No Expresso, MST, depois do é boa pessoa mas, segue assim:
É, pois, por outras razões que, fechando os olhos e transplantando-me para o futuro, não consigo visionar Marques Mendes em S. Bento - seja em 2009 seja antes ou depois disso. Umas são razões estruturais, outras são razões conjunturais.
Quanto às estruturais, o principal é que Marques Mendes passa uma imagem de político do passado, habitante eterno do ‘sistema’. Nem a voz nem a pose o ajudam - e sabemos como hoje esses detalhes de «marketing» podem fazer a diferença. Não tem nem a pose de ‘estadista’ de Durão Barroso - que consegue dar um ar de profunda sabedoria e reflexão às maiores banalidades que diga - nem tem o dom de tribuno e de incendiário de plateias que tem Santana Lopes - que consegue dizer as maiores banalidades sobre os assuntos mais sérios, num tom de ‘grito de alma’ que faz as delícias das televisões e do ‘povo’ PSD. Nele, e demasiadas vezes, a liderança natural confunde-se com a pose em bicos de pés, a espontaneidade com os «soudbytes» ensaiados ao espelho, a inteligência com a esperteza, e o discurso político articulado com o discurso politiqueiro, a que não consegue resistir.
Quanto às razões conjunturais que militam contras as legítimas esperanças políticas do presidente do PSD, elas resumem-se essencialmente a um nome: Sócrates. Marques Mendes teve o azar de, sobre os escombros em que a dupla Barroso-Santana deixou o PSD, ter ainda apanhado pela frente com aquele que tem sido, até ver, o melhor primeiro-ministro que o PS já apresentou ao país. Sendo da mesma idade, é impressionante como, ao pé de Sócrates, Marques Mendes consegue dar a ideia de que é um político de outra geração - uma geração, hoje, claramente ultrapassada. Isto é visível em muitas coisas, mas sobretudo naqueles sucessivos massacres parlamentares a que Sócrates sujeita um desamparado Marques Mendes, e que a mim me faz lembrar aqueles forcados que, depois de três ou quatro colhidas, já citam o touro com um olho nele e outro na enfermaria.
A sensação de impotência e de desânimo deve ser tão grande que nem Marques Mendes (nem ninguém mais no PSD) parece saber muito bem o que fazer, como fazer e quando fazer. E vivem, os outros, em sibilinas críticas ao líder, ou porque não berrou quando devia ter berrado ou porque berrou quando devia ter ficado calado. Bastou a ameaça de Santana Lopes de se chegar à frente para atacar a revisão da política das Scut por parte do Governo (feita, todavia, no sentido daquilo que o PSD sempre defendeu...), para que Marques Mendes tenha saído, em pânico, a espadeirar em todas as direcções. E deu-se este absurdo: resolveu atacar Sócrates naquilo que mais faz a sua popularidade - a crença de que finalmente alguma coisa está a mudar, algumas reformas estão a ser ensaiadas, alguns interesses instalados estão a ser desinquietados. E foi ver, então, o presidente do PSD solidário com os professores que não querem ser avaliados, com os funcionários públicos que não querem a reforma da administração pública, com os autarcas que não querem que lhes imponham limites ao endividamento ou com o dr. Jardim, que quer continuar a gastar à tripa-forra sem dar satisfações a ninguém. E, enquanto para aí anda a opor-se a tudo isto, critica o Governo por não conseguir reduzir mais o défice! O que pensará o país deste candidato a primeiro-ministro? É fácil: os que ele defende e que não querem que nada mude, não acreditam na sinceridade do seu apoio; e os outros, os que defendem as reformas, não acreditam na sua credibilidade.
Se, de facto, a sua estratégia de oposição é cavalgar a onda dos descontentamentos sectoriais, por que não escolhe temas que, além de reunirem muito maior consenso, são de muito maior justiça: por que não massacra o projecto da Ota, a quebra das isenções fiscais para deficientes ou proprietários de património classificado, as taxas moderadoras para operações e internamentos hospitalares, a batota de transformar o projecto agrícola de Alqueva em mais um maná para a especulação imobiliária, a absoluta ausência de política ambiental no país, a subida da taxa do IRS para 42%, destinada a castigar sobretudo os rendimentos do trabalho, as disparatadas actualizações do IMI de cada vez que um imóvel muda de mãos, as eternas manobras subterrâneas com as privatizações do sector público e nas empresas públicas, a privatização da TAP, por exemplo, que não se percebe que vantagem possa trazer ao país ou aos seus utentes, etc., etc?
Pois é, com oposições assim, não admira que Sócrates some e siga...
É, pois, por outras razões que, fechando os olhos e transplantando-me para o futuro, não consigo visionar Marques Mendes em S. Bento - seja em 2009 seja antes ou depois disso. Umas são razões estruturais, outras são razões conjunturais.
Quanto às estruturais, o principal é que Marques Mendes passa uma imagem de político do passado, habitante eterno do ‘sistema’. Nem a voz nem a pose o ajudam - e sabemos como hoje esses detalhes de «marketing» podem fazer a diferença. Não tem nem a pose de ‘estadista’ de Durão Barroso - que consegue dar um ar de profunda sabedoria e reflexão às maiores banalidades que diga - nem tem o dom de tribuno e de incendiário de plateias que tem Santana Lopes - que consegue dizer as maiores banalidades sobre os assuntos mais sérios, num tom de ‘grito de alma’ que faz as delícias das televisões e do ‘povo’ PSD. Nele, e demasiadas vezes, a liderança natural confunde-se com a pose em bicos de pés, a espontaneidade com os «soudbytes» ensaiados ao espelho, a inteligência com a esperteza, e o discurso político articulado com o discurso politiqueiro, a que não consegue resistir.
Quanto às razões conjunturais que militam contras as legítimas esperanças políticas do presidente do PSD, elas resumem-se essencialmente a um nome: Sócrates. Marques Mendes teve o azar de, sobre os escombros em que a dupla Barroso-Santana deixou o PSD, ter ainda apanhado pela frente com aquele que tem sido, até ver, o melhor primeiro-ministro que o PS já apresentou ao país. Sendo da mesma idade, é impressionante como, ao pé de Sócrates, Marques Mendes consegue dar a ideia de que é um político de outra geração - uma geração, hoje, claramente ultrapassada. Isto é visível em muitas coisas, mas sobretudo naqueles sucessivos massacres parlamentares a que Sócrates sujeita um desamparado Marques Mendes, e que a mim me faz lembrar aqueles forcados que, depois de três ou quatro colhidas, já citam o touro com um olho nele e outro na enfermaria.
A sensação de impotência e de desânimo deve ser tão grande que nem Marques Mendes (nem ninguém mais no PSD) parece saber muito bem o que fazer, como fazer e quando fazer. E vivem, os outros, em sibilinas críticas ao líder, ou porque não berrou quando devia ter berrado ou porque berrou quando devia ter ficado calado. Bastou a ameaça de Santana Lopes de se chegar à frente para atacar a revisão da política das Scut por parte do Governo (feita, todavia, no sentido daquilo que o PSD sempre defendeu...), para que Marques Mendes tenha saído, em pânico, a espadeirar em todas as direcções. E deu-se este absurdo: resolveu atacar Sócrates naquilo que mais faz a sua popularidade - a crença de que finalmente alguma coisa está a mudar, algumas reformas estão a ser ensaiadas, alguns interesses instalados estão a ser desinquietados. E foi ver, então, o presidente do PSD solidário com os professores que não querem ser avaliados, com os funcionários públicos que não querem a reforma da administração pública, com os autarcas que não querem que lhes imponham limites ao endividamento ou com o dr. Jardim, que quer continuar a gastar à tripa-forra sem dar satisfações a ninguém. E, enquanto para aí anda a opor-se a tudo isto, critica o Governo por não conseguir reduzir mais o défice! O que pensará o país deste candidato a primeiro-ministro? É fácil: os que ele defende e que não querem que nada mude, não acreditam na sinceridade do seu apoio; e os outros, os que defendem as reformas, não acreditam na sua credibilidade.
Se, de facto, a sua estratégia de oposição é cavalgar a onda dos descontentamentos sectoriais, por que não escolhe temas que, além de reunirem muito maior consenso, são de muito maior justiça: por que não massacra o projecto da Ota, a quebra das isenções fiscais para deficientes ou proprietários de património classificado, as taxas moderadoras para operações e internamentos hospitalares, a batota de transformar o projecto agrícola de Alqueva em mais um maná para a especulação imobiliária, a absoluta ausência de política ambiental no país, a subida da taxa do IRS para 42%, destinada a castigar sobretudo os rendimentos do trabalho, as disparatadas actualizações do IMI de cada vez que um imóvel muda de mãos, as eternas manobras subterrâneas com as privatizações do sector público e nas empresas públicas, a privatização da TAP, por exemplo, que não se percebe que vantagem possa trazer ao país ou aos seus utentes, etc., etc?
Pois é, com oposições assim, não admira que Sócrates some e siga...


Comentários
Em termos monetários toda a gente se queixa, a Educação que é o que me diz respeito é o que é com a sra. Ministra para não lhe chamar outro nome, os aumentos 1,5%? Reformas aos 65 anos? Excedentes?
Ora gaita, a oposição de facto não é boa, mas não venha o MST dizer que este 1º ministro é bom!
beijos
de entre os primeiros ministros do PS....quem melhor? sabes que eu gosto da mqneira de trabalhar dele? não concordo com algumas medidas, mas gosto de pessoas assim, que cortam a direito. depois cá estaremos para julgar, nas proximas eleições.
beijos
ah, pois é..quem mais?
por aqui ha sempre esperança. :)