do Prós & Contras


penso que praticamente tudo o que se disse é consensual, até à fase da medicação. Ficou mal esclarecida a questão dos "manipulados". E em relação aos medicamentos manipulados que se tentou descredibilizar, chamo a atenção para algumas frases proferidas pelo Prof.Galvão Teles:

-Os medicamentos são fundamentais como complemento no tratamento da obesidade e obviamente usados. Disse-o claramente na primeira intervenção. Os produzidos pela indústria farmacêutica, entenda-se, que na sua opinião são uma garantia de qualidade(foram inclusivamente citados nomes de companhias e marcas).
-Os medicamentos manipulados, ou seja, efectuados nas farmácias ( o caso dos que usa o Dr. Tallon), são perigosos e a sua produção não é controlada, usando constituintes com efeitos "gravíssimos".

Respondeu e muito bem o representante do INFARMED que:
A manipulação de medicamentos prescrita por um médico é legal. E é.
É obrigatória a discriminação de todos os constituintes usados na sua feitura, no rótulo da embalagem -o que acontece presentemente. Todos os produtos químicos usados no momento, são legais e em doses legais.
A verificação desses constituintes e da correspondência das doses encontradas com a mencionada no rótulo, é feita.
As condições de fabrico são controladas.
Acrescento que não só foram obrigatoriamente retirados -há anos-alguns desses constituintes considerados perigosos (o tão falado caso da hormona tiroideia) dos manipulados, como há igualmente medicamentos produzidos por laboratórios para tratamento da obesidade já retirados do mercado pelos seus efeitos secundários.
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Não se pode, portanto, concluir daqui que os manipulados são menos seguros. Aliás, nem na prática clinica tenho, ou conheço quem tenha, tal experiência. E são milhares de doentes a fazê-los, até com melhores resultados. Incómodo, de facto.
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o programa pode ser revisto aqui

Comentários

Anónimo disse…
http://www.youtube.com/watch?v=sfRZepKEwlQ

Quando oiço esta música, lembro-me de si ! ... vá-se lá saber porquê ??? Coisas da psi...! (É uma música muito bonita. Eu gosto !:-))

qto. às "adiposidades", pareceu-me ouvir o Dr. Galvão Teles dizer que daqui a uns anitos ainda vamos ser mais gordinhos ...!

Olha que "bom" ! Que isso signifique, que pelo menos vamos ser mais dispostos. Ainda não conheci um ou uma gordinho(a) que tenha mau-humor.

beijos

E viva o 1º Maio, Cristina !
Anónimo disse…
bem dispostos (enganei-me) sorry
Mel disse…
a mim medicamentos p emagrecer de tallon e pseudos tallons não me convencem...há profissionais de saúde mais capazes de nos ajudar...
digo eu na minha humilde opinião
Cristina disse…
immortal

a questao aqui, tem contornos muito complicados, não estão no texto, estao nas entrelinhas.

alem disso, se os endocrinologistas soubessem tratar obesidade não havia tantas clinicas Tallon. este ao menos, deixou-se de pruridos, assume ao que vem e controla o seu prorio negocio, nem precisa de ser professor nem de laboratorios....
Anónimo disse…
Falar de medicamentos pressupõe à partida um interesses que vai muito além da saúde e do bem estar das pessoas.
Todos sabemos que leva demasiado tempo até um medicamento ser retirado do mercado porque outros interesse se levantam e outros caminhos são percorridos até arranjarem um substituto para o que foi retirado...
É obvio que falo dos medicamentos no geral e não daqueles que foram falados no programa que tinha como tema a obsidade.

O Prof. Galvão Teles levantou uma questão que ninguém consegui responder e que foi, porque é que só existem modificados para a obesidade, voltando a perguntar se existiria outra doença que era tratada por modificados.
O representante do INFARMED dizia que sim, mas que de momento não se lembrava de nenhum nome...

Não vou discutir acerca da viabilidade ou da segurança que pode ter o consumo dos manipulados em detrimento da medicação convencional (e vice-versa) até porque sendo a obesidade uma doença grave, que precisa ser acompanhada devidamente e onde o rastreio é fundamental, é também uma doença que está revestida de comportamentos erróneos, onde o desconhecimento por parte da população daquilo que não deve ser feito é visivel.
Penso que um dos (muitos) exemplos dados ontem vem demonstrar o desconhecimento geral por parte das pessoas relativamente à medicação: "uma senhora estava à mesa com uma amiga a comer uma grande fatia de bolo de chocolate e disse para a amiga: estás a ver, agora não preciso preocupar-me porque estou a tomar medicação para o colesterol e por isso posso comer este bolo à vontade"....e aquele exemplo das pessoas que compram umas palmilhas que fazem emegrecer?!

É esta cultura do desconhecimento que permite muitos profissionais terem posturas pouco estruturadas a nivel de um acompanhamento devido da obesidade e daí a aparecer os modificados e exemplos de Tallons é um ápice.
As pessoas acreditam no conto do vigário.

Foi um programa que deixou muitas pontas soltas no que se refere à fiscalização e acompanhamento devido, quer no que se refere aos modificados quer à outra medicação. Fica no ar a capacidade por parte do INFARMED de legislar, vigiar, inspeccionar os medicamentos (incluindo os modificados).
As industria farmaceuticas têm muitas caras onde cada vez mais as pressões dos gigantes da industria aumentam, a contrafacção, o comercio ilegal, medicamentos genéricos (as ameaças aos genéricos tailandeses, por exemplo)...é um mercado em mutação.
Cristina disse…
dalloway

é evidente que as pessoas acreditam em tudo..

o tipo do Infarmed, não o entalou porque não quis...lol

precisamente porque o tratamento da obesidade é multifactorial, presta-se a isso.

deixo-lhe um uma equação simples:
um obeso vai a uma consulta multidisciplinar. imagine agora:
o endocrinologista receita um inibidor do apetite, ou um dos medicamentos da propaganda que diminuem a absorção das gorduras, que os ha e eles usam.
vai ao psiquiatra que atendendo ao factor tambem importante da falta de auto estima, depressão etc, receita um antidepressivo, que tambem ajuda.
depois, o doente tem tendencia a reter liquidos ou é obstipado e junta-se um diuretico ou um laxante, que tambem ajuda.e por aí fora..
não é isto uma forma de manipulação? ou seja, juntar um grupo de compostos para determinado efeito final...

tudo dentro da normalidade da industria de referencia que ate subsidia esse grupo de multidisciplinar...

depois vem o Tallon, junta aquilo tudo numa capsula, contrata uma farmacia que o fabrique "borrifa-se" no circuito da industria, gere ele o proprio negocio e facilita a vida e as consultas a essa gente toda. de forma eficaz, diga-se.
até acredito que tenha havido laboratorios interesados em comercializar essa "mistura, só que ele NÃO PRECISA DELES, aí é que está o drama.

o que é que acha que os "professores" do famoso grupo multidisciplinar e os laboratórios vão achar do assunto?

pozé...

além disso, nao sei se se lembra, foi retirado ha tempos um medicamento "credenciado" pelos laboratorios oficiais porque provocava fibrose pulmonar.

não conheço nenhum caso igual nos compostos do Tallon...

não lhe sugere nada, isto?

beijos
Cristina disse…
ahhh só para dizer que o Tallon não me dá nenhuma percentagem no negócio...:p
Mel disse…
ah!agora já fiquei a perceber um cadito melhor :)
Anónimo disse…
Sugere tanta coisa que o espaço que devo utilizar no seu blogue não chegaria.

Eu não tenho nada contra Tallon nem mesmo o contra Fernando Póvoas até porque ele também produz modificados.

Aquilo que nos apercebemos é que o número de medicamentos aprovados pela Food and Drugs Administration - FDA - (departamento para a regulamentação sanitária) tem vindo a descer desde 1996, e houve apenas 20 aprovações em 2005. Foi o segundo valor mais baixo em termos de aprovações na história do departamento. Deficiências na ultima etapa de desenvolvimento clinico, a chamada Fase III, foram especialmente penalizadoras. Os ensaios da Fase III consomem 70% dos custos de desenvolvimento clinico e 40% dos compostos falham agora nesta etapa final, contra apenas 20% há 10 anos. Metade dos "chumbos" resultam da incapacidade para demonstrar a sua superioridade em relação a um placebo, 30% devem-se a problemas de segurança e 20% são devidos a não se verificarem vantagens relativamente às terapias exstentes.

As preocupações relativas à produtividade da industria farmacêutica são resultado de dois factores distintos. Um é difícil de alterar: a escassez de objectivos de fácil acesso, visto que já foram todos explorados. O outro é mais maleável: as actuais estruturas de gestão, que não só não incentivam a criatividade e inovação como tendem a aniquilá-la.

Se colocarmos esta perspectiva nas consultas diárias que são dadas por este mundo fora, apercebemo-nos que o chamado grupo multidisciplinar está agarrado a interesses intrinsecos de uma industria que favorece a manipulação e ao fazê-lo as únicas pessoas prejudicadas são os pacientes.

Se pararmos um pouco e olharmos para um estudo de 1999 feito pela OMS (organização mundial de saúde) acerca da percentagem da população que não tem acesso a medicamentos essências (por região) temos :
India - 65%
África - 47%
Médio Oriente - 29%
Sudeste Asiático - 26%
Américas - 22%
China - 15%
Europa - 14%
Zona do Pacifico 14%

TOTAL:
1.725 milhões de pessoas = a 30% da população mundial que não tem acesso a medicamentos essenciais!

Palavras para quê?!
Anónimo disse…
Gostei do post e além disso achei-o útil.

Os comentários foram uma achega preciosa.

Só em Portugal há esta guerra contra manipulados e medicinas e medicamentos alternativos.

O que se devia fazer, a meu entender, era andar a verificar as condições da prática dessas medicinas e obrigar a que exista qualidade, em vez de se fazer uma guerra da qual os únicos prejudicados são os que acreditam nelas e não sabem quem é aldrabão ou não.

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