Lamento




chegar a esta conclusão, mas o facto é que já tentei ler várias crónicas de JPCoutinho, e valha-nos Deus! O homem diz disparate atrás de disparate, enfim, exigências da democracia provavelmente: tem que haver de tudo. No Expresso de hoje escreve:

Admitir a troca de seringas é admitir que o tráfico existe nas prisões. Admitir que o tráfico existe nas prisões é admitir que ele continua impune. E admitir que ele continua impune é admitir que a corrupção abunda no sistema. O exacto sistema que, até prova em contrário, o dr. Alberto Costa alegadamente pastoreia. Isto, que é obviamente tudo, devia chegar e sobrar para que o sr. ministro da Justiça não viesse publicamente reconhecer a putrefacção da casa e a sua absoluta incapacidade para a resolver. Pelo contrário: o cenário seria um estímulo para que o Governo estancasse o tráfico, reabilitasse os reclusos e combatesse a corrupção.

Portanto, a coisa é simples: Para este senhor é grave que se assuma que há tráfico e consumo. Portanto, é preciso não admitir!, o que é sempre uma ajuda valiosa para a resolução de qualquer problema....e depois? como é que se combate um problema que não se admite que existe? Percebi, admite-se mas não se fala nisso. Realmente, neste como noutros assuntos, há pessoas que não conseguem -nem sei se tentam- ultrapassar a barreira do desejável, do ideal, para a realidade, para tentar perceber melhor quais são os problemas efectivos, qual é a realidade em que vivemos e como se podem minorar as consequências na impossibilidade imediata de as solucionar. É por isso que uns "ensinam" e outros fazem.
O consumo de drogas existe em larga escala nas prisões. A transmissão de doenças infecciosas é a consequência directa deste facto devido à partilha de seringas e outras práticas que não vêm agora ao caso. O que é que se faz? Segundo JPCoutinho, estanca-se o tráfico, reabilita-se os reclusos e combate-se a corrupção. Notável! Epá, eu confesso a minha inveja de cérebros brilhantes como este; como é que ninguém se lembrou disto até agora? Fonix! JPCoutinho a ministro já! E no dia seguinte não se esqueça de declarar o fim do tráfico, da corrupção e a reabilitação de todos os drogados. Dentro das prisões e, já agora, fora delas. Tá feito.

Comentários

wind disse…
Escreveste tudo e bem!
Posso assinar por baixo?:)
beijos
celso serra disse…
A ministro? A "Rei" do reino dos iluminados!Quanto à posição de marina santos gostaria de saber se deixar aumentar o número de infectados( hepatite b, sida, etc)resultante da troca de seringas infectadas nas prisões não merece uma abordagem realista e não cruzar os braços? A "cura" passa pela identificação do problema(diagnóstico).A implementação dos procedimentos clínicos são, por vezes, "step by step" até ao objectivo final.Até atingir o objectivo tenta-se manter o doente nas melhores e mais dignificantes formas de existência. Ou a ideia é abandonar os casos incomodativos?Ou por decreto como diz o post acabar com eles?
Pêndulo disse…
Se um preso não conduz, não bate na mulher, não rouba para comprar droga e não tem vontade de abandonar o consumo porque não pode ser o Estado a vender-lhe o produto ? Retirava a sua parte e vendia. Tal como faz com o Imposto sobre as bebidas alcoólicas como a que vou beber daqui a pouco ao jantar. E até posso beber uma garrafa ou duas ou três e a seguir conduzir e atropelar um polícia por estar bêbado.
Cristina disse…
wind

podes. lol

beijos
Cristina disse…
marina

respondo-lhe acima.

:)
Cristina disse…
celeman


nem mais, beijinhos
Cristina disse…
P

essa é outra grande questão. mas imagina as reacções....lol

bj
PA disse…
ó cristina eu não deixe de dar alguma razão a este senhor:

- Estanque-se o tráfico !!
Muito bem, Sim Senhor.
E como ?

Simples !!!!
Controlar mais do que os reclusos, todos os funcionários prisionais, porque é a partir deles, provavelmente, em maioria, os guardas prisionais que promovem este tráfico e outros.

Na reclusão tudo é tráfico.
Até uma escova de dentes quanto mais ... "um pacote" !!


Circula muito dinheiro nas prisões......
Cristina disse…
Diana

é muito dificil ultrapassar isso, mas façamos de conta que é possível...entretanto, deixa-se os drogados continuar a propagar SIDA uns aos outros?

huum?
Alien8 disse…
O problema mais grave é o que a Cristina aborda: a propagação da SIDA (nas prisões e, depois, fora delas). É este problema que se pretende combater através da troca de seringas. As frases de JP Coutinho citadas no post parecem-me falaciosas. Admitir que o tráfico existe nas prisões? Porquê admitir? É um facto que existe. Aceitaro facto seria, será, coisa bem diferente. Propor a troca de seringas corresponderá a aceitar o facto e a evidente corrupção que lhe subjaz? A não tentar combatê-lo? Não me parece. Mas não deixo de esperar por medidas que efectivamente o combatam.
PA disse…
Cristina,

Lacuna minha, de facto !!!

É que não disse se estava contra, a favor, ou assim assim...

De facto sou a favor.
É uma questão muito idêntica à da IVG.

"Deixemos" (não nós, ... mas quem não pensa assim e tem poder de decisão)a atitude de hipocrisia !!!

Há que enfrentar a realidade .. "mai" nada !

Tal qual, .... como a realidade das seringas espalhadas nos pavimentos da via pública, e os respectivos "espectáculos" associados de seringa "na veia".

Contudo, não deixa de ser "irónico" o facto de, ... até há pouco, o consumo de drogas ser passível de pena de prisão, e ... verificarmos que nas prisões, nesse tempo, e ainda hoje, consomem tanto, como em plena liberdade.

Seria para rir, se não fôsse trágico.

Já alguém julgou o Estado por não ser suficientemente competente, ao permitir que circule droga dentro das prisões ? São pagos e bem pagos, para que tal não aconteça. E acontece.


É uma falência do sistema ? É.

Só temos que o assumir.

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