um estudo curioso


apresentado no DN revela dados interessantes. E duas questões :

**Mais de um quarto das mulheres portuguesas que vivem em casal dependem exclusivamente dos rendimentos do marido ou companheiro. Em outro quarto, existe equilíbrio nos rendimentos auferidos pelos dois membros do casal. Na outra metade é variável. Ok, não me espanta, atendendo ao nivel de instrução, maioritariamente baixo. E como o estudo conclui, O nível de instrução é determinante para avaliar a dependência económica das mulheres, cujo grau mais elevado é encontrado quando o elemento feminino do casal tem apenas como habilitação o 4.º a 6.º ano de escolaridade. Ou seja, são as mulheres na faixa etária dos 45 aos 65 anos e com nível de instrução baixo que se encontram mais vulneráveis à dependência económica.
Facto de que empiricamente já tinhamos consciência, e que reafirma a necessidade da aposta na educação e da instrução. Linear.

A segunda questão, que sempre me levantou muitas dúvidas, tem a ver com o apoio à maternidade. Diz o estudo:

**A situação dos casais portugueses mais jovens com filhos pequenos é muito diferente daquela a que se assiste no resto da Europa. Aí as mulheres não trabalham ou fazem-no em part-time. Em Portugal, elas continuam a contribuir para o sustento da casa.
**Se, por exemplo, nos países nórdicos, uma grande parte das mulheres jovens, tendo filhos, sai total ou parcialmente do mercado de trabalho, em Portugal, explica a investigadora, "não só não saem como muitas ingressam mesmo nessa altura".Uma situação que terá a ver com as políticas de apoio à maternidade seguidas nesses países, assim como a exigência parental face aos infantários e ATL onde podem deixar os filhos. "Portugal dispõe de uma rede significativa de apoio às crianças, mas, em alguns casos, o acolhimento providenciado seria considerado inaceitável noutros países europeus." Portanto, em alguns casos, a opção é entre ter filhos ou manter a carreira e o emprego. "Em Espanha e Itália, as taxas de fecundidade são baixíssimas porque as mulheres optam por não serem mães", afirma.

Sempre de fez alguma confusão que em países onde o apoio à maternidade é exemplar, ou quase, as mulheres jovens estejam nessa fase, ou mesmo definitivamente,afastadas da vida profissional. Faz sentido? Na minha opinião, não. É claro que a mulher pode, se o desejar e puder (por consenso familiar), deixar de trabalhar. Mas deverá o Estado dar-lhe condições para isso? Porquê? Quanto a mim, o que o Estado tem obrigação de fazer, é dar-lhe todo o apoio necessário para que possa manter a sua vida activa, apostar numa carreira, e não ajudá-la tornar-se "dona de casa", não me parece que esta seja uma aposta na valorização da mulher nem que seja um benefício extraordinário para a criança, antes pelo contrário.

Outra realidade bem diferente, é o que acontece em Portugal, onde nem uma coisa nem outra. Não havendo "consenso familiar" possivel, é imperioso entrar no mercado de trabalho, numa luta duplamente difícil pela deficiência, ou mesmo inexistência, do famoso "apoio à maternidade". Elas têm filhos, elas prescindem da formação, elas sujeitam-se a trabalhos indiferenciados e mal pagos, elas conseguem criar os filhos com abonos de família que não chegam pró leite quanto mais para os infantários se os houver, elas cuidam da casa....de facto, só com grande dose de coragem.

Penso que a solução para o estímulo à maternidade não passa pelo afastamento da mulher da vida profissional, não me parece que tenha até agora ajudado ao crescimento demográfico nos países que o praticam até porque as empresas acabam por se retrair na contratação de mulheres que ainda não têm filhos (como me confidenciou há tempos uma amiga alemã), além de ser uma quebra significativa na carreira. A solução, penso, estará num esforço sério do Estado no sentido de permitir às mulheres terem filhos com a certeza de que os poderão criar sem dramas económicos, com apoio efectivo de uma rede infantários e escolas, que lhes permita ao mesmo tempo a disponibilidade fisica e psicológica para se realizarem profissionalmente e participar na vida activa do País. Esse seria o verdadeiro apoio à maternidade.Digo eu..

Comentários

Mocho Falante disse…
Na verdade nunca tinha pensado no tema sobre este prisma e acho que tens razão sabes??

Beijocas doces
Anónimo disse…
Viva Cristina
Depois de uma semana dantesca, é refrescante visitar-te.
E logo na melhor altura.
Porque de facto, as questões que levantas são pertinentes e reais.
Porque se haveria de retirar a contribuição para o desenvolvimento do país, a realização pessoal e profissional da mulher, quando há outras formas de apoiar a maternidade e a natalidade?
Menos juros nos empréstimos a habitação. Menos impostos nos bens essenciais. Mais apoios na rede escolar e pré-escolar (escolas e infantários, livros, actividades extra-escolares, etc.).
Uma boa semana para ti
e espero que agora não fique tanto tempo em stand by.
beijos
Anónimo disse…
As condições em que as mulheres portuguesas criam e educam os filhos é, sem exagero, para muitas, uma tarefa heroica. Pondo de parte as previligiadas, as excepções, se estes estudos estivessem, realmente, bem feitos, ver-se-ia a par de salários 20% mais baixos do que os homens, uma maior carga horária, quando não assumem exclusivamente, nos tarefas domésticas, num país em que as redes públicas de creches e infantários são produto raro, onde os abonos não chegam para mandar cantar um cego, etc., etc.,...

Mas, ou o estudo é mau ou o artigo é confuso. Para o exemplo dos países nórdicos, há defacto muitas mulheres a trabalhar em horário reduzido ou que param para criar os filhos mas, a percentagem de homens que também o faz é quase idêntica.

Este ano, em França, registou-se a mais forte taxa demográfica da Europa, quando as francesas são das europeias que mais trabalham sem, praticamente, parar educar os filhos, mas, têm um excelente sistema público de creches e infantários, abonos consequentes e vantagens fiscais, em suma, uma verdadeira política de apoio à família e a par duma lei de despenalização da IVG desde há 30 anos.
Cristina disse…
mocho

sei....:)))))))beijocas amiguito penugento!
Cristina disse…
Migas

também espero, já tinha saudades tuas...:))

pois é..nunca entendi muito bem esse tipo de apoio. eu, pelo menos, não gosteria que me proporcionassem 2 ou 3 anos em casa, acho ridiculo. ficaria muito mais feliz se me dessem a oportunidade de criar os filhos tranquilamente sem necessitar de me afastar da vida profissional com medidas como as que apontas, porque a disponibilidade mental e mesmo fisica, conta muito, como sabes. pude fazê-lo, mas à minha custa (economicamente falando).agora, a maioria,acaba por sacrificar a vida académica, a prograssão na carreira e muitas vezes o proprio emprego, porque as ajudas são "teóricas". na prática...

beijinhos, vê se não desapareces rapaz!
Cristina disse…
e-Konoklasta

ainda bem que trouxeste esse exemplo francês. é a isso que eu chamo valorização da mulher e aposta a serio na familia e na natalidade. quais anos de licença de parto, qual quê...as crianças não precisam disso e as mulheres também não. a não ser que esse seja o seu objectivo de vida, claro! o que eu duvido....uma mulher realizada, é meio caminho andado para uma família feliz.

beijinhos
Kaos disse…
Tenho dois filhos ainda pequenos e essa questão já se colocou. Eu trabalho e felizmente o que ganho ainda vai dando para as despesas. A minha companheira estava desempregada e, perante os salários que lhe ofereciam havia duas opções. Ou ia trabalhar e tudo aquilo que ganhasse era para pagar os ATL's e os transportes ou ficava em casa e fazia um acompanhamento mais próximo com eles. Optamos pela segunda opção e penso que foi a mais correcta.
Conheço outros casos em que embora ambos trabalhassem resolveram que um deveria desistir para ficar em casa a acompanhar os filhos. Curiosamente, na maioria deles acabou por ser o homem a despedir-se por ganhar menos que a mulher.
bjs
Cristina disse…
Kaos

precisamente...mas custa ver uma pessoa abdicar de uma vida profissional que seria natural e gratificante por falta de mais apoio. imagina que a mulher faz muita questão nessa realização profissional?...depois espantam-se de as pessoas não terem filhos..

:) beijinhos
Anónimo disse…
Concordo com a sua opinião e indignação, como também concordo com os comentários aqui deixados.Por tudo isto fica aquela sensação e vivência de que o "cordão umbilical" leva mais tempo do que devia a ser cortado, deixandos assim os efeitos visiveis e concretos.
Anónimo disse…
Estou como tu.
Se me dessem a hipótese de ficar em casa durante dois anos recusava. Nunca quiz ficar em casa.

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