caramba, será que aquelas crianças deram todas autorização para serem fotografadas? foram os pais que deram? ai...isto éticamenente tem tanto que se diga.
infelizmente conheço-o na pele... tive a grande vantagem de poder ter na mão o curso dos acontecimentos a partir do diagnóstico. de poder reduzir ao mínimo o sofrimento, desde a paragem de investimentos agressivos e inuteis fazendo em casa tudo o que era preciso para o bem estar dela,durante 3 anos, até ao momento final, em paz, ao nosso colo. essa possibilidade, agradeço a Deus, se existir.
a coisa que mais me afligiu, sempre, foi o sofrimento fisico das crianças com medidas intempestivas que não alteram o final (muitas vezes cedendo à pressão brutal da familia). não ha nada pior que ver uma criança morrer em sofrimento. eu vi crianças que estendiam o braço sem um ai. desistiam da vida, ja sem força para se revoltar porque sabiam que não eram ouvidas em toda aquela loucura insana do "tudo por tudo" sem um objectivo válido....é das piores imagem que se podem guardar.
ja é muito diferente se o objectivo for curativo, obviamente.como o caso das leucémias. aí "vale a pena sofrer" um tempo e explicar-lhes isso.
é nestas alturas («não ha nada pior que ver uma criança morrer em sofrimento») que dou graças a todos os santos por nunca ter tido queda para a área científica e, nela, a da saúde.
Eu sabia, e não sabia, e agora fiquei a saber mais ... Querida Cristina, desculpe-me, se o tema ...
E não digo mais nada. porque ...
um abraço sentido, apertado ... um abraço mesmo.
Anónimo disse…
Depois de ver o site deixado pela 'pezinhos', lembrei-me de uma exposição que fui ver este ano (em lx) sobre a morte onde as fotos eram todas elas de doentes terminais. Uma exposição de tirar a respiração onde estavam incluidas algumas frases de algumas dessas pessoas (algumas delas já tinham morrido aquando da exposição). Ainda bem que fui ver essa exposição
Quanto às crianças... Ver uma criança a sofrer deixa-me desiquilibrada, com vontade de gritar com o mundo...dar o que tenho e aquilo que nem imagino ter. Jamais esquecerei gestos, frases, perguntas, desenhos, brincadeiras que tive com uma menina chamada Ana. Era uma doente oncológica como muitas que conheci.
Na altura trabalhava com doentes oncologicos mas adultos e sempre 'fugi' (ou adiei) confrontar-me com essa doença nas crianças... Um dia estava de saída e decidi 'visitar esse' mundo das crianças... Resumindo: apaixonei-me em especial pela Ana o que fez com que as minhas idas ao andar das crianças fossem assiduas...mais do que alguma vez imaginaria ou gostaria... Jamais esquecerei o que vi, ouvi, senti... O mais dificil é saber lidar com o sentimento de impotencia perantes determinadas situações e ser capaz de não transmitir isso mesmo, mas fazer isso no mundo das crianças é dificil e foi dificil para mim...apesar de achar que consegui fazê-lo!
Oh pezinhos na areia...as coisas que V.Exa me faz pensar.
são dificeis sim, muito. mas talvez fosse útil escrever sobre isso. sobre a morte e a dignidade com que se morre, o que tratando-se de crianças, é mais aflitivo ainda. nessa fase, talvez tenha sido a altura em que realmente valeu a pena ser médica, sendo mãe. porque com os outros doentes, outras pessoas poderão decidir, ali não.
sempre lidei bem com a impotência no sentido de que sou bastante "fria" em relação ao que é sensato em termos do sofrimento fisico que provocamos aos outros e o que é totalmente desnecessário. com as crianças perdemos com mais facilidade essa noção na tentativa de que alguma coisa resulte, que haja milagres, e esquecemo-nos que os estamos a privar de uma morte digna e que muitas vezes o maior acto de amor é desistir. é nesse sentido que digo que tive o privilégio de poder ter esse controlo desde o pricípio. a noção exacta de até onde podia ir e quando devia parar e esperar dando o melhor fim possivel.
a proposito do tema lembrei-me de uma cena d' "as horas" entre Dalloway e Richard que traduz tudo o que sinto
Richard: - i have stayed alive for you, but now you have to let me go..
Dalloway: -...
Richard: - tell me a story....
é isso. se pelo menos conseguissemos sempre parar para contar uma história...
não tem problema nenhum...às vezes é bom falar destas coisas e eu não as evito, quando é caso disso.
nunca escrevi sobre isto, sobre a dignidade da morte nas crianças por receio de não encontrar um equilibrio entre a lamechice e a crueza das palavras.
mas se acharem que seria útil posso tentar.
um beijo, não se sinta incomodada, a sério. quando as coisas na nossa cabeça estão bem definidas tudo se torna mais simples. doloroso, mas simples.
um beijo
Anónimo disse…
é uma técnica de marketing. b.f.semana
Anónimo disse…
Cristina, eu não sabia da sua história e dificilmente saberei dizer-lhe o que quer que seja, ainda mais a nivel virtual! Concordo com o que diz: "...que muitas vezes o maior acto de amor é desistir." Sou "fria" em determinadas situações, mas a Ana conseguiu por à prova as minhas fragilidades... e eu não sou mãe
Quando penso no filme "as horas" a primeira imagem que me lembro é precisamente essa que a Cristina falou porque transmite tanta coisa. Eis uma imagem e dialogo (apesar de ter lido o livro anos antes), não deixou de me surpreender e incomodar.
Sofia, não tem que se desculpar nem sentir-se incomodada por ter trazido este assunto à baila. A vida também é feita destas coisas.
Comentários
É a inovação em gás total.
:)
é só colocar o espelhinho do baton por baixo do post e fica tudo nos conformes...:))
lá está..... nunca menosprezem uma mala feminina. :)))
beijocas da Mc cristina Gyver
http://www.pulitzer.org/year/2007/feature-photography/works/
bjinho
(a menina é que sabe tratar bem destes assuntos)
caramba, será que aquelas crianças deram todas autorização para serem fotografadas?
foram os pais que deram?
ai...isto éticamenente tem tanto que se diga.
Um bom domingo para vós
cs
infelizmente conheço-o na pele...
tive a grande vantagem de poder ter na mão o curso dos acontecimentos a partir do diagnóstico. de poder reduzir ao mínimo o sofrimento, desde a paragem de investimentos agressivos e inuteis fazendo em casa tudo o que era preciso para o bem estar dela,durante 3 anos, até ao momento final, em paz, ao nosso colo.
essa possibilidade, agradeço a Deus, se existir.
a coisa que mais me afligiu, sempre, foi o sofrimento fisico das crianças com medidas intempestivas que não alteram o final (muitas vezes cedendo à pressão brutal da familia). não ha nada pior que ver uma criança morrer em sofrimento.
eu vi crianças que estendiam o braço sem um ai. desistiam da vida, ja sem força para se revoltar porque sabiam que não eram ouvidas em toda aquela loucura insana do "tudo por tudo" sem um objectivo válido....é das piores imagem que se podem guardar.
ja é muito diferente se o objectivo for curativo, obviamente.como o caso das leucémias. aí "vale a pena sofrer" um tempo e explicar-lhes isso.
enfim,, Sofia...temas dificeis.
um beijo
é nestas alturas («não ha nada pior que ver uma criança morrer em sofrimento») que dou graças a todos os santos por nunca ter tido queda para a área científica e, nela, a da saúde.
um abraço.
E não digo mais nada. porque ...
um abraço sentido, apertado ... um abraço mesmo.
Ainda bem que fui ver essa exposição
Quanto às crianças...
Ver uma criança a sofrer deixa-me desiquilibrada, com vontade de gritar com o mundo...dar o que tenho e aquilo que nem imagino ter.
Jamais esquecerei gestos, frases, perguntas, desenhos, brincadeiras que tive com uma menina chamada Ana. Era uma doente oncológica como muitas que conheci.
Na altura trabalhava com doentes oncologicos mas adultos e sempre 'fugi' (ou adiei) confrontar-me com essa doença nas crianças...
Um dia estava de saída e decidi 'visitar esse' mundo das crianças...
Resumindo: apaixonei-me em especial pela Ana o que fez com que as minhas idas ao andar das crianças fossem assiduas...mais do que alguma vez imaginaria ou gostaria...
Jamais esquecerei o que vi, ouvi, senti...
O mais dificil é saber lidar com o sentimento de impotencia perantes determinadas situações e ser capaz de não transmitir isso mesmo, mas fazer isso no mundo das crianças é dificil e foi dificil para mim...apesar de achar que consegui fazê-lo!
Oh pezinhos na areia...as coisas que V.Exa me faz pensar.
Bom feriado
já não sei que palavras hei-de escrever ... sobre o site.
Ou talvez apenas uma baste:
- A.M.O.R.
um beijo para si.
Deixei lá uma música, que vos inclui.
Está no dia de hoje, 7 Junho:
http://pezinhosnaweb.blogspot.com/
Beijo
são dificeis sim, muito. mas talvez fosse útil escrever sobre isso. sobre a morte e a dignidade com que se morre, o que tratando-se de crianças, é mais aflitivo ainda.
nessa fase, talvez tenha sido a altura em que realmente valeu a pena ser médica, sendo mãe. porque com os outros doentes, outras pessoas poderão decidir, ali não.
obrigada, um beijinho para ti também :)
sempre lidei bem com a impotência no sentido de que sou bastante "fria" em relação ao que é sensato em termos do sofrimento fisico que provocamos aos outros e o que é totalmente desnecessário.
com as crianças perdemos com mais facilidade essa noção na tentativa de que alguma coisa resulte, que haja milagres, e esquecemo-nos que os estamos a privar de uma morte digna e que muitas vezes o maior acto de amor é desistir.
é nesse sentido que digo que tive o privilégio de poder ter esse controlo desde o pricípio. a noção exacta de até onde podia ir e quando devia parar e esperar dando o melhor fim possivel.
a proposito do tema lembrei-me de uma cena d' "as horas" entre Dalloway e Richard que traduz tudo o que sinto
Richard:
- i have stayed alive for you, but now you have to let me go..
Dalloway:
-...
Richard:
- tell me a story....
é isso. se pelo menos conseguissemos sempre parar para contar uma história...
um beijo.
pois tens meu lindo, mas usa-lo pouco :))
beijocas ó ave d'arribação.
não tem problema nenhum...às vezes é bom falar destas coisas e eu não as evito, quando é caso disso.
nunca escrevi sobre isto, sobre a dignidade da morte nas crianças por receio de não encontrar um equilibrio entre a lamechice e a crueza das palavras.
mas se acharem que seria útil posso tentar.
um beijo, não se sinta incomodada, a sério. quando as coisas na nossa cabeça estão bem definidas tudo se torna mais simples. doloroso, mas simples.
um beijo
b.f.semana
Concordo com o que diz: "...que muitas vezes o maior acto de amor é desistir."
Sou "fria" em determinadas situações, mas a Ana conseguiu por à prova as minhas fragilidades... e eu não sou mãe
Quando penso no filme "as horas" a primeira imagem que me lembro é precisamente essa que a Cristina falou porque transmite tanta coisa. Eis uma imagem e dialogo (apesar de ter lido o livro anos antes), não deixou de me surpreender e incomodar.
Sofia, não tem que se desculpar nem sentir-se incomodada por ter trazido este assunto à baila. A vida também é feita destas coisas.
um beijo amigo para si Cristina