacionais...sempre há outros factores:)

beijos
Cristina disse…
alien

a competencia merece, tens razão ;)

beijos
Anónimo disse…
Ó C.,
Este Miguelito deixa muito a desejar, começa logo por ser um comunista não assumido....
O que nem tem mal, mas o que era bonito era vestir a "chemisole"...
E tu não acrescentas nada ao texto, ficamos sem saber a tua opinião, que no fundo era o que interessava...
Digo eu...
Bjs
Cristina disse…
éme

não acrescentei nada porque concordei com o que ele diz, já lá está tudo...

beijos
Anónimo disse…
Então acrescento eu.
O MST é um inocente, porque se os deputados fossem bem pagos como ele diz (e rediz, e rediz, e rediz....)faziam EXACTAMENTE a mesma coisa que fazem agora, utilizariam os mesmos esquemas, etc.
Isto ou as pessoas são sérias e honestas ou não são, ponto final.
O resto são crónicas que é preciso escrever todos os dias ou lá quando é...
Cristina disse…
éme

tou a ver que mst não é a tua praia...lol...mas é a minha, gosto e concordo com ele muitas vezes:)
é verdade que não é honesto, não o é em quase todas as situações, mas não ha nada pior que pessoas em posição de poder a ganhar pouco, acontece isto, não se perdem oportunidades de ganhar dinheiro. com muito mais facilidade;)
beijos
Anónimo disse…
Para os corruptos o dinheiro nunca "é demais"!
Anónimo disse…
Para os corruptos o dinheiro nunca "é demais"!
Anónimo disse…
Olha, saíu duas vezes no mesmo segundo, não faço outra igual.
Cristina disse…
looooool

é bom ler-te assim, a dobrar ;)

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