De regresso a casa, manhã cedo, havia uma calma própria de todas as manhãs de Domingo. Aqui e ali, algumas pessoas caminhavam em direcção à igreja, ritual que por aqui parece ainda não ter desaparecido da comunidade católica. Sempre me questionei em relação à fé e à suposta obrigatoriedade que a maioria das religiões impõem aos seus fiéis, ou pelo menos tentam, de partilhar um espaço de culto. Não pelo espaço ou pela necessidade de o fazer em conjunto, mas pelo culto de algo que lhes é estranho. Estranho, no sentido de externo a si próprios. Ou seja, sempre me pareceu estranho que as diversas religiões condicionem o comportamento de cada um segundo leis que ao contrário de apostarem no desenvolvimento espiritual e nas capacidades intelectuais de cada um, acabem por ser uma forma de alienação limitando esse enorme potencial de cada ser humano à orientação de forças superiores a si próprio. Admito, se me disserem que é puro desconhecimento, mas, a verdade é que os exemplos que nos rodeiam não são exactamente bons indicadores do contrário. Bom, mas tudo isto para dizer que, nesse sentido, sempre me fascinou o Budismo, a natureza não dogmática da religião, a sua racionalidade e a oportunidade de orientação espiritual. Não se encaixa em nenhum dos padrões de outras religiões: concentra-se no desenvolvimento espiritual de cada pessoa e num entendimento profundo da verdadeira natureza da vida. Buda, significa esclarecido, iluminado, aquele que despertou. Não tem um credo único, nenhuma autoridade única, nenhum livro sagrado e concentra-se em cada indivíduo à procura de esclarecimento. Dizem os budistas que Buda é alguém que acorda para o conhecimento do mundo como ele realmente é e encontra libertação do sofrimento. Que para se chegar a esse ponto é preciso desenvolver a moral, a meditação e a sabedoria, ensinar simpatia e compaixão com relação ao sofrimento dos outros, para o benefício e bem-estar de todos, que pode coexistir com outros credos não sendo uma religião missionária à procura de convertidos, mas aqueles que querem converter-se são bem recebidos...parece-me um bom princípio, a ter que adoptar algum.
Não, não vou converter-me ao Budismo, só me lembrei disto agora, por ser Domingo e estar na rua ás 8 e tal da manhã.

Comentários

wind disse…
Bom dia:)
Mal comecei a ler pensei no Budismo e sorri quando escreveste sobre ele.
Penso como tu
Ando há uma data de tempo para aprofundar conhecimentos sobre o tema, tenho é preguiça, mas qualquer dia faço-o:)
beijos
Manel disse…
Concordo contigo, porque até jáqueimei várias etapas que levaram a este momento de poder afirmar que ninguém me pode acusar de seguir a falsa religião! Não temho religião alguma.
Depois, minha amiga, será que o budismo é religião?
zab disse…
Olá Cristina!

Que belo resumo do budismo: uma procura, que se encontra com algum esforço, de paz de espírito.

Bom fim de tarde de domingo! :)
Duca disse…
"... o Budismo, a natureza não dogmática da religião, a sua racionalidade e a oportunidade de orientação espiritual. Não se encaixa em nenhum dos padrões de outras religiões..."

É que o Budismo, Cristina, não é uma religião e sim uma filosofia.

Boa semana!
Anónimo disse…
Oi Cristina,

Parece que temos mais em comum que o mês e ano de nascimento... de fato, além da simpatia ao pensamenteo de Buda, tenho pesquisado um pouco sobre o aspecto filosófico e prático da física quântica. Acho interessante como filosofias e religiões dão voltas e acabam por dizer as mesmas coisas em outras palavras. Se te interessar assista a "What The Bleep do we Know?". No Brasil foi lançado com o título "Quem somos nós?".
São 19:47h aqui, agora, então bom fim de domingo.

Bj
Luiz
Alien8 disse…
Creio que é mesmo uma religião, segundo os próprios líderes espiriituais e praticantes. Mas é, sem dúvida, uma religião diferente, com características originais, e contém uma filosofia de vida muito sui generis. Algo a aprofundar, na esteira do teu excelente texto.
Cristina disse…
wind

também eu, acho fazcinante, mas nunca tive coragem de me meter no assunto a serio..

beijocas
Cristina disse…
manel

também não tenho religião nem tive formação alguma nesse sentido.

costuma ser referido como tal, os proprios parece que tambem o consideram..não sei..

beijinho
Cristina disse…
zab


olá, que prazer tê-la cá outra vez:)))))

uma procura de um estado de tranquilidade, de realização e de equilibrio. muito interessante..

um beijinho
Cristina disse…
Duca

pode ver-se como tal, de facto. uma filosofia de vida...

mas então porque é considerado uma religião?

bj
Cristina disse…
oi

Luiz!

eu, de facto, sei muito pouco sobre o assunto... gostaria de saber mais.

vou tentar começar a pesquizar algumas coisas.

beijinhos
Cristina disse…
Alien

é uma questão curiosa..é ou não uma religião?
não ha uma crença em forças sobrenaturais, não há uma reverência ao sagrado, ou um culto a uma divindade...

mas há uma doutrina, uma ordem...

olha, fiquei baralhada...looooool.

beijinhos
Duca disse…
Cristina,

Vou tentar responder à tua pergunta. Na verdade, é também considerada uma religião porque a palavra vem do termo latino "relicare" que significa "voltar a ligar". No fundo, qualquer forma de se tentar chegar à nossa essência "divina" ou "espiritual" é uma forma de relicare e, portanto, uma religião. Por vezes, confunde-se religião com igreja, mas estes conceitos são completamento diversos um do outro. A igreja será o lado externo e organizado de uma forma de relicare ou religião. Quero com isto dizer que, na minha opinião, qualquer religião, desde que praticada no sentido do bem é certa, o problema são as igrejas e quem as conduz.
No entanto, o Budismo é na verdadeira acepção da palavra mais do que uma religião, é uma postura, uma atitute, uma forma de estar na vida que o situa muito para além do tal "relicare", ou seja, num patamar que tem mais a ver com o conceito de filosofia de vida.
Desculpa o lençol.

Beijo
Cristina disse…
duca

muito obrigada! realmente, ultrapassa a perspectiva redutora de religião...

e deve ser fascinante. mas que deve dar uma volta imensa na vida de uma pessoa, deve..;)

beijinho

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