Claro como Água.Lisa.

Esta campanha para o referendo foi muito mais que uma campanha de partidos e dirigentes partidários. Os médicos, seguidos dos juristas, lideraram as condutas da formação da opinião. Claro que o tema, a escolha, proporcionava-o. Mas não deixa de ser interessante que elites profissionais, com forte peso tradicionalista e corporativo (*), num país que se diz cansado de política e políticos, ocupassem assim o palco político, porque foi de política que se tratou, da forma insistente e empenhada como o fizeram. E as forças motrizes que empurraram médicos e juristas para a ribalta, nos dois lados da trincheira, mais que os partidos e os políticos, foram o impulso do sentido cultural e cívico da laicidade num lado e a Igreja Católica no outro.
Este tomar de conta pela “sociedade civil” do debate político sobre o referendo, em que, essencialmente, a Igreja Católica mediu votos sobre a manutenção do seu domínio por obediência espiritual, tendo perdido o combate de forma claramente tangível, representa uma clara imposição de modernidade que, afinal, os partidos e os políticos, mesmo os de tradição republicana, nunca tinham tido capacidade de impor relativamente à continuidade vinda do salazarismo em que Portugal tinha sido encomendado, baptizado e comungado como “país católico”. Esta rotura significante, nomeadamente cultural, evidenciando uma opção laica de separação do político e do espiritual, já visível mas não consagrada, tem um alcance político de primeira grandeza. (continua no Água Lisa...)
Este tomar de conta pela “sociedade civil” do debate político sobre o referendo, em que, essencialmente, a Igreja Católica mediu votos sobre a manutenção do seu domínio por obediência espiritual, tendo perdido o combate de forma claramente tangível, representa uma clara imposição de modernidade que, afinal, os partidos e os políticos, mesmo os de tradição republicana, nunca tinham tido capacidade de impor relativamente à continuidade vinda do salazarismo em que Portugal tinha sido encomendado, baptizado e comungado como “país católico”. Esta rotura significante, nomeadamente cultural, evidenciando uma opção laica de separação do político e do espiritual, já visível mas não consagrada, tem um alcance político de primeira grandeza. (continua no Água Lisa...)


Comentários
mas pronto ganhou o SIM...até que enfim
beijocas
- Não sei ao certo, Doutor, mas só posso atribuir aos aplausos."
beijinho dalloway
Ao princípio, reconheço que tb o pensei, mas agora reformulo o meu pensamento: em termos absolutos tal não é verdade, a Igreja não perdeu poder, a Igreja tinha e tem menos poder do que muitos julgavam.
olha que não!! tinha e tem muito, mas esta é uma enorme machadada, felizmente.
beijinhos