ofensivo??


Treze senadores italianos exigiram a retirada de uma publicidade da marca de vestuário Dolce & Gabbana. O anúncio, mostra um homem, torso nu e óculos escuros, que retém no chão à força dos pulsos uma mulher com um corpete de veludo negro e saltos altos; à volta deles, outros quatro homens olham a cena, impassíveis.
"A publicidade representa de forma explícita um verdadeiro incitamento à violação colectiva: uma mulher em terra e homens cuja publicidade não deixa dúvida alguma sobre o seu papel. Sentimo-nos ofendidos porque isso ultrapassa em muito a mulher-objecto que aparece com frequência nas imagens publicitárias", afirmam os senadores.
"Perguntamo-nos como se pode fazer passar graças à publicidade imagens tão violentas, sabendo que elas podem ser um modelo para os comportamentos", acrescentaram.Entretanto, o Instituto da Mulher de Espanha, uma organização governamental, ligada ao Ministério do Trabalho protestou contra essa campanha publicitária da D&G que, segundo elas é ofensiva à dignidade da mulher e um incitamento à violência sexual. Foi divulgado que a empresa vai retirar a campanha de todos os meios de comunicação da Espanha.
O sindicato CGIL juntou-se ao protesto "considerando vergonhoso que Dolce & Gabbana veiculem uma mensagem de violência e abusos para com as mulheres", e estimaram que os estilistas deviam "apresentar desculpas a todas as mulheres", num comunicado.
Em resposta, os representantes da marca ao disseram"La Vanguardia":"Vamos retirar essa foto somente do mercado espanhol. Eles são um pouco atrasados".
Caramba, ou os meus neurónios feministas estão adormecidos, ou há um bocado de exagero no protesto.... violência, incitamento à violação colectiva?? Fogo, viram isso tudo ali? Bem...esta amiga que vos escreve, em abono da verdade....nem tinha reparado bem na rapariga....

Comentários

sem-se-ver disse…
eu vi.

o imaginário é claramente masculino e só (penso eu); sim, remete para, seja em filmes porno seja na efectiva e infeliz realidade, cenas de f*** de uma única mulher por uma catrefada de gajos que sim, seja em filmes porno seja, IMAGINO, nas ditas efectivas e infelizes realidade, estão com o ar entre-o-arrogante-e-o-dominador (seja como for, tudo menos terno) perante uma única mulher indefesa.
onde eu creio que esta publicidade é brilhante é exactamente na maneira como figura a mulher que, seja pela pose corporal seja pelo olhar que se supõe, veicula uma ambiguidade que é a todos os títulos a defesa que a Dolce & Gabbanna poderia invocar. Isto é, não é minimamente claro que ela esteja em posição de desconforto ou sofrimento.
Donde, e porque de certeza vai haver aqui uma discussão gira a este propósito (saúdo o seu post e a atitude nada politicamente correcta nele contida), direi que a publicidade é inteligente por se dirigir - e nesse sentido ser eficaz - a imaginários recorrentes, se defender pela figuração inscrita de possíveis ataques e, por último, por nos fazer falar da marca que suporta.
Mas sim, ainda bem que há por aí gente cujos neurónios feministas não estão adormecidos: porque objectivamente tudo isto é perigoso, muito perigoso...

Digo eu.

(ps: seria muito abuso meu se aproveitasse para lhe perguntar como (se) põe a musiquinha ali na barra lateral? nao a finetune, a outra. eu agradecia muito!)
Anónimo disse…
Eu não! Homens.., de óculos escuros... torso nú?
Nã, eu veja é mulher com um corpete de veludo negro e saltos altos!
Ai isso vejo!
Bjinho
Rosa disse…
É um tanto ou quanto... forte. Há que dizê-lo com frontalidade!
Beijinhos :)
Anónimo disse…
Talvez fosse bom, indagar junto das camadas jovens, como interpretam esta imagem.

De facto, a violência não estando explícita, fica "no ar", ... um "tudo de nada", de ambiente aparentemente de violação grupal.

Sendo que a moda é indutora de comportamentos, bons e maus, atente-se por exº, o caso da publicidade (no passado) da BENETTON, porque "uma imagem vale mais do mil palavras", ... e um pouco de cuidado "pedagógico" nestas coisas, não fará mal a ninguém.

Estou a ser Kota ? Talvez ...

Mas tb estou farta de violência, ... "de borla".

Não deixa de ser curioso, o facto de o protesto ser italiano.

A Benetton tb é italiana.
Capice ?

Uma beijoca, Cristina (kida !)
LopesCa disse…
Estavas distraída ;) Sobre a imagem no geral acho que está demasiado forte e de mau gosto.
Anónimo disse…
Cristina, eu entendo a sua indignação e espanto e até sou capaz de dizer que os seus neurónios feministas não estão adormecidos....(apesar de ler o fim dos livros antes de começar a lê-los).
;)

Vejo esta publicidade como mera publicidade e sendo eu mulher, não me sinto incomodada com aquilo que eles acham que ultrapassa em muito a mulher-objecto.
É interessante perceber que as pessoas recorrem a esta coisa de mulher-objecto quando mais lhe convém (isso daria outra conversa!)

O que me incomoda não é a publicidade per si, mas os comportamentos que adveêm de uma mera publicidade.
O que me incomoda é sentir que por mais evoluidos que achamos que estamos, somos traídos por essa mesma evolução de comportamentos.

Vivemos numa constante busca de paradigmas e atropelamo-nos com os ditos modelos de comportamento.

Infelizmente compreendo a atenção redobrada e escudada por parte daqueles que fazem o favor de ser o 'lápis azul' desta sociedade desconjuntada...que ao minimo indício levantam a bandeirola da moralidade e bons costumes!

É exagerado o protesto, mas muito exagerado, mas só assim se consegue a proibição de um produto ou campanha, ainda mais quando estão em causa a defesa dos (ditos!) valores.

Ao ponto que nós chegamos!!!

De repente lembrei-me do filme "A janela indiscreta" de Hitchcock..e pensei no que se pode ler nas entrelinhas deste filme!
Cristina disse…
sem se ver
"não é minimamente claro que ela esteja em posição de desconforto ou sofrimento". nem mais.

até me parece que a atitude neurotica é de quem ja vê ali incitamento à violação. quem sabe até uma atitude mais machista.....será que a mulher não pode concordar?

não quis no texto ir tão longe, mas esperava que alguem o fizesse :))) nem tudo está perdido afinal :)

beijocas
Cristina disse…
carlo a.a.

como te compreendo :p

beijocas
Cristina disse…
rosa

forte e bonito. eu,pelo menos, gstei. e juro que não me senti afrontadas nem ameaçada nas conquistas d' Abril :DD

beijos
Cristina disse…
sofia

ora eu apostava as minhas fichas todas em como a juventude não está nem aí...ja não têm esses traumas tão à flor da pele..,e são bastante mais liberais.


acha que "isto" vai influenciar comportamentos? eu tenho duvidas...mas hei-de perguntar à bibi o que ela v^ºe ali e depois posto a resposta :p

se for publicavel...

beijocas
Cristina disse…
lopesca

é, eu sou mesmo "distraível"....

e juro que olhar para esta foto antes de ler as noticias só me suscitou um "bonito...", mais nada.

beijinhos
Cristina disse…
dalloway

ora bem!!!

devo dizer que me espantou muito mais as reações.....cabeças conturbadas ein?? é preciso estar bem impregnado do tal machismo para o destilar com esta facilidade e em qualquer coisa, nem que seja um cartaz publicitario, bem bonito, por acaso....

estranho que os defensores das mulheres nem sequer ponham a hipoteses de a cena ser agradavel para a mulher..´dá que pensar...

adelante. bons sonhos..que podem bem incluir aí o cartaz :p

beijocas
Kaos disse…
Estranha a mente humana. Eu quando vi a imagem, contrariamente a ti, só vi mesmo a rapariga.
bjs
Anónimo disse…
Pois, e o anúncio foi retirado com pedidos de desculpa. Ou seja, um caso de marketing inteligente e eficaz: provoca-se o escândalo dando força de notoriedade à marca; retira-se o anúncio em reconciliação com a fatia de audiência indignada. Para memória, ficará um caso transitório/purgatório de "anúncio infeliz", a notoriedade da marca cresceu mais que se se tivesse tratado de um anúncio insípido e corecto. Mas, para mim, julgo que é um caso do mais bandalho aproveitamento cobarde da imagem da violência (potencial, como ameaça) sobre as mulheres - usá-la para promoção levando-a ao tapete e depois varrê-la para baixo do tapete. É o mercado. Beijo amigo do João Tunes
e-ko disse…
O problema desta imagem vem duma encenação que, subliminarmente, nos remete para outro preconceito mais comum do que se possa crer: toda a mulher violada provocou, consentiu e teve prazer ao ser violada! è mais soft que as encenações das cenas pronográficas, mas, inquietante, porque mais subtil!

Engano-me ?
Anónimo disse…
Não estou de acordo contigo Cristina.
Para mim é claramente uma incitação à violação, porque é o que eu vejo naquela fotografia.
Só quero chamar a atenção para o facto dos juízes nos vários tribunais de todo o mundo, dizerem que é a mulher que provoca este tipo de atitudes pela maneira como se veste.
Lembro-me de um filme com Judy Foster, em que esse argumento era usado e foram 4 a violá-la, e lembro-me de outra cena do filme Thelma e Louise.
Aqui o ar da mulher não interessa.
O que interessa é que é uma cena que se passa no meio da rua e por isso implímcito a violação.
O mundo de hoje é tão vertiginoso que quando vi esta foto já vinha incorporada de n comentários que me queriam levar para uma ou outro interpretação.
Portanto sobre isto digo nada.
Agora o que eu digo é que a Cristina cada vez está a escrever melhor e também digo que foram citados para aí alguns filmes mas esqueceram-se deste .

Sobre os senadores aposto que catorze dos treze não se importavam de estarem lá.
Cristina disse…
João

pode ser, mas não lhe atribui essa carga de violência, nem por sombras..na minha opinião é exagerada essa leitura, mas é só a minha, posso estar errada.

beijinho
Cristina disse…
e-konoklasta

a minha questão é PORQUÊ VIOLAÇÃO. que diabo, é linear que a mulher está a ser violada??? é isso que nem me passou pela cabeça...

beijinho
Cristina disse…
marta

caramba, não vi nada disso...lol..não me parece nada a postura de quem vai ser violado.

também é verdade que o que vemos depende de miutas coisas não é?

beijinhos
Cristina disse…
Fado

aí está um que nunca vi :)))

has-de me contar..

aposto que ha juizes que não se importavam não! nomeadamente de estar no lugar da rapariga ;)

beijinhos
e-ko disse…
Cris,

para mim é evidente que se trata duma encenação de violação colectiva, teatralizada, suficientemente ambígua para nos deixar na dúvida e arrastar a dúvida o mais longe possível e, escapar ao que na realidade aconteceu, ter de ser retirada do mercado espanhol. Agora, se em Espanha se é tão sensível à questão, deve estar relacionado com a grande frequência dos crimes de violência de que são vítimas as mulheres naquele país.

Sou particularmente sensível a esta questão, porque conheço casos em subúrbios de grandes capitais em que grupos de jovens, socialmente desajustados, praticam uma ritualização da violação colectiva e as raparigas que foram vítimas organizaram-se em movimentos para denunciar.
Cristina disse…
E-ko

claro que a realidade existe. mas esses grupos serão estimulados por cartazes destes? e quem repara no cartaz, será influenciado por ele?

bom...não sei se chegaremos a alguma conclusão :p

beijinho
Cris, naughty naughty girl.
Quanto a filmes com verdadeiras violações recomendo este e este .

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