

Quem vê Patrick Stuebing e Susan Karolewski brincar com o filho no chão do apartamento do casal, em Leipzig, na ex-Alemanha Oriental, pode pensar que está diante de uma cena familiar comum.
A diferença é que os dois são irmãos biológicos e desafiam não só o tabu como a legislação contra o incesto no país. Para o casal, que já teve quatro filhos, nada mais natural.
Quando a família se dissolveu, o menino Patrick Stuebing foi adotado por outra família e criado em Potsdam. Ele só se reencontrou com a irmã Susan aos 23 anos, quando viajou até Leipzig em 2000 para conhecer a sua família biológica. Depois da morte da mãe, os dois contam que se apaixonaram.
"Somos um casal normal. Queremos constituir uma família. A nossa família despedaçou-se quando éramos crianças e, depois disso, a Susan e eu aproximamo-nos ."
"Só quero viver com a minha família e ser deixada em paz pelas autoridades e pela Justiça." Juntaram-se e tiveram filhos sendo Patrik, por isso, condenado pelo tribunal a dois anos de prisão. Uma vez cumprida a pena têm de novo uma filha, agora de dois anos. De novo à pega com a justiça apelou para o tribunal constitucional, aguardando decisão deste. [BBCBrasil]
A diferença é que os dois são irmãos biológicos e desafiam não só o tabu como a legislação contra o incesto no país. Para o casal, que já teve quatro filhos, nada mais natural.
Quando a família se dissolveu, o menino Patrick Stuebing foi adotado por outra família e criado em Potsdam. Ele só se reencontrou com a irmã Susan aos 23 anos, quando viajou até Leipzig em 2000 para conhecer a sua família biológica. Depois da morte da mãe, os dois contam que se apaixonaram.
"Somos um casal normal. Queremos constituir uma família. A nossa família despedaçou-se quando éramos crianças e, depois disso, a Susan e eu aproximamo-nos ."
"Só quero viver com a minha família e ser deixada em paz pelas autoridades e pela Justiça." Juntaram-se e tiveram filhos sendo Patrik, por isso, condenado pelo tribunal a dois anos de prisão. Uma vez cumprida a pena têm de novo uma filha, agora de dois anos. De novo à pega com a justiça apelou para o tribunal constitucional, aguardando decisão deste. [BBCBrasil]
__Uma das razões universalmente aceites para a proibição do incesto é o risco de consanguinidade e consequentes doenças genéticas; argumento com consistência precária já que, para se tornar efectivamente um problema, essas doenças dependeriam do tamanho da população-quanto maior o número de pessoas, mais limitado o problema – e mesmo que existisse, há que considerar os avanços da medicina. No mesmo sentido, não são proibidos casamentos entre pessoas com doenças genéticas/hereditárias ou proibida a procriação a pessoas com maior risco de dar à luz indivíduos com deficiencia, nomeadamente os relacionados com a idade dos progenitores. Independentemente do aspecto biológico, cada vez mais ultrapassado, a condenação persiste: não há sociedade alguma em que não haja uma norma que interdite o casamento entre pessoas com determinado grau de parentesco, embora a noção de "parentesco" seja variável de sociedade para sociedade.
Uma outra explicação fundamenta-se na idéia de que haveria um horror natural ao incesto, uma sensação de fenómeno anti-natura. Como contestação a esse tipo de explicação, basta considerar que, se houvesse um horror natural ao incesto e a consequente falta de desejo de o praticar, não seria preciso proibi-lo, só se proíbe aquilo que se deseja. E deseja-se. Não é tão raro quanto isso e com consentimento de ambas as partes. Nem sequer é crime em Portugal, ou na França, na Bélgica, ou na Holanda, por exemplo.
Dessa forma, o tabu do incesto é quase totalmente de origem na organização social. A condenação baseia-se provavelmente na incompatibilidade violenta sentida " instintivamente " entre intimidade sexual e as relações familiares de afecto e respeito mútuo, no medo da disrupção da estrutura familiar, encorajando as uniões que reforçam as relações existentes entre os membros de uma sociadade, longe dos laços familiares e envolvido por um enquadramento religioso que o torna pecado; será? Uma mera função de reforço da família e de diversificação social?
As questões que no passado eram consideradas tabu passaram a ser motivo de discussão pública e de controvérsia.
No caso em questão irá o Tribunal decidir a favor dos recorrentes com base nos argumentos que estes defendem ou, pelo contrário ,vão rejeitar a sua pretensão invocando razões de natureza ética, moral, cultural ou qualquer outra?
No caso em questão irá o Tribunal decidir a favor dos recorrentes com base nos argumentos que estes defendem ou, pelo contrário ,vão rejeitar a sua pretensão invocando razões de natureza ética, moral, cultural ou qualquer outra?


Comentários
A Artista Cristina acordou inspiradérrima, não foi?! :)
Bolas que este é um caso tramado e complicado, onde estão envolvido afectos, laços familiares, crianças, proibições, tabus, ética, moral, cultura...
A Cristina com o seu comentário acabou por dizer o mais importante e fê-lo de uma forma objectiva.
Não sei que razões o tribunal vai alegar para este caso, mas depois de ter lido o seu post tentei pensar friamente sobre a situação e digo-lhe que espero (mas não acredito) que o tribunal deixe este casal viver a sua vida marital em paz.
Não acredito, contudo, que a lei abra um precedente. Se há coisa que os tribunais fazem é arrepiar caminho. Com certeza que resolverão esta questão de uma forma muito fria e objectiva porque pura e simplesmente estão em causa os tais tabus, a moral, a ética....e metem isto tudo no saco e lá vai o Patrick para a prisão.
Ao sair da prisão faz o terceiro filho...
Depois da sua inspiração de hoje e do desgaste do meu único neurónio (o outro já foi de fim de semana), vou mas é fazer um chá e umas torradas e ver o dvd que já está a criar pó. Depois digo se gostei do filme "O Ilusionista"
minha querida, acontece, encontrei as controvérsias todas hoje....
mas tem tempo para dar opinião, embora duvide que haja opiniões claras sobre o assunto. eu tambem não sei qual será o melhor caminho...é complicado separá-los e é complicado abrir precedentes, penso que não estamos preparados para isso.
mas olhando objectivamente a questão, as razões biológicas vão caindo. as outras, aquilo que se considera "anti natural" prolifera por aí como cogumelos. não se imagina quanto.
portanto, aqui está outra fractura pra tratar, se houver gesso que chegue ;)
boa noite princesa.
sabes que, aqui no algarve, sempre se procurou 'explicar' a existência de 'deficiencias' estatisticamente elevadas (com origem nas comunidades piscatórias) por razões que se prendem com a consaguinidade dos nascidos de relações incestuosas...
bjs.
estão muito à frente os algarvios....:DD
há doenças de maior prevalencia no algarve (a drepanocitose por exemplo) mas não tem a ver com consaguinidade.
como disse la em cima, a dispersão de genes é tão grande em sociedades abertas que isso é um perigo muitissimo relativo. a não ser que haja doenças de familia, isso é diferente.
mas todos esses problemas se ultrapassam com diagnosticos pre natais..
a questão vai muito além disso.
beijinhos
(estou a dever-te um trabalho não é? não me esqueci, mas nao tenho tido muito descanso, sorry...)
no entanto ... a mim custa-me a aceitar casamentos entre irmãos ...
preconceito? não sei....
qualquer dia tb será normal entre pais e filhos????
Bjs
A mim calha-me muito mal aceitar uma situação destas. Quantas "escravaturas" criam os laços de sangue?
O psicológicamente + carenciado ( aqui serão os dois,ainda por cima!)
vai tender a tornar-se escravo.
Supostamente o casamento á livre. Aqui não há possibilidade de liberdade.Zero.
bjs
Neste caso concreto é como se eles, os irmãos, nunca tivessem nascido. Não sairam do útero materno. Com mêdo do mundo que lhes foi adverso.
Acho que Freud, o querido, diria que esta, que tu contas é a + acentuada das regressões.Imagina dois fetos, na barriga da mãe, a fazerem filhinhos um no outro. E a sentir: Se se está tão bem aqui para quê nascer? esta é uma forma de suícidio duplo, por medo do mundo, de nascer.Vão ficar a parir irmão ,outros irmãos, para a Eternidade.Sempre o saquinho do líquido a protegê-los. Desgraça.
É verdade que a única escolha que fazemos em matéria de relações é no casamento (ou outras variações do mesmo) sendo que tudo o resto, pais, filhos, irmãos, tios etc. não é escolhido é imposto pela sociedade e por vezes não são aqueles que queríamos.
Penso que o casamento na sua origem era mais uma necessidade de criar alianças, criar riqueza ou subir na escala social do que propriamente uma afirmação de amor.
E por isso a sociedade não autorizava o casamento entre irmãos.
Não dava lucro.
PS. Um grande post sobre um assunto melindroso, muito bem tratado.
exactamente, tinha uma função social, trocavam-se esposas e bens. o resto ficou por conta do pecado por causa das duvidas :))
que solução preconizas para o casalinho?
obrigada, um beijinho
custa a todos, convenhamos! está longe de ser pacífico e não é coisa que vejamos com bons olhos...
beijinhos
as escravaturas são criadas por toda a espécie de laços. o problema não está nos laços em si, mas no uso que se faz deles :)
claro que custa, no fundo, por mais racionais que sejamos ninguém queria um "casamento" destes pros filhos não é?
beijinhos
as escravaturas são criadas por toda a espécie de laços. o problema não está nos laços em si, mas no uso que se faz deles :)
claro que custa, no fundo, por mais racionais que sejamos ninguém queria um "casamento" destes pros filhos não é?
quanto à persistencia da "viscosidade" amniotica, repara que essa é uma das razões porque não acasalamos com os progenitores, não há de facto essa libertação, o elo mantém-se para sempre ao contrario das mães das outas espécies que a partir de determinado momento se o filho ainda quiser mamar, leva uma sapatada ou uma dentada.acabou a ligação. logo seria mais logico que funcionasse ao contrario, não? se calhar ha pessoas que funcionam de forma mais "basica" na escala animal, cortam de facto o elo...
beijinhos
em qualquer dos casos, obrigado pela lecture :)
:))obrigada pela visita e pelo comentário ;)
é verdade o que dizes, mas como referiu a astrid, a troca de genes já é tão vasta que mesmo os irmãos, que não têm o mesmo código genetico, tem altas probabilidades de não gerar individuos doentes. aliás, o numero de filhos de irmãos é grande principalmente nos bairros carenciados onde ha mais promiscuidade(2, 3 filhos) e nem por isso têm mais doenças que o habitual. enfim, é sobretudo uma questão moral, socio-ccultural e coisitalis...
é mais um problema para as sociedades ocidentais discutirem, porque nas outras, por enquanto ainda nem se discute...lol
um beijo
O incesto é mais comum do que se imagina. Basta olhar os sites de conto erótico. Há milhares deles. A maioria é ficção, é claro, contudo expressão vontades afogadas pelos tabus sociais. Acredito que alguns desses contos são verdades, o que leva a conclusão que há muito incesto não declarado por aí. E o que há de errado?
Em algumas sociedades asitáticas o incesto é bem visto, e serve de aprendizado aos mais jovens. Tudo é questão de cultura. Acredito que futuramente esses paradigmas sociais tenderam a ser resolvidos, ainda mais hoje, que a sexualidade anda muito mais explícita que outrem.
Abraços!
DFonseca