E isto, não é interesse público?


Lê-se hoje no Público um artigo intitulado

Preço dos preservativos em Portugal pode condicionar prática do sexo seguro

Parece-me linear e incontestável. Mas há dados curiosos:
As farmácias vendem só duas marcas e cobram os valores mais elevados do mercado, ao passo que nas grandes superfícies existe maior variedade e preços mais competitivos, além de que restringem a oferta às marcas de maior valor comercial - a Control e a Durex - e praticam preços mais altos. As farmácias defendem-se alegando menor margem negocial do que os hipermercados, mais a conversa do costume que " têm equipas de profissionais especializados, na maior parte licenciados, com vínculos estáveis e retribuições justas". Ora, atendendo a que por um lado imagino que ninguém solicite profissionais especializados para a compra de preservativos, e por outro, cada vez menos as pessoas os comprem na farmácia, por comodidade ou vergonha, talvez seja altura de, ou as farmácias deixarem de os vender, ou o governo intervir no sentido de que os preços sejam tabelados pelo mínimo possível. Ou, se quiserem ser mais arrojados e lembrando que as doenças sexualmente transmissíveis são efectivamente um problema de saúde pública com consequências sociais e económicas graves, porque não uma campanha de distribuição gratuita, usando as farmácias como postos de distribuição, à semelhança das seringas, alargando essa distruibuição a locais não tradicionais e de fácil acesso como hipermercados, bares e discotecas ? Ou mesmo uma comparticipação a 100% ? Caro? Caros são os antiretrovirais, os antibióticos, o sofrimento e as vidas humanas. O resto é baratíssimo.

Comentários

Pêndulo disse…
Creio que a distribuição já se faz, ou fez, nos centros de saúde. Segundo um amigo parece que eram mesmo mauzinhos, ao ponto de ele se referir aos ditos como "esgana pi...". A Cristina quer distribuição nas farmácias ??? Ah ah ah, não sabe que o sexo em Portugal é uma coisa que ninguém pratica ? Vamos todos à igreja, casamos de branco e somos todos filhos do Espírito Santo...
Todos menos a Bebé da Sandra Raquel . filha da do 2º andar que emprenhou por "ser uma badalhoca , são as companhias , é no que dão. Ó Vanessa, minha filha , vai depressa à Graciete saber onde é aquela senhora que faz desmanchos por 50 contos, e despacha-te que tens de levar a tua irmã à catequese"
Anónimo disse…
Cristina

Recebi teu e-mail, responderei logo.
Aqui no Brasil, as "camisinhas" são vendidas também em supermercados e como existem várias multinacionais fabricando-as os preços não são elevados.
Mas ainda existe a vergonha de quem vai comprar. Apesar do Ministério da Saúde veicular propagandas nos meios de comunicação incentivando o seu uso.
Beijo
Yon
O apicultor disse…
Que raio de notícia arranjaram para uma segunda-feira murcha por natureza.
Escreve-se muito, diariamente, por esses jornais e, depois de um fim-de-semana, a inspiração espelha o que lhes vai na alma.
Quando a vontade não é muita, até o preço dos rebuçados é posto em causa.
celso serra disse…
Na verdade o sofrimento é bem mais caro.Bem visto.Bjos
depois de ler o teu texto e os comentários lembrei-me daquela máxima dos romanos "Panem et circenses"...

é preciso entreter o pessoal com qualquer coisita, pois.

que nós o façamos por aqui 'à borla'...ainda vai que não vai.

agora que no público isso seja notícia...pois...estou eu a pensar.

olha, não li a notícia, mas já agora, eles explicam como é que chegaram à conclusão que é o "Preço dos preservativos em Portugal [que) pode condicionar prática do sexo seguro"? qual é o estudo onde se baseiam?

beijocas
Cristina disse…
ó pendulo!

mas tás a ver a malta a ir oa centro de saúde pedir preservativos??? loooool

já não é bem assim....
mas é obvio que o acesso não é tão facil assim. nos temos supermercados em barda, mas não é assim em todo o País! as farmácias estão fechadas ao fim de semana e as pessoas são conhecidas...tás a ver?
wind disse…
Cocordo contigo. beijos
Cristina disse…
Yon

claro que há!! mais facil se existissem em varios sítios de mais facil acesso,em bares ou discotecas, onde os jovens estão, longe de censuras..


beijinhos guapo!
maloud disse…
Porque não porem umas maquinetas onde se mete a moeda e sai preservativo?
Cristina disse…
apicultor

tens razão!! vou ja mudar de assunto...:)))
Cristina disse…
Rosalina

mas olha que é um assunto importante...a maltosa toda que sai à noite e tem o dinheiro contado para a gasolina e para os copos, não pensará 2 vezes antes de os comprar?? e todos os outros?

Rosalina, nós temos um dos maiores índices de infectados, devemos ter dos poderes de compra mais baixo da europa, temos pouca informação nesse sentido, não me parece dificil aceitar que o preço conta. e neste contexto acho mesmo que seria oportuno fazer alguma coisa nesse sentido.

beijinhos
Cristina disse…
wind

beijinhos :))
Cristina disse…
Maloud

ja existem nalguns sítios. não sei se funcionam. acho é que devia haver maneira de distribuir de forma mais fácil. de modo a que nao haja hesitações.

beijinhos
wind disse…
Há 2 anos vi numa discoteca, na casa de banho, uma máquina que era só colocar a moeda, só que o impensável tinha acontecido:estava completamente destruída!
Acho que o pessoal é novo, não pensa, mete-se nos copos e noutras coisas e depois estraga o que o pode beneficiar...
Isto foi só uma achega ao haver máquinas nas próprias discotecas ou até bares, que está provado e sabe-se, é onde há maior incidência e probabilidade de sexo por uma só noite.
beijos
Cristina disse…
wind

exactamente. têm que ser de material mais resistente :((( esta malta é incrivel..

beijinhos
claro que é um assunto importante.

e se, de facto, no artigo se provar que o preço dos preservativos pode condicionar o seu uso, então, é de interesse público.

por isso fiz as duas perguntas.

não é uma questão de ser difícil. é uma questão de saber se está provado ou não. penso que só a partir daí é que se poderá desenvolver um plano de acção, porque só assim é que o problema estará verdadeiramente identificado.

partir de um dado quase como que adquirido, sem os factos, parece-me ser pouco consistente.

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