Tears without Fears

Depois do jogo e das conversas sobre vinhos, deu-me pra ler crónicas antigas da Martha Medeiros; coisas de quinta feira gorda pra sexta de paixão -aprendi com o LNT- e calculo que não tenha nada de erótico, mais ainda assim é um bom nome pra uma sexta feira.
Continuando.. contava ela na dita crónica que tinha chorado horrores vendo um filme. Curioso isso: como choramos com muito mais facilidade a ver um filme que com a realidade. E caramba!, se há coisas que como se diz ultrapassam muito a ficção é a realidade. Mas é de facto assim, pelo menos comigo é.... acho que se deve ao facto de estarmos supostamente num momento de descontracção e sermos apanhados desprevenidos; em que baixamos todas as defesas e em que nos deixamos levar por emoções, sem pensar em enquadramentos nem em consequências de as deixar soltas por aí. É uma catarse que resulta de olhar para a cena e imediatamente para dentro denós. Eu sempre gostei dessa sensação, além de que tem uma extraordinária vantagem: quando acaba o filme lavámos a alma e tudo volta ao normal, isso é mesmo muito bom. Uma característica feminina? Talvez, diz-se que as mulheres são umas choronas e eu concordo em absoluto, somos mesmo. Mas temos menos enfartes.


Comentários
:p
Temos tendência a mascarar as emoções e ao fazê-lo desaprendemos como deixá-las aproveitar o intervalo do recreio.
Jamais esquecerei do que me aconteceu num espectáculo de Cecilia Bartoli. Na segunda 'música' desatei num choro convulsivo, de tal forma que pensei que me ia dar uma coisa má, palavra.
A Cristina fala dos homens e das mulheres neste tipo de catarse e confesso que nesse sentido sou aquilo a que se chama de mulher fálica.
Também é preciso aprender a chorar e eu continuo a aprender...
Agora vou ali pôr um penso rápido na alma...