Os desgostos de amor estragam a alma[Expresso]

(...)Os desgostos de amor estragam a alma. É preciso ter muito medo deles. Respeito. Cuidadinho. Tratar o amor nas palminhas. Mesmo antes de chegar a pessoa que se vai amar. É que os corações partidos ficam partidos. Deixam de poder amar. E, em vez de amar, tornam-se músculos leves e cínicos, trocistas e elegantes. Pode até ser muito giro ser assim. Mas está para o amor como o gosto duma pedra de sal está para o mar.
E às vezes ainda é mais triste: é o próprio gosto pelo amor, como quem gosta de um prazer qualquer, que mata o amor - a possibilidade de amar - logo à nascença. Será este o único desgosto, por muito caladinho que seja, tão grande como um desgosto de amor.

Mentira, mentira, mentira!
A capacidade de amar do ser humano é inesgotável. Não perdemos essa capacidade, diria mesmo que mantemos a fé, mas mais exigente. Tão exigente quanto castradora. Tão exigente que toca o domínio do irreal . Cristalizamo-la, tornamo-la inviolável.
Tornamo-nos terrivelmente medrosos; não só porque nos consideramos incapazes de voltar à consumição inerente a qualquer amor que se preze, como temos melhor consciência da inevitabilidade de um fim. Por e simplesmente "não estamos pra isso"! Preguiça, comodismo, cobardia, medo e mais medo. "Não sei se vou querer voltar a amar!, já sofri muito...", é isto que nos estraga a alma!
Pois voltem a sofrer, que diabo! Voltem a descabelar-se, voltem a chorar baba e ranho se não der certo, voltem a errar, que quem não erra não vive! Qual alma estragada qual quê!

Comentários

Anónimo disse…
Belissimo comentário.

JMC
wind disse…
Tens toda a razão racionalmente, mas eu concordo com ele:)
beijos
Que lindo texto.
Hoje tive um momento de amor e de dor.
Comprei O Sol e enquanto almoçava estava a ler aqui e ali (um salutar vício de que gosto imenso) e então dei com um pequeno apontamento onde se falava no restaurante Tia Alice ali para os lados do Rego.
E lembrei-me, o meu Pai partiu há quase um ano e agora nunca, nunca mais vou poder ir lá com ele.
Apeteceu-me chorar.
nunca estive tão de acordo contigo!
zab disse…
cristina: que bonito!

fado: é, mas as memórias estão vivas, e o coração mesmo partido de dor e de saudade, continua a amar! ...e chorar, lava a alma! :)
Anónimo disse…
Mainada!!
Beijos
Cristina disse…
jmc

obrigada, um beijinho:))
Cristina disse…
wind

o potencial está lá todinho! é uma questão de coragem:))
beijinhos
Cristina disse…
Fado

ou seria a Adega da Tia Matilde?? esse é que é na rua da benificência. lembro-me bem dele, estive no Curry muitos anos...

lembra-te dos bons momentos que lá passaste, é a única maneira..

beijinhos
Cristina disse…
Rosalina

ahhh, que bom! :)))

beijocas, bom fim de semana
Cristina disse…
zab

obrigada, um beijinho:))
Anónimo disse…
Concordo consigo.
Também somos o reflexo das pessoas que passam na nossa vida e como tal a aprendizagem é contínua, onde por vezes o medo e a apreguiça tomam conta de nós...para depois nos reinventarmos e isto porque os afectos e sentimentos são inesgotáveis!
Claro que é essa, obrigado miúda.
Já não estive para emendar e como ando desejoso de ir à Tia Alice em Fátima saiu assim.
Cristina disse…
dalloway
claro que são! o potencial está lá todo:)) é só ter coragem ;)

beijinhos
Anónimo disse…
O MEC está lúcido.Mas a Cristina ainda se vai lembrando das fadas e sonhos.
digoeu disse…
tens toda a razão!!
;)
se nada sentires, nada viverás!
Antes as lágrimas do que a secura de uma vida sem amores!
;)

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