também para reflectir


trouxe uma notícia do Pensamentos do Helder:

Amesterdão, 09 Fev (Lusa) - Um jornalista holandês, Teun van der Keuken, pediu quinta-feira para ser processado por ter ingerido 17 barras de chocolate, produzidas com cacau de plantações de África que escravizam jovens, disse o próprio à France Presse.Teun van der Keuken, jornalista de uma emissora televisiva revelou à agência francesa, que o motivo desta queixa é ter consumido chocolate, um "produto à base de cacau que vem de plantações onde se pratica a escravatura".O Ministério Público não o processou e disse ao advogado do jornalista que defendesse este apelo.Para esta questão, Kohi Hermann Kam, revelou que, há 15 anos, testemunha em Burkina Faso a exploração nas condições de trabalho, onde o vencimento anual é de vinte euros. Segundo a testemunha, o processo do jornalista é "uma boa causa" para que as empresas melhorem os seus salários.
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Muitas vezes, ou quase sempre, o trabalho escravo infantil acontece sob a tolerância da sociedade, que o vê como uma opção para as famílias que não têm como garantir financeiramente a sobrevivência. Além da tolerância, existe a indiferença, enquanto muitos milhões de meninos e meninas menores de 14 anos perdem os melhores anos de sua infância.
Com o aumento do fenómeno da pobreza, constata-se na sociedade global em que vivemos a existência da escravidão que se acreditava ter desaparecido há mais de um século. Uma escravidão que atinge sobretudo crianças e que aumenta em todo o mundo; que se multiplica nos países do sul e que reaparece nos países mais desenvolvidos do norte. Poderosas empresas utilizam os menores mediante sub-contratações em países do terceiro mundo com a finalidade de baixar os custos das mercadorias. A OIT divulgou em tempos que existem cerca de 250 milhões de crianças no mundo a trabalhar entre os 5 e 14 anos, mas as estatísticas não são muito seguras, dado que boa parte da exploração é clandestina ou realizada em sectores económicos informais. Na África, uma em cada três crianças é explorada e, na América Latina, uma em cada cinco.
As lutas das organizações internacionais contra este flagelo, debatem-se no entanto, muitas vezes, com questões culturais difíceis de ultrapassar. Além do factor económico, a questão cultural, a crença de que trabalhar é bom, é um dos mitos que legitimam o trabalho infantil se sobrepõem às verdadeiras consequências desse trabalho. Esses mitos como: eu também trabalhei quando criança, o meu pai trabalhou... só reforça esta cultura de que é normal a criança trabalhar. Mas o que acontece normalmente é que o trabalho precoce prejudica a escolarização das crianças e uma futura colocação no mercado de trabalho. Para alguns especialistas, esta questão cultural é um dos maiores obstáculos para erradicar o trabalho infantil. As familias, principalmente as mais pobres, vêem a questão do trabalho não só como uma forma necessária e inquestionável de sobrevivência económica da familia, mas também como uma forma de livrar a criança ou o adolescente, da marginalização, da exclusão social, do envolvimento com drogas. É essa visão cultural que deposita no trabalho uma forma de prevenção dos males, que torna tão difícil combater a realidade. O trabalho educativo de mostrar a essas famílias que mantêm os filhos a trabalhar que vale a pena mandá-los para a escola, é o tremendo desafio. Dizia Mario Volpi da UNICEF, Há na cultura geral, um mito, de que o trabalho é bom. O trabalho é bom, desde que seja na fase correcta, na medida certa, na função adequada à fase da vida que a pessoa vive.
Mais difícil ainda se torna, quando as próprias crianças vêm no trabalho um bem, uma tábua de salvação de outros males maiores, como dizia um menino brasileiro há tempos numa entrevista, Quando a gente chega à adolescência, se a gente está ocupado com alguma coisa, a gente não pensa em fazer besteira, referindo-se claramente às drogas, contando casos de meninos da vizinhança.
Ou seja, dos empregadores aos "empregados", existe a percepção generalizada de que "não faz mal nenhum a criança trabalhar."
Obviamente não basta proibir. Até porque esta proibição ironicamente (ou não) não encontra muitas vezes aceitação naqueles que se pretende defender. A maior parte das famílias pobres não pode permitir-se o luxo, nem sequer por alguns meses, de passar sem algum tipo de rendimento adicional. Proibir o trabalho infantil abandonando as famílias afectadas à própria sorte conduz à catástrofe e encontra um pouco por todo o lado incluindo Portugal, resistência significativa, até mesmo a resistência infantil . É combatendo a pobreza que se poderá ultrapassar o problema, dando a estas famílias algum tipo de apoio que substitua o rendimento oferecido pelas crianças e criando sistemas de vigilância e controlo do cumprimento da escolaridade que chegaremos a uma população mais esclarecida e em condições de livremente escolher o seu caminho profissional.

Comentários

Parrot disse…
Cris,

Sim é verdade o que dizes e é um autêntico flagelo. Mas nós temos certa cota-parte de culpa. Trabalho infantil existe também cá....vamos por essas aldeias do interior e vemos muitas crianças que tiveram uma infância roubada por não existirem condições mínimas de apoio. São crianças felizes, tal como são essas (quero acreditar), mas por diferentes razões....essas ficam felizes por terem algo para comer...é uma triste realidade. Então o que podemos nós fazer? O pouco de cada um pode mudar...eu não compro produtos e marcas de países onde sei da existência de exploração infantil, se todos fizermos o mesmo a ver se não mudam. Mas as empresas tb devem dar o passo (sei que é difícil), mas tudo passa por aí.
Um exemplo:
Temos uma empresa aí bem perto de ti que começa por um "i", acaba por "a" e tem um "K" no meio, que simplesmente não trabalha com empresas onde existe trabalho infantil, e vão mais longe, fazem auditorias e promovem boas condições de trabalho das empresas que são suas fornecedoras (entre outras)....lá está, não é por acaso que estão onde estão. Venham exemplos desses.
Já me alonguei.....e nós continuamos a assobiar a olhar para o lado.

Beijo

PS - O que foi gasto no Iraque, dava para matar a fome em Africa. Dá que pensar, não?
é dando Mais que se tem Menos disto.....



_____________________.


e nós tb damos pouco. por cá.



beijos.



todos.
Anónimo disse…
A Cristina argumentou de forma descaradamente verdadeira...real.
Não sou capaz de ser indiferente a isto, mas sinto-me de mãos atadas, tristemente atadas.
Gostaria de acreditar que bastaria o meu querer para que nada disto acontecesse!!

Dos Milagres

O milagre não é dar vida ao corpo extinto,
Ou luz ao cego, ou eloquência ao mudo...
Nem mudar água pura em vinho tinto...
Milagre é acreditarem nisso tudo!

*Mário Quintana*
bljob disse…
bebedeira e suadela de 4 joelhos pá gripe
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Anónimo disse…
Vinha dizer quase a mesma coisa que o Parrot disse, mas devo acrescentar que não acredito na felicidade das crianças que trabalham pelos menos das do nosso país, onde existem crianças desde 5 e 6 anos a fazerem sapatos até à meia-noite a caírem de sono.
wind disse…
Excelente exposição!
beijos
Helder Robalo disse…
Cristina,
Vou ter de levar isto para o Pensamentos. Acho que é a melhor forma de reconhecer a forma fantástica como falaste sobre este tema. 5*
Beijo grande miúda
Cristina disse…
h.r.

olá Herder, obrigada. leva o que quiseres...

olha,tou com os cabelos em pé! estive a fazer um banner para subtítulo e agora não consigo centrá-lo! :/ abes de coisa mais irritante? :p

beijinhos
Zé Luís disse…
cristina, se ainda vai a tempo, crendo que está a propósito da exploração infantil da maior indigência, tome nota:
queixa / reclamação nº: 11059
autor: Elsa Fonseca
entidade visada: Sport Lisboa Benfica
tipo de queixa / reclamação: Publicidade
data: 2006-12-28 08:09:24

Texto da queixa / reclamação:



Exmos. Srs.





Elsa Maria Ferreira de Carvalho Diniz de Sousa Fonseca, vem reclamar do conteúdo e forma de uma acção promocional, ocorrida no dia 12 de Dezembro de 2006, nas instalações da escola EB1 de St. António, pertencente ao agrupamento de Escolas Eugénio dos Santos, Alvalade, Lisboa, que o meu educando de seis anos frequenta e a que foi sujeito.





Por proposta do Sport Lisboa e Benfica, no dia 12 de Dezembro ocorreu uma demonstração de actividades desportivas. De acordo com a docente titular de Turma, o proposto e aceite pelos docentes não sucedeu da forma planeada.



A acção que decorreu na sala de aula, consistiu em solicitar às crianças a identificação das não sócias da entidade promotora e a estas e, apenas a elas, entregue um panfleto de venda dos campos de férias do Benfica e um postal com a imagem do Pai Natal, determinando o facto deste símbolo universal ser vermelho, por ser sócio desta entidade. E caso desejasse a criança receber uma prenda do Pai Natal, deveria enviar o postal, que consistia afinal a subscrição de um Kit de sócio.



No decurso desta acção promocional, não de desporto ou actividades da entidade promotora, mas sim da venda do produto Kit de sócio e campo de férias, um dos elementos procedeu a recolha de fotografias das crianças em questão sem que a tal estivesse autorizado, informando as crianças que seria para o jornal do Benfica.

Uma vez que esta recolha de imagem não autorizada não foi feita em qualquer espaço público, na sequencia de qualquer evento público ou enquadrando qualquer figura pública, foi objecto de procedimento autónomo, visando impedir a utilização ou cedência das mesmas, em conjunto com a C.Executiva do Agrupamento de Escolas Eugénio dos Santos, aguardando a reclamante declaração do Benfica.



Considero que numa sala de aula, destacar as crianças não sócias da entidade promotora, dizer-lhes que o Pai Natal é vermelho porque é sócio do Benfica e colocar a ideia numa criança de seis anos que para ter uma prenda do Pai Natal necessita apenas de mandar o postal, a 12 dias do Natal, num espaço priviligiado como uma sala de aula, constitui uma conduta que viola dos direitos do consumidor.



Tendo em conta a idade dos destinatários, afigura-se-me esta publicidade não identificável, porque pensavam assistir a uma exibição de actividades desportivas.



Violadora do princípio da veracidade, uma vez que para o destinatário a “verdade”, é que o pai natal aparece uma vez por ano, num trenó conduzido por renas voadoras e entra pela chaminé, (quanto muito janela) e é vermelho com barba branca sendo por isso fácil de aceitar a “verdade” que é vermelho por ser sócio de um determinado clube e líquida a vantagem de também passar a ser do “clube do Pai Natal”, receberá uma prenda. Além de que o “Pai Natal” como figura até poderá ser de qualquer colectividade desportiva ou possuir qualquer outro atributo que a imaginação humana lhe entender atribuir. È, a história deste símbolo e o impacto que alcançou como identificador de uma marca acessíveis ao conhecimento de adultos e como tal mais uma vez este conceito viola o princípio da veracidade. Tão inverídica como afirmar que a alface é verde porque é de uma outra colectividade, ao invés de referir a clorofila. Pode a alface ter ambas as características, se assim o entendermos com imaginação atribuir. Tal como o símbolo em questão. Relação causa efeito é que não deve ser utilizada, sob pena de se declarar factos que não correspondem à verdade.





Ao desenvolver esta actividade em recinto escolar, numa sala de aula, explora a confiança do menor no tutor, num espaço seguro, onde são transmitidas informações fantásticas e verídicas, por um docente. Aproveita a sua a vulnerabilidade psicológica do menor, incitando à aquisição de um produto.



Por considerar esta campanha de angariação de sócios em escolas públicas agressiva e não adequada, lesiva dos interesses legalmente protegidos do meu educando, entendi formalizar queixa, nos termos e fundamentos acima expostos.





Ao dispor para qualquer esclarecimento





Lisboa, 27 de Dezembro de 2006



Elsa Fonseca





Entidade visada foi notificada em: 2006-12-28 08:09:24
Obteve resposta da entidade visada : nao

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