A ministra da Educação considera que a classificação das escolas feita com base nos resultados dos exames nacionais é "pobre"; os “rankings” divulgados com base nos resultados obtidos pelos alunos nos exames nacionais do 12º ano,“dão uma visão muito pobre das escolas","As escolas são muito mais do que exames do secundário, têm uma enorme complexidade e riqueza e devem ser avaliadas sobretudo pela capacidade de liderança e de organização"."Aquilo de que nós precisamos para fazer a avaliação das escolas no próximo ano é de instrumentos mais ricos e não apenas dos exames" . muito bem, d'accord!
Agora, pergunto: o que os alunos manifestam ter apreendido nos resultados dos exames, é ou não o primeiro objectivo da sua formação?
Se é, os rankings fazem sentido. Se não é, e penso que não deve ser SÓ, tal como a Senhora Ministra e provavelmente muitos pais, porque razão se ordenam os alunos para o acesso à faculdade, SÓ pelas classificações obtidas? Afinal parece ser SÓ este o critério que avalia a qualidade da formação de cada indivíduo e de cada escola, ou não? É que sendo assim, e continuando a ser esta a "qualidade" utilizada para ordenar os estudantes, é natural que apenas este critério se imponha nessa escola.
É óbvio que as escolas têm que poder oferecer um pouco mais que só a aquisição de conhecimentos mas, quais são os pais que escolheriam uma escola que coloque outros desafios ao conhecimento, por exemplo, da leitura, das ciências, das tecnologias da informação e comunicação, das línguas estrangeiras, que tenha preocupações com o desenvolvimento pessoal e a inserção social dos indivíduos, que desenvolva a participação dos pais na aprendizagem dos seus filhos e que saiba atrair os jovens para a leitura, que tenha iniciativas como uma escola alemã que enviou gratuitamente aos alunos os seus jornais diários nacionais, cujo conteúdo foi sistematicamente tratado pelos professores; ou uma escola sueca que encorajou os pais a passarem meia hora por dia a ler um bom livro com os seus filhos dos 10 aos12, que desenvolva nos alunos as suas capacidades de análise, investigação e experimentação, faculdades indispensáveis ao tão falado progresso tecnológico, que promovam a aprendizagem através de métodos mais eficazes e ligados às experiências práticas, que explorem o conceito aprender a aprender-para aprender eficazmente é necessário saber como aprender e dispor de um conjunto de instrumentos e estratégias úteis para realizar esse objectivo[qualidade do ensino básico, indicadores da União Europeia], que lhes transmita uma cultura cívica baseada nos princípios da democracia, da igualdade e da liberdade mas também do reconhecimento dos direitos e dos deveres, que tenha outras preocupações sociais como a análise do abandono escolar as suas causas e a articulação com outras entidades de modo a que possa ser ultrapassado.... enfim! perguntava eu.....que pais escolhem uma escola destas para os filhos se depois a média de notas for inferior à média nacional? Ou assumem que não têm pretensões a entrar na faculdade, ou procuram uma outra em que o objectivo único seja "prepará-los para os exames", estarei enganada? De qualquer modo, Senhora Ministra, talvez veja aqui uma boa razão para que os rankings se baseiem nas notas dos exames...

Comentários

wind disse…
Desculpa, mas este post não comento porque senão desancava na ministra e não me apetece falar de política e de todas as variáveis: escola-alunos-pais-ensino-aprendizagem-conteúdos-meio familiar-professores-meio social-etc...
beijos
Alien8 disse…
A palavra aos professores. Por mim, desconfio de muitos rankings, e este não é excepção. Quase me faz lembrar a famosa "lista"...
Bom fim de semana e um beijo, Cristina.
Pêndulo disse…
Minha cara, se olhares para os rankings vês que há escolas públicas muito bem colocadas, dominando até em certas disciplinas. Escolas essas onde houve uma grande adesão à greve. Está desvendado o mistério da súbita desvalorização dos rankings.
Cristina disse…
wind

ok, tas àvontade :)))

bjinhos
Cristina disse…
Alien


eu não tenho nada contra e consulto. gostode pensar sobre os resultados dos rankings e tentar perceber algumas coisas....
Cristina disse…
P

pronto, lá vem o proletariado com as greves...que que isso tem a ver pá? mas que coisa!...ha greves todos os anos e rankings todos os anos. a questão do post é outra:

necessidade de notas altas.
negligencia em relação às vertentes da formação à conta disso
não valorização desses aspectos.

há escolas, universidades noutros paises famosas não pelas notas mas pelo ensino em si. isso poderia acontecer cá?

(kais greves...)
e eu estou certa, Cristina, que as escolas que promovam o tal conceito 'aprender a aprender' estarão bom posicionadas no tal ranking.

quanto ao comentário da senhora ministra, pois, olha nem sei se o melhor não será rir.

provavelmente, amanhã, aparece, como aconteceu ao outro, a dizer que teve 'um mau dia'!

é sábado.

beijocas.
Cristina disse…
Rosalina

por acaso também acho..., mas ha excepções, olha a escola, colegio, instituto, sei lá, Helen Keller.não sei se ainda funciona, mas conheço uma pessoa que la estudou e me contou alguns aspectos do ensino, nada a ver com o resto. no entanto, não aparece nos rankings.
por outro lado, os colegios que só exploram a vertente informação-notas, muitas vezes não saem daí...

beijinho
Como acho que não consegueria comentar e ficar-me por uns míseros 550 caractéres e como já me esntedi um bocado no teu post anterior, fico-me por um Concordo plenamente.
Cumprimentos
Cristina disse…
Migas

loooool, ok, concordemos então...
mas se quiseres escrever os 500 e tal caracteres, pá! tas àvontade...prometo ler tudo...e sem beber café primeiro nem nada. não vai ser preciso ;)

beijinhos
Pêndulo disse…
Um esclarecimento:
O Helen Keller não aparece porque só lecciona até ao 9º ano e o ranking é feito com base nas notas dos exames do secundário que, como sabes,se inicia no 10º e acaba no 12º , logo nunca poderia figurar na lista.
Minha cara, claro que o que a ministra disse está correcto e este ranking é apenas um mero indicador numa área específica e a escola é mais do que isso blá blá blá, mas se analisares o ranking, e sugiro que o faças, vês facilmente que os resultados seriam aproveitados pelos sindicatos que estão em guerra aberta. Estas declarações retiraram essa arma aos sindicatos,
Como já perdi a inocência há muitos anos e não acredito que nem a ministra nem os sindicatos a mantenham tento ver um pouco mais além do que a notícia seca diz. Mais me espanta ainda que, tendo esta opinião, e não sendo ministra há quinze dias, tenha mantido a elaboração e divulgação do mesmo. Diria que foi algo de que se esqueceu e , perante os resultados decidiu antecipar-se.
Quanto ao horror à proletarização , nem respondo porque entraríamos num caminho de análise social do nosso país e sua evolução nos últimos anos para compreender como esse horror está intrínsecamente ligado à degradação dos direitos laborais. Isso era conversa muito longa.
PA disse…
Coloca a questão de forma muito pertinente, Cristina.
Se é pela nota do exame que o aluno tem ou não acesso à faculdade, também deve ser por aí, que Escola deve ser avaliada.
Certíssimo, Amiga Cristina, faz todo o sentido, a sua argumentação.

MAS !!!

Determinar o acesso de um aluno pela nota de exame, é curto e errado, e como sabe, no caso do curso de Medicina, que é um bom exemplo, _______ nada mais errado !

Tão errado como a existência deste ranking estúpido, perverso e eu diria quase "mal intencionado".

Ó Amiga, imagine que se faria um ranking dos hospitais portugueses. Poder-se-ia inferir que no hospital onde se registasse, comparativamente, mais mortes, seria o hospital onde os médicos eram mais incompetentes ?

Tremendo erro, não ?

A educação é um sistema complexo onde se jogam muitas variáveis. Podemos isolar a variável "aproveitamento", ok !, mas a frieza dos números estatísticos nada nos diz da realidade complexa de uma Escola, (tal como um hospital), enquanto entidade dotada de uma cultura de organização específica, inserida num dado contexto sócio-económico regional (isto só falando nalguns aspectos do tema).

Na minha humilde opinião, penso a que a Maria de Lurdes Rodrigues, ontem ao dizer que não atribui nenhuma importância ao ranking. Diz bem, e eu compreendo-a. É bom não esquecer que a sua área é a sociologia das Organizações. Coincidentemente, fui sua aluna. Percebo-a lindamente, à luz dos conhecimentos que me transmitiu.

Por mim, acabava-se com esta "fantochada" pública deste ranking. Um documento que nos induz em erro, mas um bom marketing, para algumas escolas.
Será esse um dos objectivos implícitos ?

OU então publiquem-no, mas cruzem estes resultados, com outras variáveis, e começem a fazer uma avaliação séria dos Professores.
Quem é bom e cumpre, não receia a avaliação.

Assim só ["a seco"] este ranking é humilhante para muitos professores (e escolas) que são competentíssimos, mas não estão nos melhores lugares da listagem. Portanto, não transmite a realidade do que se passa nas Escolas.
E já não falo das questões Público/Privado ...

um beijo
Cristina disse…
P

perder a inocencia pode(pode!não quer dizer que seja)ser bom, ver para alem também, mas não exagerando, sob pena de não conseguires discutir a questão que se te coloca. esquece quem quer atacar quem e quem persegue quem, e tenta imaginar de que modo se poderia ter um ranking das escolas que usasse outro tipo de critérios, porque eu acho que a competição ajuda a melhorar...
Cristina disse…
Diana

concordo consigo em quase tudo.

primeira coisa, acho a classificação importante, as pessoas devem saber o que valer e admitamos que toda a gente acaba por olhar para elas.
antes de serem publicados as pessoas faziam-nos por pesquisa, toda a gente perguntava a toda a gente quais eram as melhores escolas, aquelas onde se aprende mais e se tem melhores medias...não vale a pena escamotear essa realidade. o mercado funciona.

tambem acredito que as escolas onde há pior aproveitamento....enfim, acreditar que sejam boas "mas injustiçadas"..não sei se será assim, afinal, como diz a Rosalina, umas coisas trazem as outras.

e com esta conversa parace que ta tudo certo, não é? não é bem isso, onde eu queria chegar é: não poderia haver um factor de ponderação na classificação das escolas que englobasse outros factores?

por exemplo, os alunos dos colegios estrangeiros( liceu francês, escola alemã, etc..), têm um factor de ponderação por estarem sugeitos à avaliação do seu proprio país. esse factor, acrescenta-lhes alguns valores..na pratica, facilita-lhes o acesso à faculdade. e isto é real, entram quase todos, só não é valido para o curso de medicina.
agora, mais, seria este um sistema justo em relação a uma escola em que não haja mais nada de jeito mas em que os alunos se esfalfem a estudar para ter boas notas?

beijinho
se me é permitido, a questão que colocas, cristina, é bastante pertinente. saber se o sistema é ou não justo.

primeiro teríamos que, para já e uma vez que estamos a falar do ranking de escolas secundárias, saber que a escolaridade obrigatória existe apenas e por enquanto até ao 9º ano.

depois, teríamos que conhecer os projectos educativos de cada escola e como é que em cada projecto educativo está definido que deva ser feita a avaliação do próprio projecto educativo.

deviam ser, também, definidos pelo ME os critérios de avaliação para aferir com total fiabilidade dos resultados atendendo a cada projecto educativo.

ora, sabemos que isso não é feito.

por isso julgo que seja credível aceitar os rankings que deverão permitir a cada escola uma ponderação.

e voltando às palavras da senhora ministra, esquecendo para já a leitura do pêndulo que está, quanto a mim, muito perto da leitura possível, são no mínimo ridículas proferidas no estado actual das 'coisas'.

não dá nenhuma importância a este estudo? aos rankings?!

então, seria caso para perguntar, por que razão todas as escolas do 3º ciclo, elaboraram planos de recuperação para a matemática, face aos resultados do exame/9ºano da mesma disciplina no passado ano lectivo e já está a ser desenvolvido no 1º e 2º ciclos o plano da leitura.

afinal, os resultados obtidos nos exames pelos alunos são válidos para umas situações e não são válidos para outras, parece-me.

em suma, os resultados dos exames não devem ser considerados essenciais para a avaliação das escolas, mas são importantes.
crack disse…
O Pêndulo já explicou as razões da ministra, que de ingénua nada tem. Concordo com ele, se bem que também me pareça que ela ensaiou lançar um "rebuçado" à matilha, agora que já não se sente tão confiante.
Quanto à questão que a Cristina coloca, e que aqui já foi muito bem analisada, só uma achega: se uma boa gestão se guia pelos resultados, mensuráveis, os resultados dos exames são o mais objectivo, fiável e uniformizante indicador para um ranking das escolas, não lhe parece? O resto pode ser apenas o eduquês habitual. Por outro lado,convém não esquecer que esta ministra quer fazer associar a avaliação dos professores também aos resultados dos alunos, o que torna a sua observação sobre o ranking muito curiosa. É uma pena os sindicatos não explorarem as pequenas fissuras que a incoerente e inconsequente acção desta equipa da educação lhes dá de bandeja.Mas andam demasiado distraídos com as cascas de banana que a 5 de Outubro lhes lança.
Anónimo disse…
Pois é... E nos rankings dos vários jornais e televisões, temos tirando meia dúzia de colégios bem conhecidos pela sua qualidade e também pelos preços que cobram, temos como uma grande maioria AS escolas públicas. Até no "top ten" nacional, vêm escolas públicas....
E como diz o comentador anterior "os resultados dos exames são o mais objectivo"...
Esta ministra, e os anteriores ministros da educação sempre deram grande valor aos rankings, mas este ano, não lhes dá jeito fazê-lo, porque as mais bem posicionadas escolas secundárias, são exactamente aquelas onde a adesão à greve foi maior... dá que pensar ou talvez não..
E mt mais havia a dizer, mas eu não sou de escrever mt.
Só mais uma coisa o centro Helen Keller, sendo na zona talvez o melhor dos privados, é tb o mais barato.
E dói a mão de tanto escrever.
Beijos para todos

Assina
:))
Cristina disse…
Rosalina

tens toda a razão, não é suficiente, mas no fundo permitem tirar algumas conclusões e até tomar medidas...lol.
e dizem muito, se não dos metodos pelo menos da forma como são aplicados. quaisquer que eles sejam, bons ou maus, mais ou menos completos, o facto é que se não dão resultados, alguma coisa funcionou mal..

beijo
Cristina disse…
crack
bom, revê-lo :)

anónimo

o que me parece é que à medida que vamos discutindo os assuntos, eles nos surgem mais complexos...
concordo que as notas são o parametro de avaliação mais uniforme. mas depois, toda a gente concorda que formação não é só conhecimento teórico, linear.

não era minha intenção entrar pelos jogos ministra-sindicatos. até porque é um campo que não conheço bem.na minha opinião, os resultados dos alunos têm a ver com os professores, e com a qualidade dos mesmos. parece-me pouco discutivel. isso não tem necessariamente relação directa com a sua capacidade reividicativa, pelo que para mim, não faz muito sentido relacionar escolas com bons resultados, e greves.

sendo assim, persisto na mesma questão. as notas dizem muito do que o aluno aprendeu em termos teóricos, mas diz menos sobre a sua formação num sentido mais lato. haverá maneira de dar a volta a isso, ou aceita-se que, de facto, o importante são os resultados?

beijinho

Dom Out 22, 11:36:49 PM
crack disse…
Cara Cristina, só uma provocação muito pequenina - quando pretendemos deixar em segundo plano o que, como diz, "o aluno aprendeu em termos teóricos", para valorizarmos, na avaliação do mesmo aluno, "a sua formação num sentido mais lato", agimos bem,de acordo com um determinado conceito de valor individual, mas estamos, na maioria dos casos, a pôr em causa a existência da Escola, tal como hoje a concebemos. Não podemos já ignorar que é o universo exterior à escola que fornece aos alunos a melhor formação, no tal sentido lato que refere. Esta é uma das mais importantes razões do insucesso da Escola e do insucesso do sistema, o que tem como consequência o insucesso dos alunos, sobretudo dos que menos meios têm para aceder aos centros de formação exterior à escola, no seu mais correcto enquadramento. Portanto, esse discurso das competências em sentido lato não pode deixar de integrar um real projecto de mudança, radical, da Escola. Contudo, isso não passa, sequer, pela cabeça desta ministra, porque tem custos, e ela está lá para cortar, cortar, cortar.
Cristina disse…
crack

não me custa nada concordar:)))

a formação de que falava não é bem aquela a que se refere e que é disponibilizada pelos meios ao dispor fora da escola...tem a ver com o que falei no post,do conceito de "aprender a aprender",desenvolvimento da capacidade de analise, experimentação, de formação civica, etc...que são dificeis de adquirir fora da escola.

no fundo, concordamos que algo mais se poderia adquirir na escola além do conhecimento teórico. a seco. o resto, um dia..

beijinho

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