

O CM revela um estudo curioso que vem de algum modo ao encontro (alguma vez havia de ser...) daquilo que foi a minha educação e consequente postura (às vezes até com olhares criticos dos amigos) como mãe. O pediatra espanhol Eduard Estivill, responsável pela Unidade de Alterações do Sono do Instituto Deuxeus e autor do livro ‘Método Estivill’, defende que o sono deve ter regras desde o berço, por isso os pais devem evitar mudar rotinas. Diz ainda que, embalar, contar histórias, dar a mão ou fazer festas no rosto do bebé são mimos que, apenas criam maus hábitos:“Um recém-nascido deve ser ensinado a dormir sozinho”, “os hábitos de sono” devem ser passados da mesma forma como se ensina a comer. A mãe coitada, na aflição de ver o filho chorar, dá a mão um dia, embala no outro e canta no seguinte – está a ensinar maus hábitos ao bebé”. Estivill entende que “é importante os bebés terem um espaço que seja o seu local de sono”:“deixemos o bebé no quarto, com a luz apagada, na cama e com o seu boneco, ainda desperto”. A luz acesa ou a mão dos pais está fora de questão. Eduard Estivill entende que “um bebé quando está na barriga da mãe não necessita de luz, que o embalem ou que lhe cantem”. E nunca se deve estabelecer diálogo com a criança, mas um curto monólogo.
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Claro que nesta altura em que as pessoas têm pouco tempo para dedicar aos filhos, a atenção e o carinho que lhes dedicam entra muitas vezes pela noite dentro. Mas não só. Penso que o excesso de proteccionismo, a tentativa de os poupar a qualquer contrariedade em coisas tão simples como o custar a adormecer, contribui para que os miúdos tenham cada vez mais dificuldade em ultrapassar e gerir as pequenas frustrações do quotidiano. Lembro-me como se fosse hoje das palavras da minha avó e das minhas tias que condenavam vivamente esse tipo de práticas "as crianças precisam de silêncio e de saber que quando estão no quarto a partir de determinada altura é para descansar, senão tornam-se hiperexcitados e não aprendem os seus limites. têm que saber quando é altura de exigir atenção e quando é que ninguém lha dará porque não é hora." Os bebés deviam ter o seu quarto e quando era para dormir não deixavam (os olhares diziam tudo) ninguém lá ir- pegar ao colo então, tirava-as do sério.... choram um bocadinho, tá bém, não faz mal, que se hão-de calar sozinhos até adormecer. Parece cruel, mas não. Era um grande ensinamento e evitou que muitos de nós se transformassem em pequenos ditadores... É nestas pequenas coisas que as crianças aprendem a autocontrolar-se e a gerir os afectos. Sempre fiz isso com as minhas filhas e nunca me lembro de alguma delas exigir companhia para dormir, ou histórias ou luzes acesas ou "mariquices" do género. Porque, por e simplesmente, nem tal coisa lhes passava pela cabeça, nunca viram fazê-lo. Hora e espaço de dormir, era para isso mesmo, nada mais. O resto fazía-se antes. Lembro-me até de um dia em que a Margarida(com 3 ou 4 anos) estava um pouco constipada e eu lhe perguntei se queria que me deitasse um pouco ao pé dela. Ela, com aquela carita patusca que tinha, respondeu: não. Um pouco desiludida, confesso, aceitei. Ela, com medo de me magoar, levantou a mãozita, fez uma festa e disse: olha mãe. este é o MEU quarto, EU é que fico aqui. e TU vais prá tua caminha está bem? está? Ok.... dorme bem.


Comentários
_______________um post excelente!
(de mãe para mãe)
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beijo querida Cris.
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mas o mais novo, esteve hospitalizado com 5 anos e depois disso até aos oito só dormia com a luz do corredor acesa e achei que não vinha mal ao mundo por isso.
Julgo que há regras gerais que devem ser cumpridas, mas que também pode haver excepções. Há crianças com imensos pesadelos e que têm medos nocturnos.
pouco mais há a dizer...
Um excelente post!
Como diz Francis e bem, pouco mais há a dizer...
100% e foi assim que o meu filhote cresceu e hoje com nove anos quando precisa de mimos acorda de manhã e diz: -mãeeeeee....dás-me miminho na tua cama? lolll
amo quando ele o pede.....mas digo logo:-----sim porque hoje é fds...
enfim...tenho de ser mãe e só depois amiga....
gostei muito do post
claro que há excepções...as regras não são cegas..:))
mas como regra, sempre me fez confusão os miudos educados cheios de "manias". não penso que lhes faça bem nenhum, habituam-se a que haja sempre alguem ao lado para resolver as suas pequenas frustrações, e não é assim que as ultrapassam..:/
beijinhos
olá querida, bem vinda:)) obrigada, um beijo grande.
dalloway
ha sempre algo a dizer...:))
por exemplo, um beijinho pra vocês;)
obrigada, pois é, primeiro que tudo, aprender a respeitar a intimidade uns dos outros...acho que se perdeu um pouco a noção de que isso é importante..
um beijo
Este é um assunto que estaria horas infindas a falar e discutir, mas a nivel escrito não tenho a facilidade nem o dom da Cristina.
Eu não sou adepta deste estudo e existem coisas aqui que precisam de ser melhor avaliadas por parte do próprio investigador (digo eu!)
Sou mais adepta do estudo (mais antigo) de John Bowlby e refiro-me especialmente ao 'Attachement'.
Prefiro Bowlby como ponto de partida para depois avançar para outro tipo de diversidades que representa o mundo do recém-nascido e respectivo desenvolvimento afectivo e cognitivo.
Todas as coisas apontadas por este estudo espanhol podem ser alcançadas de outra forma.
Até hoje não penso que a atenção, carinho e momices sejam sinónimo de mariquices, ou seja, que levem a futuras exigências das crianças.
As coisas podem ser feitas com peso e medida e aqui entram as barreiras que devem ser ultrapassadas pelas crianças.
Os franceses (determinadas 'escolas') têm estudos feitos acerca da importância de 'moi peau'.A importância vital da nossa pele enquanto contacto com o exterior. São de opinião que o nosso primeiro contacto com o mundo exterior é feito através da nossa pele e a importância do contacto com os outros e respectivos objectos.
Poderiamos ir a estudos mais antigos como o de Jean Piaget e retirar algumas ilações acerca do significado da 'assimilação' e da 'acomodação', ou irmos ao oposto de tudo isto e reler o método Montessori e tantas outras coisas, como por exemplo Winnicott.
É verdade quando a Cristina fala da importância e no saber respeitar a intimidade do outro. Para que isso aconteça é preciso primeiro saber o significado da palavra respeito.
O respeito começa quando o bébe e criança aceita o outro (neste caso a mãe)enquanto entidade individual e que esse outro não existe somente para satisfazer as suas necessidades.
Os limites, o respeito e a conquista do mundo exterior para além de si é um processo cadênciado, mas solidificado através da educação dada pelos progenitores e mundo envolvente....e alicerçada ao longo da vida adulta
o final é delicioso...
Mas começo a chegar à conclusão que há teorias bem fundamentadas para todos os gostos, que afinal em vez de servirem para nos ajudar a optar pelo melhor método, apenas nos servem de conforto para não termos sentimentos de culpa na forma como educamos os nossos filhos, afinal até o Prof. Dr. Não sei quantos publicou 1, 2, 1000 estudos a comprovar q eu é que estou certa...
é claro, foi o que comecei por dizer..."O CM revela um estudo curioso que vem de algum modo ao encontro (alguma vez havia de ser...) daquilo que foi a minha educação e consequente postura (às vezes até com olhares criticos dos amigos) como mãe." não há duvidas sobre isso....curiosamente até admito que não é habitual este tipo de opinião.
mas tem razão, ha estudos para todos os gostos, aqui, falo de mim e da educação que tive, nada mais.
:)
pá, claro que teorias deve haver quinhentas mil...e métodos também. o que eu queria dizer é que, fruto da educação que tive, sempre me pareceu estranha essa promiscuidade de tempos. "há tempo para tudo" e é bem verdade...
mas aquilo que verdadeiramente de faz confusão é a tentativa de aliviar qualquer contrariedade às crianças, talvez porque sempre me habituei ao "resolve tu", "defende-te", "pensa", etc...e que me foi muitissimo útil.
e no caso dos bebés, a verdade é nunca me lembro, em pequena, de ver esse tipo de mimos, para não dizer mariquices...lol...e os miudos eram muito mais autonomos, ninguém lhes facilitava a vida.e isto sem quaisquer teorias pedagógicas.
não sei se me expliquei...;)
beijinhos
beijinhos
A Cristina e eu devemos ser da mesma geração ou então os nossos pais são umas boas cabeças pensantes :) isto porque a educação que disse que teve e aquilo que ouvia dizer foi em suma a mesma coisa que ouvi e aprendi e só tive a ganhar com isso.
Claro que existem muitas teorias, mas o importante é a prática.
A minha Mãe teve 6 filhos e eu sou a número 6 e está provado que 'practice makes perfect'...basta olhar para mim....lol
Beijo na ponta do nariz