

A marta chama hoje a atenção para um fenómeno de importância crescente na nossa comunidade estudantil. Transcreve-se o seguinte excerto:
"Hoje em dia, há na camada estudantil um enorme nível de prostituição, principalmente nos que saem de casa para ir para as universidades.Vêm com o dinheiro contado e quando querem aumentar o seu pecúlio, em vez de irem servir à mesa para restaurantes, onde o horário não é compatível com os estudos, preferem entrar na prostituição e têm sempre uma conhecida ou amiga que lhes explica os processos. Este conceito não é o de uma necessidade, o da necessidade de comer que é o conceito da prostituição de rua, é um pouco mais complexo. É o de querer melhorar o conforto com o menor trabalho e a máxima rendibilidade.Ganham somas astronómicas que não têm que dividir com ninguém. Não têm proxenetas.Pensam que saem quando já não precisarem, esquecendo que nunca mais ganharão o que ganham nesta vida. Muitas deixam de estudar.O que mais rende é ser-se uma boa acompanhante (escort). Não implica ser-se prostituta, mas na maior parte dos casos inclui, no serviço prestado, favores sexuais.
[Escolhi, do google, um anúncio que deixo tal e qual como estava escrito.Languages: English, Spanish, Portuguese About me: Iam a student absolutely discreet and i love sexxxxxx. Discretion and trust are of prime importance. Best time to reach me:24 h/day(Every days by sms.only out calls.I dont do anal sex.Everything is with condom: just safe sex only).I wish you a happy stay in PORTUGAL LISBON ]"
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Segundo Ron Roberts, psicólogo autor de um estudo da universidade de Kinsgston publicado em 2004 , o número de estudantes que se dedica a esse tipo de práticas cresceu 50% nos últimos seis anos. Segundo ele, "Em vez de trabalhar em McDonalds ou numa loja por 12 euros à hora, é mais fácil trabalhar nesta indústria (do sexo), porque permite ganhar muito mais dinheiro rapidamente, pagar o aluguer e dispor depois de mais tempo para estudar"...será só? Este post, lembrou-me uma conversa que tive há uns meses sobre o assunto com uma estudante universitária a propósito das bolsas de estudo, dos atrasos das mesmas e das dificuldades económicas que enfrentam uma grande parte dos estudantes deslocados das suas terras para os grandes centros. E para espanto meu, espontaneamente ela falou nisso: que tinha várias colegas que aceitavam uns "namorados" que as ajudavam. Não fiz comentários além de um as coisas estão assim tão difíceis? ao que ela respondeu que sim, mas que além disso, muita gente não estava para andar a contar os tostões, que gostavam de sair, de acompanhar os colegas, de andar bem vestidas e por aí....calei-me.
Que realidade é esta? que pessoas, que futuros profissionais, que sociedade? Não me considero moralista mas confesso que mexeu comigo. Não me custa entender que os estudantes, num contexto consumista cada vez mais feroz sejam tentados ganhar dinheiro para as suas extravagâncias.. Sempre foi assim, e sempre se arranjaram uns "biscates" para os extras. Mas o conceito de "biscate", ao que parece, adquire agora contornos bem diferentes. Que marcas ficarão?
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____Adenda( após pesquisa google):____
lmanso@mundouniversitario.pt Por Lina Manso
Universitárias «lindíssimas», «carentes», «fresquinhas» ou que prometem «levar à loucura» são alguns dos iscos usados para chamar a atenção dos clientes. O MU mordeu o anzol.
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Com o que facturam num único dia, elas chegam a pagar a renda do apartamento. E das entrevistadas, nenhuma deseja sair agora da prostituição.
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«Não dou esse tipo de informações» ou «desculpe mas enganou-se no número» foram algumas das respostas obtidas quando o MU, sem esconder a intenção do telefonema (para fins de reportagem), fazia uma primeira abordagem. Contudo, entre muitas recusas, foram surgindo testemunhos de mulheres que «praticam o convívio» (como disse “Cila”, uma das entrevistadas), na capital. Tudo pelo telefone, sem exposições. Um mundo em que o receio de serem descobertas dita as regras
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200 euros num dia bom
“Carla”, lisboeta de 23 anos, é peremptória. «Não quero encontros», frisa, logo à partida. Frequenta o 2º ano de Direito e não pretende arriscar a possibilidade de vir a subir na carreira. «Imagina que agora nos conhecíamos e mais tarde nos cruzávamos em trabalho», começa a explicar. «Saberias o que eu tinha feito», conclui. “Carla” sente que tem de se proteger e não pode abrir excepções. Fecha esta porta mas, assegurada a margem de segurança, não rejeita alguns minutos de conversa. Conta que partilha um apartamento com uma amiga de Psicologia e que ambas “andam na vida” até saírem dos respectivos cursos. «Os livros são caros e tenho de pensar nas propinas», refere. Consegue ainda guardar uma parte do rendimento. Afinal, «num dia bom», chega a receber 200 euros. Mas apesar de dizer que vai deixar aquela a chamam a mais velha profissão do mundo, afirma que «quando se aprende a ganhar dinheiro desta forma é mais fácil voltar atrás na decisão».Entrou «há alguns meses» por sua livre iniciativa. «Comecei a atender telefones num apartamento» de prostitutas, diz. E acabou por ceder à ideia de dinheiro rápido. «Por um serviço completo – com anal incluído – cobro 50 euros», esclarece. Assegura também que não abdica da «protecção» e que os «beijos na boca são proibidos». “Deixa-los para o teu namorado?”, perguntou o MU, já sabendo que tinha uma cara-metade, a estudar em Aveiro. «Não é uma questão de romantismo mas de higiene!», diz “Carla”, que admite nunca ter sentido prazer durante o acto sexual com os clientes. «Nem me permitiria apaixonar por um deles!», sublinha. E entretanto, vai escondendo ao companheiro a verdade. «Ele nem sonha, pensa que trabalho na Vodafone», afirma. E apesar da mentira, para ela este é um meio igual a tantos outros para atingir o fim almejado, ou seja, o “canudo”.
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Chega para todas!
A “Cila”, de 18 anos, frequenta o 1º ano de Psicologia, é de Lisboa, não tem namorado, e vive há alguns meses no apartamento de uma amiga mais velha que já “anda na vida há um ano”. Pouco depois aliou-se a ela. «A princípio foi complicado», admite. Agora já tem cerca de cinco clientes habituais, e nos melhores dias chega a ganhar 400 euros (cobrando entre 50 a 75 pelo serviço normal). Um valor que dá quase para pagar um mês de renda. «Não me considero uma consumista e tento amealhar para deixar isto daqui a dois anos no máximo», alega. Mas tem consciência de que sendo uma «maneira de conseguir dinheiro rápido (e não fácil!) há raparigas que se habituam ao nível de vida».Já concorreu a cargos de auxiliar administrativa ou secretária e até agora nada. Virou-se para a prostituição. Ao menos, como trabalha «por marcações», pode ajustar os horários ao tempo que necessita para as aulas. A futura psicóloga – que admite pretender vir a trabalhar com crianças ou criminosos – acredita que «as coisas muitas vezes acontecem quando não estamos à espera». Como o facto de ter vindo parar à “vida”. Adianta que conhece «pouca gente no meio» e fala em «alguma rivalidade» entre colegas de profissão. «Mas acho que chega para todas!», remata.
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Habituada a ter dinheiro
A “Erika”, de 21 anos, e a “Sílvia”, de 20, são amigas, partilham o mesmo apartamento que arrendam por 750 euros e têm outro, por 500, onde trabalham. Mas também fazem «deslocações». Por cada uma, 150 euros. A vantagem deste tipo de trabalho é que «não andamos sempre a contar os tostões», diz “Sílvia”, a frequentar o curso de Enfermagem. Afinal, «não é em qualquer emprego que se faz 200 ou 300 euros por dia. Além das despesas «dá para tudo o que quisermos». Mesmo seduzida pelo dinheiro, quando acabar o curso, sai. «Porque me custa». “Erika”, do norte de Portugal, frequenta um curso «relacionado com teatro e cinema» e confirma que a prostituição «é a melhor forma de arranjar dinheiro rápido». Ambas têm namorado, a quem garantem conseguir esconder as vidas paralelas: uma diz que faz uns “biscates”, outra que trabalha em hotelaria. E todos os dias, dependendo das aulas, fazem «pelo menos alguns serviços, sempre com «protecção». Concorreram a outros trabalhos mas ou não obtinham respostas ou os salários oferecidos eram baixos. Entretanto, “agarram-se” à prostituição e dizem, com orgulho, nunca ter recebido queixas dos clientes. Eu não sou universitária!No anúncio de jornal, “Sofia”, de 24 anos, refere que frequenta o 2º ano de Medicina. Ao MU, afirma que apenas o diz por ser algo que «agrada ao homens». É do Porto mas veio com os pais para Lisboa. Ainda mora com eles. «Pensam que tomo conta de uma senhora», explica. E todos os dias, «normalmente entre as 13 e as 21 horas», dirige-se ao apartamento que arrenda com uma amiga por 440 euros. Confessa que não é fácil: «estamos com pessoas estranhas e fazemos muitas vezes coisas de que não gostamos». Mas «os trabalhos lá fora não dão dinheiro e as entrevistas a que fui não deram em nada». Por enquanto, vai aproveitando para organizar a sua vida. «Estou a tentar comprar uma casa», afirma. E julga que daqui a um ano já terá as contas mais equilibradas. Nessa altura «saio disto», refere.
05.06.2006
05.06.2006


Comentários
É uma triste realidade que não está unicamente subjacente aos grandes centros.
Já há alguns anos que se comenta este triste fado na Universidade de Aveiro.
Bjs
nisso concordo...mas não deixa de ser um pouco chocante.
aliás, se as proprias convivessem bem com isso não lhe chamariam temporário, não esconderiam da família, não esconderiam o nome...etc.
é um facto com o qual nem as próprias se identificam. nesse aspecto é também violento.
é nesse sentido que choca.
um beijinho
pelos vistos a tendencia é para aumentar...
lamentável, de facto.
beijos
:(
beijocas
Pensando melhor talvez já tivesse algumas pistas, mas recusava-me a vê-las e muito menos aceitá-las.
Parece que vivemos onde tudo é descartável, destes os afectos, responsabilidades, projecto de vida e onde prevalece: aquilo que hoje é verdade amanhã já não o é.
Na soma de tudo isto temos seres humanos muito pouco consistentes na sua vontade e querer, que a longo prazo serão resquícios de si próprios.
Para suavizar a 'coisa' deixo " The Porn Song", cantado por Sarah Silverman (faz stand up comedy):
http://www.youtube.com/watch?v=CQqCAZCMxdI
Mas, em minha opinião, outras vezes temos seres humanos muitíssimo mais consistentes do que aquilo que a "moral" admite, embora pense que aqui não é o caso.
Vou vender algo de mim,
Porque não vender primeiro
O que me dê mais pilim?
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Mas a verdade é que uma esmagadora maioria das que o fazem são ou emigrantes de leste ou brasileiras.
Haverá universitárias por certo, mas são uma percentagem verdadeira minúscula sendo certo que algumas que se apresentam como tal é apenas para representar e preencher um imaginário masculino.
Nem mesmo a ideia de dinheiro fácil e totalmente certa.
Certo que realizam imenso em pouco tempo comparativamente com outras situações, mas a compulsão de não se sentirem culpadas leva-as a compras cada vez mais dispendiosas e não raras vezes para o mundo de evasão da droga.
Mas é preciso muita coragem para ter um corpo escultural, saber da facilidade de o fazer e resistir.
Lavar escadas e engomar roupas, não querem essas meninas, ou trabalharem em part-time nas bibliotecas das Universidades.
Enfim, é a imagem das sociedades prostitutas que já temos há muito tempo.
Diz a Cristina. Que realidade é esta? que há muito tempo que as pessoas, desde os que ocupam os mais altos cargos , aos mais baixos se vendem.
Bom dia Cristina e demais comentadores
Se são Universitárias , não sei!Basta andar pela rua ( certas ruas)e ver aos montes.
Tal como no caso do aborto, este é um caso de saúde pública. e se ,a barriga é delas o resto tb deve ser,não?É a mesma lógica, parece !
Se o aborto clandestino mata e tras sofrimento social, o que dizer da prostituição? O que dizer da droga ( causa da p.. em muitos caos ) e da Sida consequência da p... noutros.Muitos!
Para não falar nas redes ( ver Visão) nova forma de escravatura sexual.
Já ouvi argumentos contra a instituição de casas de prostituição (Isabel do Carmo)
Mas se o problema é de saúde pública, vamos legaliza-lo e exigir boletim sanitário a quem se dedique à profissão.Antes da escolha a futura prostituta devia ter direito a um período de reflexão e escolha de uma profissão
diferente.Acredito que só quem tivesse vocação se dedicaria. mas aí medidas médicas mais que periódicas, a pagar impostos ( sob um nome de código, se as Finaças deixasse
Por fim, instituir a pena de prisão para os homenzinhos que procurassem prostitutas na rua.
tambem para o aborto legal devia haver um nº de código de saúde para a doente.Não esqueçamos os estigmas!Isto é Portugal no seu melhor!
Esta é a minha proposta.
O Srº Ministro da saúde que se enxergue!
beijocas
e boa semana
É uma triste realidade, mas não é de hoje e nem acredito , por mais evoluída que seja a sociedade, que este "serviço" acabe, pois há demasiadas coisas em jogo.
Beijo
Bolacha
e eu trabalhava na editora da associação de estudantes..:)
beijinhos
é. é daquelas verdades que não se quer entender. quando tive esta conversa de que falei no post, devo dizer que nem me atrevi a perguntar mais nada. não fosse dar-se o caso...
beijinhos
pois, também penso que não será o caso. talvez algumas consigam sair da situação com uma estrutura emocional saudável e forte, mas tenho muitas dúvidas.
beijinhos
não, não é de pudor que se trata, trata-se de construir um futuro sobre bases sólidas, de que nos possamos orgulhar, que contribua para o fortalecimento da autoestima e de personalidade equilibrada.
claro que podemos admitir que haja quem apesar deste percurso mantenha alguma dignidade e por aí fora...mas vale a pena pagar pra ver?
beijinhos
sim é uma minoria! mas eu não me referia às universitárias no universo da protituição, referia-me às prostitutas no universo das universitáris. e esse é grande, qualquer que seja a minoria.
provavelmente é dificil resistir sim. afinal de contas é facílimo chegar lá, e os resultados materiais aliciantes.
beijinhos
não estamos a falar do universo da prostituição , mas do universo da universidade. e este tem contornos um pouco diferentes, como descreve o post.
quanto à legalização, sim. nada contra. quem a quiser assumir como profissão, que o faça segundo regras, como em todas as outras.
beijinhos
pois não querem. e porquê? talvez valesse a pena pensar na educação desta geração. aquela geração a quem quase tudo é permitido, aquela geração a quem os pais têm medo de pedir responsabilidades e sacrificios, que têm medo que os meninos fiquem traumatizados porque não têm tudo o aquilo a que entendem que têm direito, que se endividam para que não falte NADA, e quando digo nada inclui o essencial e o acessório, enfim...a malta que não está habituada a lidar com a frustração de não ter.
talvez cheguemos a algumas conclusões.
beijinhos
loooool, interessante perspectiva...a religião na geografia humana(anatómica) :DD
bj
o que se passa nestas cabeças? algo parecido com o que respondi ao Harry....será?
beijinhos
é verdade que já existia, mas vamos tendo mais consciência deste fenómeno à medida que lamentavelmente se vulgariza. tristes bases, não?
e não, não tem nada a ver com prostituição de rua...
beijinhos
looooooool, bom, orientam-se, lá isso é verdade....
beijinhos
Um grande post. Muito bem tratado.