o poder da ausência de poder.


TENHO uma relação de curiosidade distante com o poder: nunca me atraiu, mas sempre me intrigou. Intriga-me a aura que o poder confere aos que o detêm, o fantástico apelo afrodisíaco que ele exerce sobre as mulheres, o falso desprendimento «blasé» dos que o sabem exibir convenientemente e que é uma forma de segurança e autoconfiança invejável. Mas também acho constrangedor e desagradável de ver a dependência que cria e o estado de abandono que a sua perda origina nos que estavam habituados a ter poder e de repente o perdem. Todos conhecemos suficientes exemplos disto, e não necessariamente e apenas na esfera política.
Se o poder, qualquer forma de poder, nunca me atraiu é apenas resultado de um acaso, antes de ter sido uma escolha consciente (...)


Começa assim a crónica de MTS, de quem aprecio a habitual lucidez. Mas começa dizendo-se afastado do poder. Certo, do poder atribuível a cargos políticos. Mas não representa a actividade de MST uma forma de poder? Provavelmente mais ameaçadora, não dependente do eleitorado, mas padecendo dos mesmos vícios (nomeadamente susceptível a redes de influências)? Estaria ele disponível para abdicar dele?

Comentários

"Intriga-me (...)o fantástico apelo afrodisíaco que ele exerce sobre as mulheres..." - esta é poética...
Não é altura para produzir o comentário profundo, até porque seria avisado ler todo o artigo.

O que gostava de deixar aqui escrito com todas as letras é que não me lembra de ler um título que em tão poucas palavras diga tudo.

Voltarei ao assunto se tiver engenho e arte.
O apicultor disse…
O problema não está em quem o tem, mas sim o que se faz com ele.
Muitas vezes, julgam-se os outros pelas partes menos significantes e o juízo pode já estar a ser cúmplice, sem darem por isso. Depois vêem os ídolos em deslumbramento, das simpatias por um modelo que, enquanto vivo, nos traz as suas histórias únicas, da sola de couro de boi, que um dia rompeu, etc… Até ao momento em que aparece, sabe-se lá donde, outro que acrescenta as suas próprias dúvidas existenciais…
Não quero subestimar ninguém, mas como já o escrevi, lembro-lhe que a auto avaliação por vezes assemelha-se aos estados da cobiça.
Alien8 disse…
O poder de que fala o MST é o de quem toma decisões, o de quem manda. Não o "poder" da influência, que é o de cronistas e "opinion makers". É, portanto, o poder político (e económico) que está em causa. Não todo o poder político, não todo o poder económico, mas o poder a sério. O de quem, realmente, manda. A mim, tal como a ele, intriga-me (até certo ponto), mas não me atrai. Sinto o poder da ausência de poder :))
Cristina disse…
Rosalina

convenhamos amiga...é melhor não falar muito...;)

beijinho
Cristina disse…
Fado

pronto, então fica tudo dito.

era bom, se voltasses ;)

beijos
Cristina disse…
Alien

eu sei que é o poder político, o "de quem manda"...mas não é só esse que manda pois não? ou, também se manda através do poder que manda não é? muitas vezes coitados dos que mandam.

o que eu quero dizer que por não ter cargos politicos, não se deixa de ter poder. exactamente com as mesma s caracteristicas. que as pessoas como ele sabem que têm e que exercem.

Alien, os cargos políticos e o poder de quem os tem são como certos casamentos, é só no papel.

não sei se me expliquei..

;)
PA disse…
Os homens não se medem aos palmos. Todos sabemos.

Mas um dia, lá para trás no tempo (onde é que isso já vai ??), quando o MST provocava sensações muito excitantes, no meu grupo de amigas (eu incluída, obvious !), aconteceu, que uma das amigas, cruzou-se, com o dito cujo, numa Pastelaria no Largo de Camões, ali perto da Brasileira.
E não é que ela chegou quase a chorar ao pé de nós e disse:
- Tive a maior desilusão da minha vida. Vi o MST !
E então ?
- O homem mede pouco mais que meio metro. É baixíssimo.

Pronto, caíu do Pedestal da Beleza, para todas nós, porque condição "sine qua non" de ser um homem belo, seria ter quase dois metros.
Convém dizer que todas somos de estatura média-alta. Destoava alguém mais baixo do que nós.
Histórias ...

Gosto do MST cronista, escritor. Detesto (é mesmo, detesto) o MST comentador.
O bom senso que a sua escrita encerra desaparece todo, quando comenta na TVI.
Fico (quase) irritada. Porque não dá uma coisa com outra. Às vezes até penso que, já deve ter ultrapassado 1,5 de tx de alcoolémia. Desculpe Cristina, sei que o aprecia muito.

O último disparate foi a propósito das salas de chuto nos estab. prisionais. MST não via que tal facto pudesse ser um forte motivo para greve dos guardas prisionais. Para ele, trata-se apenas de uma "simples medida de saúde" .... oh oh oh ... até quase que dá vontade de rir.
Para MST não haverá no seu universo de conhecimentos uma coisa que se chama "Segurança e Higiene no Trabalho". E não vou agora discursar sobre SHT.
Fiquei convencida que, para MST, as condições de segurança, higiene e saúde no trabalho, não são um direito de todos os trabalhos, um dever das entidades patronais, e que portanto, não fazem sentido, como reivindicação. Bolas, chega, de tanta parvoíce. Ainda por cima uma parvoíce que deve ser bem paga pela TVI.

Quanto ao Poder em MST (através da CS), que o acesso a comentador da TVI lhe confere, ....podia ter mais. O Marcelo da morcela (LOL) ultrapassa-o fortemente.

Cristina tenho uma visão do Poder muito abrangente, ou não tivesse formação em Sociologia.

Um simples porteiro ou uma simples telefonista de um Organismo Público pode abarcar mais "poder" que o próprio director-geral desse organismo. Isto agora dava pano p'a mangas.

Penso que o MST nunca precisou de sentir a posse de Poder Político. Tudo o que esse Poder lhe pudesse fornecer, e de que ele necessitasse, ele obtém por outras vias.
Nasceu num berço JÁ côr de rosa, para ele. E tenho a sensação que não deve gostar muito de trabalhar, e de ter muitos compromissos.
É mais um legítimo representante da Esquerda Caviar (não significando "Esq. Caviar" apenas Bloco de Esquerda).
Nunca o vi verdadeiramente ... assumido ... numa Causa, num Projecto !

Já me estiquei demais.
Desculpe.

Beijinhos e Bom Domingo.
Cristina disse…
Diana

lol, não tenho essa ideia de ser tão pequeno,lool. vendo na TV ao lado de outras pessoas, não parece mais baixo, pelo contrario...

gosto dele também como comentador e identifico-me com muitas das opiniões excepto aquela nódoa de ser do fêkêpê, mas tapo os ouvidos quando fala de bola:)))



quanto ás salas de chuto, não ouvi o que disse mas, desculpe Diana, higiene, segurança, salas de chuto, são de facto, e basicamente, medidas de saúde! não sei exactamente de que se queixam os guardas prisionais, nem que reividicações apresentam mais.

aquilo que me parece mais estranho nesta medida é que: se dão condições para os detidos consumirem drogas que vêm de onde??? oficializam a coisa, assumindo uma coisa que há trafico nas prisões?? estranhíssimo..

quanto ao poder, independentemente do berço(há-os que não o tiveram..)não precisa de ajudas, ele tem um poder imenso! tem o poder, falando onde fala, consoante o que disser, até de derrubar um ministro ou um governo...
é um poder muito mais estável que o dos governantes, que vivem num equilibrio mais instável do que se possa pensar...

é nesse sentido..

beijocas
Alien8 disse…
Cristina,
Referi-me exactamente ao poder de quem manda, ao poder político e económico. Não quer dizer que esteja nas mãos dos políticos "visíveis". As mais das vezes não está. Na mão dos grandes grupos económicos e financeiros está certamente. E nas de certos lobbies. Agora os jornalistas, por exemplo, pouco poder têm. São muito mais influenciados pelo poder do que o influenciam, e transmitem essa influência à "opinião pública", sobre a qual têm, de facto, alguma influência. São, assim, instrumentos do poder, mas não o detêm. Felizmente, nem todos assim são, mas o panorama não é animador. Espero que, esta vez, me tenha explicado melhor.
Beijinhos.

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