Calculei




que o post a propósito da troca de seringas nas prisões e do artigo de JPCoutinho, ía suscitar pelo menos algum comentário exactamente nos moldes em que a Marina o fez, ainda bem. Diz assim:

(...)lamento ver uma representante da classe médica defender a tolerância ao consumo de estupefacientes nas prisões, mesmo que o faça em nome do que parece ser uma realista percepção do universo prisional.Acabar com os consumos de drogas entre os presos deve ser objectivo de qualquer responsável por um estabelecimento prisional, pelo que não o conseguir deve ser motivo de imediata cessação de funções. Impedir o tráfico de drogas dentro das prisões não é uma tarefa impossível, nem tão difícil quanto parece. Ele não cessa porque com ele lucram os que o deveriam evitar e combater. Despistar, frequente, periódica e aleatoriamente, o consumo de droga entre os detidos pode ser feito e deveria ter as consequências devidas - agravamento das penas. Não se faz porquê?

Bom, antes de mais, não represento ninguém, dou a minha opinião que obviamente é condicionada pela minha profissão, como acontece com toda a gente. Acho.
Depois, é exactamente por isso que separo perfeitamente duas situações completamente distintas embora relacionadas:
1-o consumo de drogas nas prisões.
2-a transmissão de doenças decorrente desse consumo.
as duas se combatem de formas diferentes e as duas, em termos de saúde pública, têm implicações completamente diferentes.
Quanto ao consumo de drogas, é o problema que tem de ser combatido -eu disse que o contrário?- dentro e fora das prisões, mas que, como todos sabemos tem contornos complicados; exige uma estrutura montada que inclua acompanhamento clínico, psicológico, social e de reinserção. Implica ainda, acabar com um fenómeno ainda mais complicado, o tráfico de droga. Não deve ser impossível, mas o certo é que ainda não se conseguiu por muito que se tente, nem aqui nem em local nenhum. A droga existe e existirá. Não tenhamos a ilusão de que nós, portugueses e mais eficientes que ninguém, vamos acabar com isso. Essa atitude não é realista, é ingénua. Trabalhar nesse sentido sim, mas sempre com a consciência de que há situações que não conseguimos evitar.
Depois, temos o outro problema que em termos de saúde pública é infinitamente mais grave: a propagação da SIDA e das HEPATITES. Este sim, é um problema que tem que ser travado agora! E isso sim, é possível. Ou seja, compreenda: é muito mais grave ter um indivíduo que constitui um perigo para a saúde de terceiros que um consumidor de drogas, percebe? não podemos comparar uma pessoa que no seu comportamento errado ameaça o seu próprio corpo com outra que com a sua atitude ameaça terceiros, não só aqueles com quem partilha seringas mas aqueles e aquelas com quem têm relações mais íntimas. A questão não se limita às prisões mas tem um a abrangência muito maior, por exemplo: as consultas de infecciologia estão cheias de seropositivos/as que o único crime que cometeram foi ter tido um "relacionamento" com um destes indivíduos. É público e inquestionável. Será que é difícil equacionar as coisas nestes termos? O maior e mais prioritário investimento é na propagação de doenças infecciosas! O resto pode fazer-se com tempo, porque exige tempo. Mas este, quanto mais tempo se perde mais vidas podem estar em perigo. A percentagem de infectados nas nossas prisões é assustadora, vamos deixar que continue a aumentar só por uma questão ilusória (para ser branda) de necessidade de moralizar o sistema? Ou política não é também isso, estabelecer prioridades com apoio em pareceres de quem sabe de onde vem o perigo maior em termos de risco para a população?

Comentários

Lola disse…
Cristina
Assino o teu post.
A razão pura e o raciocinio lógico, não se aplicam a esta situação.
É necessário ter a coragem de fazer o possível para parar com a progressão da SIDA e Hepatites,nas prisões, já que é de detidos em establecimentos prisionais que estamos a falar.

Beijos

Lola
Anónimo disse…
Peço desculpa mas nem sequer li o post todo porque tenho uma opinião muito clara sobre a matéria.

O problema da droga só existe porque o actual sistema o promove, incentiva e o valoriza. Veja-se os preços altíssimos que o produto atinge no mercado (negro).

Para mim, o Estado (mediante condições pré-estabelecidas e através do SNS) devia fornecer os estupefacientes, de graça, a quem deles necessita, sob vigilância médica, naturalmente. E devia ser assim sem qualquer preconceito, apenas respeitando as regras pré-definidas. Com essa medida:
- Impedia-se ou controlava-se a entrada de novos consumidores na rede.
- Desvalorizava-se, por completo, o valor financeiro da droga

Se a droga perder o seu valor financeiro, o mercado (negro) desaparecia e desaparecendo o mercado desapareceria a procura...

Esta solução, resolveria, numa geração, o problema da droga.
Desde já aviso que sou um defensor fundamentalista desta solução. E se mandasse, garanto-vos que os traficantes iam todos pedir para a porta do Metro porque "droguinha" era "à borliu" pró pessoal.
E juro que nunca snifei. Nisso, sempre fui betinho.
wind disse…
Falou, disse e concordo.
beijos
Souvent la peur d’un mal nous conduit dans un pire
Nicolas Boileau-Despréaux


As sociedades modernas defrontam-se com problemas, cada vez mais complexos, e os quais as mesmas se mostram incapazes de combater, quer porque os mecanismos legais impedem as democracias de actuar de uma forma bárbara, quer porque se vai criando a ideia de que não há remédio ou então, porque o que ontem era um problema, hoje não o é, pelo menos para alguns.

A questão levantada da troca de seringas nas cadeias é um bom exemplo do que atrás de escreve.
Uma questão fundamental é, para que é que serve uma cadeia.
Óbvio que existem para aplicar uma sanção social a quem transgrediu determinada regra (que aliás pode ser perfeitamente arbitrária, e até imoral se comparada com regras de outro lugar) e assim sendo compreende-se que a estadia lá, tenha regulamentos bem precisos.

E essas leis eram e seriam sempre altamente penalizantes para os detidos e mesmo em democracias bem estabelecidas há cadeias de alta segurança onde é aplicado aos mesmos, regulamentos da Idade Média.

Visto o problema por este ângulo, custa a perceber como é que o Estado, confessa a sua derrota perante uma ilegalidade, convivendo e, em certa medida, apoiando a mesma. Esta questão já se punha com as “salas de chuto” a criar “cá fora”.

Uma das razões é que a sociedade exige mudanças e quem governa necessita de ser flexível se quer continuar a governar.
E todos querem.

Outra, porventura a mais importante, é que é impossível parar o tráfico de droga.
É utópico pensar que legalizando a mesma o fenómeno desapareceria.
Quem movimenta os triliões que a mesma rende nunca o deixará fazer.
Por outro lado um drogado, se não quiser ser reabilitado, e é muito duvidoso que seja durante o cumprimento de uma pena de prisão que lhe venha esse desejo, continuará, seja de que maneira for, a consumir.
E se o não fizer, tornar-se-á um perigo bem real para o resto da sua comunidade.
Isto multiplicado por uma percentagem esmagadora de detidos tornaria as prisões em vulcões (o que aliás já são porque quase todas tem a lotação ultrapassada).

É triste, mas a sociedade tem que compreender que este é um problema perdido.
E logo que esteja ganho pelo Mal, outro se seguirá na batalha.
Pode ser que se tenha que viver assim .
Anónimo disse…
Ou política não é também isso, estabelecer prioridades com apoio em pareceres de quem sabe de onde vem o perigo maior em termos de risco para a população?

Não, não é, Cris. É uma coisa muito diferente, goste-se ou não.

E quando se é pouco experiente nesses domínios, temos que ser mais prudentes.

Epá, eu confesso a minha inveja de cérebros brilhantes como este; como é que ninguém se lembrou disto até agora? Fonix! JPCoutinho a ministro já!

Porque ISTO, acima, não é uma maneira credível de abordar um problema sério.

Bjos
Cristina disse…
Lola

pois é, entendes tu, mas a nossa perspectiva é diferente, nao é?

beijocas
Cristina disse…
José

You've Got a Point....

tal como na questão do aborto, como na legalização da prostituição: em termos de defesa da saúde pública, é preferível ter as mulheres referenciadas e vigiadas que proibir e fingir que não existe. até porque quando as coisas estão às claras é muito mais fácil actuar sobre elas.
não me escandalizava nada optar por uma solução desse tipo.

bj
Cristina disse…
wind

beijinho, b'noite.
Pêndulo disse…
Marina, o seu raciocínio parece-me que tem um ponto fraco,não considera a realidade e a efectiva possibilidade de tornar viável o que a lei actual diz. A droga nas cadeias vem de fora, é proibida lá dentro, é certo, mas também o é cá fora e , como muito bem referiu, existe aí perante os nossos olhos. Há apreensões, há condenações, há tudo isso , no entanto ela continua disponível. A passagem do teórico-legal para o terreno é difícil e uma lei bem feita é a que é possível aplicar. A lei que fracassa a sua aplicabilidade é mal feita e apenas contribui para o descrédito sobre ela mesma e, pior ainda, sobre as que são viáveis.
Existe a expressão "governar por decreto" e existe quem diga " é preciso isto ou aquilo" , o "como" não vemos amiude ser dito.
Cristina disse…
batuta

pois a primeira foi a brincar, agora foi mais a sério a ver se se percebe melhor, mas já vi que não.

já vi tambem que a coisa é muito diferente. ou tem sido, não se ouviu quem se devia, tá aí o resultado. parece que vai havendo alguns sinais de mudança, felizmente. espero que a troca de seringas seja mesmo para seguir em frente. sem medos.
Pêndulo disse…
Continuando.
A "febre" da saúde pública, embora tenha bons motivos na sua origem, muitas vezes deriva para atitudes totalitárias, intolerantes e redutoras do ser humano a uma mera máquina que tem de se apresentar sempre na plenitude das suas possibilidades produtivas de forma a maximizar o alimento que come. De certa forma lembra-me a criação de galinhas poedeiras em que estas estão confinadas a jaulas em ambientes assépticos e limitadas nos seu movimentos de forma a que a alimentação seja reduzida ao mínimo necessário à produção do ovo sem qualquer desperdício energético.
Creio que ser humano é, cada vez mais, ter individualidade e não ser uma mera peça de uma engrenagem. Ser Homem é também fazer o inútil, o vão, e é, sobretudo, dispor do nosso corpo.
Cristina disse…
Marina

depois dessas suas teorias tão bonitas, diga-me, porque afinal sobre isso não disse uma palavra, como resolveria neste momento a transmissão de doenças infecciosas? expliquei-lhe que é este o problema mais grave em termos de saude publica...percebeu o que isso significa, não percebeu? pois bem:como resolve esse problema neste momento?

quanto à pergunta que me faz, a resposta é: se na escola da minha filha existissem drogados,a primeira coisa que exijo é: troca de seringas já! mais ainda, distribuição de preservativos já! isolar tanto quanto possivel a transmissão de qualquer doença. em segundo lugar, agarrar nesses jovens e tentar encaminhá-los para desintoxicação, acompanhamento e reinserção. mais clara que isto é impossível.


quanto à sua observação: "justificar a troca de seringas nas prisões, no caso português, com a legislação existente, não só é ingénua, como é profundamentamente cínica, se não for acompanhada da exigência da total liberalização e descriminalização da venda de estupefacientes"

Cinica ou não, é prioritária, é incontestável, e vai-se fazer graças a deus! espero que o governo não volte atrás.

liberalização e descriminalização da venda?? da venda???? loool..quereria talvez dizer do uso. não me escandaliza, se quer que lhe diga. se apoiada numa solução perto da que propõe o José.

sempre pela clarificação das situações. lamento desapontá-la.
Anónimo disse…
Cris,

Compreendo o que me dizes. Mas tantas vezes não é o que se diz, mas como se diz.

Sugestão: quando é a brincar, é a brincar. Quando é a sério, é a sério.

Afinal, é tua a responsabilidade maior de manter este blog com o nível a que nos habituaste e que, ultimamente, se tem preocupado pouco com "detalhes" que fazem toda a diferença.

E o que me irrita mais é que tu, ainda por cima, escreves bem, quando queres.

Desculpa a observação mas faço-a com amizade.

Bjos
Alien8 disse…
Cristina,
Continuas a ver o problema como ele, na realidade, existe. E, logicamente, a defender a solução possível, que é a troca de seringas, para o dito problema, que é a propagação da SIDA (e, em última instância, a extinção da espécie humana. Sublinho "em última instância", em termos tendenciais; não quero ser exagerado nem alarmista. Quero apenas reconhecer ao bem "saúde pública" a importância fundamental que possui).
Talvez a mais lúcida fundamentação para a tua posição se encontre no excelente comentário do Fado Alexandrino, que ataca a questão com um rigor e uma latitude impecáveis, e do qual retiro estas linhas:

"Outra, porventura a mais importante, é que é impossível parar o tráfico de droga.
É utópico pensar que legalizando a mesma o fenómeno desapareceria.
Quem movimenta os triliões que a mesma rende nunca o deixará fazer.
,

para justificar que a solução do José, sendo certamente a desejada por todos é, infelizmente, impraticável.

Por tudo isso, e pelo mais que disseste, por exemplo quando falaste na hipótese da escola da tua filha, dou-te os meus parabéns.

E um beijo.
Cristina disse…
Batuta

não tenho nenhuma pretensão de transformar este blog numa coisa séria e de alto nível, essas preocupações tenho-as lá fora e chega-me :)
e às vezes esqueço-me que estou a falar (ja disse a outro comentador que não escrevo, falo. na forma em que me podeis ouvir) com não médicos. se um medico lesse o post abaixo entenderia imediatamente o que eu queria dizer porque o veria com os mesmos olhos. problema meu...
na verdade nunca falei tanto destes assuntos como ultimamente, tem estado na ordem do dia, só por isso. não é que goste.
mas adiante. um blog, entendo-o como um divertimento e um local em que se podem discutir ideias se nos apetecer, ou fazer umas brincadeiras, ou até desabafar o que nos incomoda de for caso disso. na boa. numas coisas coincidimos noutras não, é assim, sem dramas.

provavelmente esperas de mim uma coisa que eu não sou...lol..só desilusões.;)

beijo, b'noite
Cristina disse…
Marina

"Não consegue a Cristina dissociar a questão das seringas nas prisões da transmissão de doenças infecciosas, em termos de saúde pública".

não entendo como é que chegou a essa conclusão, quando eu comecei por separá-las e por dizer que são questões completamente diferentes, com soluções diferentes e repercussões diferentes na sociedade e na saúde da população.

entende a Marina que a troca de seringas é absurda. então, pela terceira vez, como resolve a transmissão de doenças infecciosas provocadas pela partilha de seringas?repare, estamos a falar desta transmissão específica, não da homossexualidade.

neste caso específico e a curto prazo, qual é a solução? é que só quando me conseguir colocar uma alternativa viável é que podemos discutir o assunto, caso contrário não há discussão. sabe em que é que eu posso ficar tambem desiludida com os seus argumentos? é que está contra porque sim. eu estou-lhe a falar de um problema técnico que tem que ser resolvido. se quiser ir por aí, vamos; um problema de saúde publica é prioritário. portanto, Marina:continuamos a discussão pela procura de alternativas técnicas ou ficamos por aqui? como vê, separo bem, separo completamente, as questões.

note: o meu Ego nunca se abala quando tenho a certeza do que estou a dizer. aí, minha amiga, nem que venha o ministro. ;)

abraço
Cristina disse…
Fado

pois é, há problemas que têm que ser encarados de forma pratica. há drogados nas prisões. não vão conseguir a curto, medio e se calhar a longo prazo resolvê-lo. há homens e mulheres a ser infectados todos os dias. logo, é preciso fazer alguma coisa. proibir como??? só se isolares os milhares de consumidores, porque não estás bem a ver o que seria milhares de individuos em abstinencia em contacto uns com os outros: era uma catastrofe incontrolável. a necessitar de apoio médico e de contenção fisica. é um absurdo sem tamanho....não é metodo que se utilize em parte nenhuma, que eu conheça. primeiro controla-se o problema sanitario, depois a dependencia, seguindo os passos que forem necessarios e que é um trabalho que pode demorar anos, como sabes.

não ha outra maneira, e quisermos começar a acabar com este panorama deprimente que é a contaminação.

bjos
Cristina disse…
Alien

é evidente!! se fosse possivel acabar com o trafico, com a venda de droga, o problema já tinha sido resolvido! mas há outra coisa, esta mais "do terreno", digamos assim, não podes suspender o consumo de drogas de repente a milhares de pessoas. só quem nunca lidou com as repercussões clinicas e a estrutura que precisava de ser montada é que imagina que seria possível. seria preciso montar quase um hospital, ou um centro de saúde bem equipado em cada cadeia...lol. e que diriam as populações que dificilmente têm acesso a um médico disto? já pensaste?
a solução do José é excelente e teoricamente perfeita, mas dizes bem, não é viável.
e entretanto...estás a ver como se adiam resoluções e como se ajudam a criar dramas como o que estamos a viver neste momento? anda-se à volta e não se faz nada porque "era mais correcto" ir por outros caminhos que na pratica são quase impossiveis.e no "era melhor", esquecem-se de actuar.

esta discussão é um bom exmplo do motivo porque Portugal está com um dos maiores indices de SIDA na Europa.

beijos
Não deve ter sido muito claro, pois em súmula é mais ou menos isso que escrevo.
Quando um problema não tem solução ele está automáticamente solucionado.
Mas não deixa de ser uma capitulação do Estado.

Temo no entanto que haja mais ruído do que informação sobre este assunto.
Na sondagem do Público a votação reparte-se entre os 52% a favor do Não e 47% a favor do Sim.

Não é um bom sinal.
Anónimo disse…
é um assunto muito complicado.
Mas se condenamos o uso da droga, como podemos defender o seu fornecimento?!
João Norte
intro.vertido.weblog
Pêndulo disse…
Marina, vou expôr uma situação hipotética.

A Marina ia passear junto ao mar e estava num daqueles areais com placas a dizer "Proibído tomar banho" "Zona perigosa". Eu também estava a contemplar as ondas. Todo um grupo de adolescentes, uns sabendo nadar e outros não, metia-se no mar e alguns começavam a esbracejar aflitos. Ali perto havia um monte de bóias.
Qual a sua reacção ?
1- Reclamava em altos berros que a praia devia estar vigiada pelo Exército de forma a que ninguém pudesse sequer molhar os pés e/ou que deviam fazer um muro com arame farpado de modo que fosse impossível alguém chegar ao mar e tentava impedir que eu atirasse as bóias aos jovens acusando-me de enfraquecer a autoridade do Instituto de Socorros a Náufragos e favorecendo assim que outros grupos, futuramente,pela sensação de que se se metessem no mar haveria sempre alguém que lhes acudia.
2- Ajudava-me a atirar as bóias para todos os adolescentes, impedindo assim que os que se estavam a afogar se agarrassem aos que tinham pé arrastando-os para a morte, reclamando aulas de natação para todos e mais vigilância mas salvando a vida das pessoas daquele grupo.

Qual das opções escolhia ? Deixava-os morrer ? Salvava-os ? Ou tomava uma terceira atitude ?
este tipo de discussão assusta-me.

sinceramente, parece que estou na sala de professores, num dos intervalos em que (quase)todos optam por dizer mal dos alunos em vez de discutir os problemas e pensar na solução.

é quase sempre um diálogo de surdos.

é tão fácil dizermos que não se deve, não se pode, que estar a contribuir para...

permitir que se faça a troca de seringas é a mesma história da IVG. há quem pense que fechando os olhos ao problema ele fica solucionado.

vamos ser uns cidadãos muito bem comportados e vamos dizer apenas que não deve haver abortos, que não se deve consumir droga, etc, etc.

assim, dormimos todos mais descansados. porque somos todos muito lindos. até ao dia...

enfim.

respondendo ao desafio que o pêndulo colocou à marina, eu, provavelmente, se estivesse nessa situação, além de ajudar a atirar as bóias para a água, atirava-me também a mim, para ajudar o maior número de adolescentes.

beijocas
Cristina disse…
Cristina,
Concordo contigo, mas infelizmente não vejo uma saida, cada vez se piora o caso das drogas, das doenças...Era bom que existisse uma solução, mas não temos que desistir, e sempre lutar para que consigamos
:)
Um belo post
beijinhu
Cristina disse…
Marina

mas se admite que não se consegue controlar, como é que propõe uma solução que não é aplicável? A Marina não conhece nenhuma prisão pois não?. eu ja fiz consultas, ha muitos anos, num hospital prisional.conheço a realidade e garanto-lhe que quanto mais os presos tiverem que se esconder para consumir, maior é a promiscuidade entre elas. numa prisão de 500 homens, em que 200, por exemplo, consomem drogas, acha axequivel vigia-los a todos constantemente? ó Marina, por favor, caia na realidade. há um metodo que comprovadamente diminui a transmissão, é esse que tem que se aplicar.
as boas intenções são muito bonitas mas é preciso alguém que faça o que tem que ser feito. A Marina é uma "boa Alma", vive num mundo perfeito e ilusório, imagina um Mundo ideal em que se acaba com os problemas por decreto e fica tud resolvido, tal como o JPCoutinho. que quer que lhe diga? minha amiga, não é assim que a banda toca, a musica é bem diferente.

acho que ja explicámos suficientemente a nossa posição, não me parece que haja acordo, nem precisa.

beijos
Madeira Inside disse…
Oláaaaaaaaaaaa!!!!!!!!
Por aqui passei para te deixar um beijinho !!
Bom Domingo!!
Boa semana!!

Beijinhossssss!!:))

P.s. Ai o AJJ!!!! ......
Hehe! Só para rir!!
Crisitna! I'm back! Got a new blog, with a link here. I'm in a hurry now, will return to read up on all I missed later.
Beijos from a very chilly prairie!
Cristina disse…
Marina

perfeitamente convicta da minha razão.sem problema algum! e felizmente não só eu mas quem decide, dou-lhes os meus parabéns por isso. e se me permite, estou de facto muito mais habilitada que a Marina a falar do assunto.conheco-o, coisa que parece não acontecer consigo :):)

e bom, as outras pessoas têm algum senso, podem não concordar mas reconhecem o problema e a inevitalidade da medida, patamar a que a Marina não consegue chegar, é pena e extremamente cansativo para mim, ter que tentar explicar a mesma coisa 10 vezes.

Hoje gere-se? errado, geriu-se!da forma que propôs e com o desastre que se vê. Por moralismos estupidos e inconscientes. arrepia-me gente que em nome da moralização do sistema, põe em risco aquilo que temos de mais importante, a saúde.

no fundo são delinquentes e drogados! se morrerem não vem nenhum mal ao mundo, não é? ou se salvam e passam para o grupo dos bem comportados, ou morrem, quem se importa? mas se esses não valem grande coisa(até posso concordar), que se pense pelo menos nas pessoas que arrastam e não têm culpa de coisa nenhuma. Pense pelo menos nesses.

e por aqui me fico. como lhe disse, há desgastes completamente inuteis.

fique bem.
Cristina disse…
Geoffrey!!

Hi dear friend! miss you..:)

i'll see your new blog and link it here! see you later.

lots of kisses.
mfc disse…
Entendo que sáo há uma forma séria de combate ao tráfico de droga.... é secar a fonte!
E isso só se consegue fazer anulando os lucros fabulosos que tal tráfico permite.
Como então?
Fazendo a distribuição gratuita... a nível mundial...o que ficaria... baratíssimo!!
Mas haverá PODER interessado nisso?!
Pêndulo disse…
Marina, substitua o esterótipo que tanto a horroriza (ao contrário dos estereótipos relativos a quem ocupa o poder, desses é pródiga no uso), pelo que bem entenda. Deseja um grupo de seminaristas, um convívio de reformados da CP, quiçá um grupo de comentadores de blogs ? Faça-se a sua vontade.
Neste seu parágrafo;
O que não significa que os mecanismos aplicáveis não sigam o seu curso - meios de salvação adequados, por pessoal qualificado, ou bons samaritanos. Responsabilização/penalização depois, para os que fiquem para contar.
reparei que fala de salvação, responsabilização/penalização. Lamentavelmente esqueceu aquilo de que trata o "post", a prevenção para salvar vidas. Talvez possa ser a sua quando um dia se cruzar com um ex-presidiário. Em Portugal não existe prisão perpétua por isso, ao cabo de algum tempo, os prisioneiros são libertados, depois andam nos autocarros, comboios, metropolitano, vão a cinemas, supermercados e até podem sentar-se ao nosso lado durante uma missa. De um ponto de vista egoísta, mesmo que eu não me importasse com a morte de prisioneiros por me considerar um ser absolutamente recto e infalível nas minhas acções e estando afastada a mais remota hipótese de transgredir algum preceito legal e ainda considerando a população prisional como "não pessoas", estaria , antes de mais, preocupado com a minha saúde e dos que me são queridos.
O uso apropriado de seringas nas prisões em nada colide com medidas de combate à introdução de droga nas mesmas. São coisas absolutamente distintas. As seringas nas prisões defendem a saúde dos prisioneiros evitando o seu contágio e a minha e a sua quando forem libertados.
Cristina disse…
Marina

eu assumo sempre as coisas, e sem duvida que menosprezo opiniões que considero desajustadas, mal fundamentadas e irrealistas, como é o caso da sua e a do JPCoutinho. ou não teria escrito o post... já percebi que lhe deu grande prazer, claro deu! aliás o que lhe dá prazer é a discussão,mais a embirração, não a tentativa efectiva de encontrar soluções. Porque no fundo no fundo, tudo se resume ao que lhe disse Marina: Preconceito, disse muito bem: ou se tornam bons critãos ou morram eles! tão simples como isso. percebi, e contra isso não há argumentos, porque nem sequer chegam a sensibilizá-la, como se vê.

boa tarde.
Pêndulo disse…
Usando a sua expressão algo tauromáquica digo-lhe que uma "lide" é feita de superveniências, as suas acrescentam algo, caso contrário ficaríamos calados, cada um com a sua opinião.
Há uma coisa que não compreendo no seu ponto de vista maniqueísta e gostaria que me explicasse. Admito que a minha inteligência é limitada e, por isso, peço-lhe que me explique de novo porque é que a distribuição de seringas impede a fiscalização e repressão da entrada de droga nas cadeias, assim como a obrigatoriedade do uso do cinto de segurança não é impeditivo da fiscalização do cumprimento das regras de trânsito.
Outro ponto que queria ver esclarecido é se não considera positivo que um detido. após a libertação, não seja portador de uma doença contagiosa afastando a possibilidade de contagiar a Marina ou alguém que lhe seja querido.
questões demasidado humanas, pêndulo, não estão nos livros...ehehehheheheh...


*sorry, Cristina. não resisti. (a)
Anónimo disse…
A corte habitual, apenas verá o Rei. Um outsider poderá distinguir que ele vai nu. É dos livros, mas é também a natureza humana.
Deixo-vos uma nota para discutirem entre vós, à volta do chá: as conversas em circuito fechado, sempre em tom de elogio mútuo, não se tornam muito monótonas?
Anónimo disse…
A corte habitual, apenas verá o Rei. Um outsider poderá distinguir que ele vai nu. É dos livros, mas é também a natureza humana.
Deixo-vos uma nota para discutirem entre vós, à volta do chá: as conversas em circuito fechado, sempre em tom de elogio mútuo, não se tornam muito monótonas?
Anónimo disse…
A corte habitual, apenas verá o Rei. Um outsider poderá distinguir que ele vai nu. É dos livros, mas é também a natureza humana.
Deixo-vos uma nota para discutirem entre vós, à volta do chá: as conversas em circuito fechado, sempre em tom de elogio mútuo, não se tornam muito monótonas?
Anónimo disse…
A corte habitual, apenas verá o Rei. Um outsider poderá distinguir que ele vai nu. É dos livros, mas é também a natureza humana.
Deixo-vos uma nota para discutirem entre vós, à volta do chá: as conversas em circuito fechado, sempre em tom de elogio mútuo, não se tornam muito monótonas?
Alien8 disse…
Ena! Há aqui quatro pessoas quatro que defendem a troca de seringas. A outra hipótese é não defender a troca de seringas. Mas defender a primeira hipótese é grave, gravíssimo, e porquê?
Ora, porque se concorda com a autora do post, caíndo-se assim na habitual... como direi? "Posição oficiosa do grupo de amigos do blog"? "Conversas em circuito fechado"?
Sr. Anónimo de serviço, o seu problema deve ser a leitura que faz e não faz deste blog. É evidente que não o lê com atenção, ou já teria percebido (digo eu) que os "comentadores habituais" têm com frequência posições divergentes. (Vai rir-se e pensar e talvez dizer que não têm, e eu convido-o a reler o blog todo, para sua informação e castigo). O Sr. Anónimo de serviço faz uma leitura que nem sequer é oblíqua; será mais uma leitura com o radar apontado para a detecção de coisas para as quais não vai querer ter pachorra, e vai fazer questão de o dizer. Só vê isso. É uma mania que tem, e pronto. Gosta de chatear. É um chato. Talvez um bocado para o masoquista, ou não se daria ao trabalho de sequer visitar um blog destes, com posição oficial, corte e tudo. É um censor, porque censura as pessoas por emitirem a sua opinião. E nem sequer opina sobre a matéria dos posts. Ora diga lá, é a favor ou contra a troca de seringas? E porquê? Caso não tenha percebido, as perguntas são retóricas. A favor / Contra. Duas hipóteses. Apenas duas. Percebeu? Não me apetece dar-lhe corda. Nem sequer lhe estou a responder. Estou antes a denunciar o ridículo da sua acusação e a necedade das suas jactâncias.
O pior é que pensa que tem piada. Não tem. Não há chatos com piada. Não há estrelas no céu. "Não há pachorra" para si. Passar bem!
Anónimo disse…
Alien vê-se ao espelho e acha-se inteligente, espirituoso, culto e sensato.
Alien acha que daria um bom guardião de qualquer templo.
Ou um bom censor, em democracia, claro.
Alien tem estas pequenas e médias ideias de si próprio.
Façam-lhe bom proveito.
Alien8 disse…
Sr. Anónimo,
Pffffffft!
Anónimo disse…
Sr. Alien,

Você faz parte daqueles burros que têm a mania que são cavalos.
É o melhor da sua rua, já sabemos.
O problema é que a sua rua é muito estreita.
Alien8 disse…
Estalou o verniz ao homem.
Ó ai, ó lariloléla!

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