a puta da memória é quase sempre curta. Pelo menos para alguns...


Li por aí num blog, e não será o único no mesmo sentido, a propósito das eleições francesas o seguinte:
«Um total de 730 carros foram queimados em França e 592 pessoas foram detidas na madrugada dque se seguiu à segunda volta das eleições presidenciais" (dd)
Há uma certa rapaziada de esquerda que lida mal com a democracia, principalmente quando a maioria não acolhe as suas ideias....» .
«Um total de 730 carros foram queimados em França e 592 pessoas foram detidas na madrugada dque se seguiu à segunda volta das eleições presidenciais" (dd)
Há uma certa rapaziada de esquerda que lida mal com a democracia, principalmente quando a maioria não acolhe as suas ideias....» .
Em Novembro de 2005, escrevi um post sobre os incidentes nos subúrbios de Paris, baseado em artigos da BBC que dizia:
O modelo social francês de integração morreu...
Na verdade, existem duas Franças.
Veja-se o caso de Clichy-sous-Bois, ao nordeste de Paris, um subúrbio com prédios hediondos, erguidos à pressa – e pelo menor preço possível –, a partir dos anos 50. Naquela época, os habitantes das colónias francesas no norte da África foram encorajados a vir trabalhar aqui. Fizeram parte do crescimento económico.Hoje, após décadas de desemprego crónico, metade dos habitantes de Clichy-sous-Bois têm menos de 20 anos de idade e o nível de desemprego é de 40% - na França como um todo é de 10%. Eles ainda não passaram por discriminações no mercado de trabalho, mas a escola dessas periferias também não funciona como um elemento de integração social, disse à BBC Brasil Imed Midouni, responsável do centro educativo Trampolim para a Inserção, em Val de Marne, na periferia de Paris: "Nas escolas dessas zonas urbanas sensíveis não há nenhum mix social e cultural. As crianças e jovens só convivem com pessoas que também são de origem imigrante. Tudo é propício à criação de guetos", diz ele, que recebe jovens enviados por um juiz da vara de infância e adolescência e tenta inserir socialmente e profissionalmente os delinqüentes juvenis. É uma espécie de última oportunidade antes da prisão.Midouni afirma que "a onda de violência é motivada por um sentimento de injustiça e de pouca perspectiva diante do futuro. Além disso, esses garotos de pouca idade convivem no dia-a-dia com adultos desempregados, que sofrem discriminação e enfrentam inúmeras dificuldades".Ele não acredita que os adolescentes se tenham juntado a jovens na faixa de 18-20 anos para destruir prédios e queimar carros simplesmente por diversão, como comentam alguns parisienses em relação ao assunto. Para ele, esses garotos sentem uma verdadeira revolta.Traficantes de drogas e pequenos criminosos deambulam pelas ruas. Muitos dos jovens envolvidos nos confrontos são netos dos que vieram do norte da África, nasceram na França, mas são tratados como cidadãos de segunda categoria.Eles têm, por exemplo, maior dificuldade para encontrar empregos devido aos seus nomes árabes. Dos 60 milhões de franceses, 5 milhões são muçulmanos, porém não há sequer um deputado muçulmano na Assembléia Nacional. Por sua vez, a polícia tem sido atacada pela maneira como trata os muçulmanos; em Abril, a Amnistia Internacional julgou que ela goza de ‘’impunidade generalizada’’ quando lida com imigrantes. Nicolas Sarkozy, o ministro do Interior, chamou aos jovens responsáveis pelos primeiros incêndios, "escória". A ira dos jovens só aumentou.
Terá alguma coisa a ver com "isto"? ao que parece, por ali, há coisas que não se esquecem...
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Comentários
Está lá tudo o que viria a acontecer com o "multuculturalismo à Mitterand" que mais não foi que construir guetos nos subúrbios e que dá razão a tudo quanto aqui bem enuncias.
Que anda a menina a fazer que este blogue, um dia destes, deverá ser obrigado a mudar o nome de "Contra Capa" para "Capa" ou "1ª Página"?
Parabéns..., pelo trabalho e, sobretudo, pela inteligência.
Eu nem vou discutir o resultado destas eleições porque não foi nenhuma surpresa com a agravante de perceber que os franceses teimam em não querer aprender (quer na esquerda quer na direita).
Já não bastava não gostar de Sarko com o seu 1,60 (isto é lá tamanho que se preze?), do seu comportamento enquanto ministro do interior e da sua campanha para estas eleições, para agora deixar de ver Madame Ségolène quase diariamente nos meios de comunicação.
Acho mal,mas mesmo mesmo mal...prontus.
A memória recusa sempre o auxiliar quando este demonstra uma verdade inconveniente...
É a opinião dele, transcrita pela BBC Brasil. E depois?
Vejam lá, imagine-se que não têm representação parlamentar!!! Se não têm é porque não foram eleitos, ou não concorreram a eleições. O que é que isso tem de anormal?
Os Midouni da "velha Europa", que são aos milhões, tudo boas almas, puseram-na de cócoras e para esses, de facto, está criado um problema. Espero bem que sim.
Quanto ao vandalismo incendiário dos "jovens", o que sugeres que se lhes chame?
a opinião de Imed Midouni, responsável do centro educativo Trampolim para a Inserção obviamente não vale nada...já a resposta de um ministro do interior: ESCÓRIA! foi inteligentissima!!
mas como este ministro até foi eleito Presidente, portanto reafirmo que só pode ser inteligentíssimo senão não o tinham eleito, chamo como ele: escória. quem sou eu para discordar....
ps-só tenho pena que Ségolène não lhe tenha lembrado esta frase quando ele lhe disse que uma "futura presidente" não se podia descontrolar nem ser agressiva...
;)
Quanto à escória, imagina só que tinhas ido dar um passeio até Paris, de carro, e que ele era um das centenas de carros incendiados.
Imagino, numa circunstância dessas, a tua complacência para com a escória...
Bjos
ainda bem que deste esse exemplo..
vou a Paris e vejo o meu carro a arder. é óbvio que não gosto. mas se vir a policia de choque cair em cima das pessoas também não gosto.seguramente.
é bom que compreendas que a violencia é bilateral.
só que esses vandalos são usados para eleger gente que exerça violência...estás a ver a subversão da coisa?
de que lado está a moralidade? de algum deles? dos dois? de nenhum.
muito obrigada:)
visitarei...
não me envergonhes...lol
não é inteligencia, é atenção.:))
um beijo grande.
Eu também não suporto a violência, mas não admito que um bando de energúmenos me incendeie o carro!
E muito menos concebo que a autoridade do Estado caia na rua, às mãos de jovens descontentes, seja lá com o que fôr.
Como diria o George Carlin, fuck them!
a frança tem um problema com imigrantes e não pode resolvê-lo com um presidente que é adepto de uma solução dessas, que ha dois anos vinha para a rua atiçar!. criaram os guetos e agora, põem arame farpado à volta? expulsa-os? fecha as fronteiras? alguém acredita que isto é possivel?
não!
então porque é que ele incendiou os ânimos...porquê? quando uma coisa destas acontece, só tem duas interpretações:ingenuidade ou filha-da-putice. e ele ingénuo não é.....não vês que foi esta escória que o elegeu?
tão simples como isto.
e era a isso que segolene se referia quando receou que a vitória de sarkozy tivesse esta consequência.
ela, mais 17 milhões de franceses, e eu. pelos vistos, cristina, há coisas que não é mesmo possível esquecer...
belo post, belos comentários, mais uma vez.
Eu concordo com as seis em conjunto
Tenho boas notícias para alguns de vós.
Quem as dá é o Senhor Doutor Domingos de Andrade subdirector do Jornal de Notícias:
Reza ele, assim:
1.Jardim não ganhou. Ganhou o populismo fácil.
2.O socialismo de Ségolène não perdeu. Ganhou o discurso fácil de Sarkozy
Provavelmente virá dizer que os carros se incendiaram sozinhos incomodando pacatos transeuntes que por ali passavam.
Et voilá…
JMC
A história dos "pieds noirs" remonta ao colonialismo mais sabujo, que sempre foi o francês, à retirada vergonhosa da Argélia e ao preço que entenderam querer pagar por essas humilhações.
Não é um problema que tenha nascido agora, longe disso.
Com o cabotinismo socialista que dominou a França nas últimas décadas, é evidente que os problemas se agudizaram a tal ponto que é necessário, agora, pôr-lhes um travão.
Cabe a este senhor o papel histórico de acabar com aquela bagunça. Azar o dele, sorte nossa, da Europa.
Com a atracção fatal que a decadente Europa tem por tudo o que é periférico, de "banlieu", é evidente que com aquela menina que queria ser presidente as coisas seriam mais "doces".
Mas os tempos já não estão para doçuras. Os problemas estão aí, a crise da Europa é profundíssima, a nível económico, científico, demográfico, cultural, etc. etc.
Acabou o regabofe multiculturalista, uma sombra chinesa da nossa inércia e da nossa capitulação. Talvez já não vamos a tempo. Mas, agora, há a esperança de que aquele imenso país, que já foi grande, se redima das asneiras históricas com que tanto contribuiu para a nossa decadência.
Personalizar em Sarkozy, ou noutro qualquer, aquilo que tem que ser feito, é indiferente.
Beijinho
pois é, ás vezes é preciso atear o fogo para, pelo menos, convencermos os outros de que os vamos fazer acordar em prados verdejantes :)
e eles acreditam...:))
eles, os verdadeiros franceses sim, agora os que eles incentivaram a ir para frança trabalhar e não souberam integrar é que não...
beijos
sarcozy tem um discurso fácil?? ui.ui...
tem um discurso estudado ha pelo menos 2 anos..
nós sempre convivemos muito melhor com os nossos imigrantes que eles.
problemas teremos se o Sr resolver devolver-nos os emeigrantes lol, mas não. não vai acontecer nada disso..nem com os tugas nem com os outros..
beijos
não confundas a frança com o resto...tem ali a suiça ao lado, que tem quase mais imigrantes que suiços, vês algum drama? rebeliões? protestos? os que la estão estão bem integrados. tens o luxemburgo...enfim...o texto do post explica bem como se criaram estes antros de violência. enquanto precisaram deles, não se preocuparam com isso. enquanto havia bairros de lata cheios de portugueses de quem eles precisavam para trabalhar e a quem ainda hoje tratam como criados, tambem não se preocuparam porque estes nem tinham tempo pra protestar. agora as gerações seguintes, é outra coisa, fia mais fino, são franceses e exigem o mesmo que os outros. azar... mas entretanto, está feito. solução?
alege-se alguém que dê cabo deles.
foi nisso que sarcozy apostou quando ajudou a atear a fogueira.
apostou em ser Presidente da frança, ponto final
acabou o regabofe?? lol, bem, sempre pode fazer como o Hitler...não sei é se tem tomates pra tanto....:)))
Já era de prever que isto viesse a acontecer.
Quem é que e porquê pôs a polícia anti-motim de prevenção?
Eu não fui...
Falo-te em alhos, respondes-me em bugalhos.
1- não comparo a França com nada, muito menos com a Suíca. Conheço as duas demasiado bem para confundir;
2- não confundas tu a origem dos emigrantes em França com os dos outros países que mencionas;
3- "exigem o mesmo que os outros", pois, mas isso vai acabar, porque para exigir é preciso dar e já lá vai o tempo em que os Estados europeus se vergavam a todas as exigências, porque havia dinheiro para as pagar, e agora não há;
4- "elege-se alguém que dê cabo deles" é uma frase, no mínimo, ingénua. Quem o elegeu não foi nenhuma entidade anónima ou secreta. Foram franceses, aqueles que querem trabalhar e não ter de suportar o terror que os "exigentes" da segunda geração querem impôr para, à custa do Estado, poderem chantagear toda uma sociedade.
Como a política não é um exercício confessional, só pode apoiar a escória contra a Lei, que é universal, quem fizer da política um acto de fé a reboque de uma opinião publicada que, essa sim, tem, em Portugal, uma génese ideológica que radica no pior daquilo com que a França nos presenteou nos últimos 40 anos.
"Duplicidades: tivesse a extrema-direita em qualquer país europeu, ou em todos juntos, incendiado centenas de carros e provocado motins políticos anti-democráticos contra um resultado eleitoral, e havia um clamor gigantesco. Onde está sequer um pequeno clamor, um fiozinho de clamor, um esboço de indignação, uma pequena preocupação? Em lado nenhum. Repito o que já disse: o discurso do "políticamente correcto" não pode incorporar a violência da extrema-esquerda, mesmo quando ela é absolutamente evidente."
JPP
Agora compreendo melhor porque detestas esta pessoa.
"Violentos distúrbios em França, pelo segundo dia consecutivo: 730 viaturas destruídas e 78 polícias feridos só em Paris. É clara a intenção da oposição informal de fazer marcação imediata de terreno contra Nicolas Sarkozy, obtendo a vingança das ruas contra o veredicto das urnas. O presidente eleito tem uma tarefa muito difícil pela frente: reformar o mais irreformável país europeu, em que o défice da oposição política é compensado pelas pressões sociais, manifestadas nomeadamente através do poderoso aparelho sindical. Como enfrentar este desafio sem perder a sua base eleitoral de apoio é o teste mais sério à liderança de Sarkozy. Que - não esqueçamos - ganhou este escrutínio também pelo mérito de falar claro num país onde os políticos adoram enrolar as palavras. Bastou-lhe chamar escumalha à escumalha para fazer toda a diferença."
Pedro Correia, em Corta Fitas
"Subscreveria quase da primeira à última palavra, com as vírgulas todas que lá estão, o artigo de Helena Matos no Público de hoje, “Paris já está a arder?”. Sarkozy ganhou as eleições no dia em que chamou racaille “aos grupos que incendiavam, agrediam e mataram nos arredores das cidades francesas”. Vivemos numa sociedade muito esquizofrénica. Os nomes que intuitivamente vêm ao espírito entram em conflito com as explicações e argumentações pré-fabricadas que são o nosso hábito de pensar. E as explicações e argumentações, divorciadas do real, afastam-nos de qualquer intuição. Convém, é claro, desconfiar das “intuições”. Mas às vezes convém também inflectir na sua direcção, quando as “explicações” saturam tudo. Foi o que Sarkozy fez, e ganhou. A realidade, péssima e desagradável, merece atenção. No inconsciente, de acordo com um autor célebre, nada é contraditório. Na realidade, como o mesmo não se cansou de sublinhar, é. E, às vezes, muito."
Paulo Tunhas, em Blogue Revista Atlantico
não só não comparo os imigrantes de França com os dos outros países como te digo que não têm mesmo nada a ver sabes porquê?? porque cada país tem os imigrantes que merece, e os franceses merecem os imigrantes que têm.
respondi-te EXACTAMENTE ISSO.
a frança colhe o que semeou.e o que semeou foi ódio, desprezo e altivez sobre quem vem de fora.
ja aqui o disse e repito: os franceses são xenófobos elitistas e têm um camuflado complexo de superioridade sob a bandeira da liberdade, fraternidade e da igualdade. não são nada disto, ja nem sequer é o país do bluff...ok assumam as coisas, de facto, a democracia parece ser claustrofóbica.
alguma honestidade reconheço ao Pinto Ribeiro (ja que citamos bloggers):
«Por mim, recusando diktates de esquerda, não abdico do meu Direito, certo ou errado, de pensar e de dizer que enquanto cidadão português não quero estrangeiros no meu país ou de que não gosto de pretos, brasileiros ou chineses. Eu como qualquer um tem o direito de, sem atentar contra a integridade física de terceiros, ser xenófobo, racista, o que quiserem. A Democracia é também isso. Queiram, ou não.»
nem mais...
prontuuus, que vivam felizes com o seu presidente Judeu húgaro, pro-americano, islamofóbico ...lol
esquizofrenias.... não me parece produtivo nem esclarecedor mais palavreado. espero que pelo menos reconheças que isto é uma troca de opiniões: tu dás a tua, eu dou a minha
dizes tu que as exigencias de igualdade "vão acabar". que bom, vai ser o paraíso :))) esquecem-se que esses também são franceses....mas claro, uns são mais que outros.
please try to translate my last coment here. it says what i think about.
yes, its a sad day. even you, so far away and being american, can see it. yhank you.
big kiss
Os que queimam carros viveram nos guettos (convém dizer que os nossos imigrantes vivem bem pior)desde que nasceram, que tiveram que endurecer-se num mundo de insuficiência educacional e cultural, cujas famílias, aculturadas e desorientadas, são incapazes de transmitir valores. Alimentam fantasias consumistas com pequenos tráficos, e afirmam-se pela violência porque já não têm mais nada... O que é que Sarkosy lhes vai trazer ? repressão, só, porque a taxa de desemprego é grande e que o mercado de trabalho não se vai abrir de repente para absorver jovens que não têm a mínima literacia exigível... já é difícil para os outros que têm diplomas proficionais ou universitários, mas destes ninguém fala...
Compreendo muito bem estas situações, por razões profissionais, cruzei muitos destes jovens e presenciei tudo isto. Não quero com isto dizer que não haja nada a fazer para acertar os relógios. Temo que Sarkosy queira, apenas, resolver a questão pela repressão e por políticas que não terão nada de sociais aproveitando para intruduzir, progressivamente, um controle securitário tão defendido por le Pen e que já foi iniciado pela promulgação de algumas leis por Sakosy ministro do Interior.
nem mais, foi por aí que começou este post, pela razão de existir "daqueles" imigrantes. Viva a França.
mas talvez seja bom, às vezes é preciso cair para se perceber que é preciso evitar tropeçar.
ficamos cá pra ver.
beijos, vi o seu post, muito bom!
Mas por outro lado, quem anda a deitar fogo a carros apenas reforça a ideia inicial. Trata-se mesmo de terroristas urbanos.