no entanto,



sempre tive para mim que devemos dar grande atenção às irritações e desabafos de cada um. É um exercício que faço desde sempre, porque é desses momentos que me fica o verdadeiro conhecimento das pessoas e dos factos, assim, quando as coisas saem sem tempo para auto-crítica.
E, defeito meu, pode mesmo ser a única coisa que fica, apagando tudo o resto. Definitivamente.

Da famosa entrevista, ficou-me o desabafo em jeito de contra-ataque e que a ninguém parece ter interessado:

"durante dois anos mexi em muitos interesses"(...)"descobrimos que, por exemplo, em alguns gabinetes de apoio ao deficiente havia uma coisa sórdida, mafiosa: classificavam como deficientes crianças que não são deficientes para que o Estado, via segurança social, lhes pagasse um subsídio de ensino especial. E os miúdos não eram deficientes, mas aproveitavam-se do facto de serem famílias pobres. Quando percebemos isto, fizemos um combate sem quartel . E reduzimos milhões e milhões de euros os encargos que à Segurança Social".
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Portanto, a coisa sórdida para Margarida é esta: alguém, sórdidamente, mafiosamente, extorquiu à segurança social "milhões de euros"....com que obscura finalidade? conceder às famílias pobres, provavelmente com "crianças-problema", duas ajudas : económica e acesso a ensino especial. Qual foi a única via que encontrou? declará-los, ilegalmente, "deficientes".
Mereceu-lhe alguma reflexão ou atitude especial este assunto? mereceu: Margarida, atenta, num combate sem quartel, detectou o crime. E fez justiça. A nação agradece.
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____Adenda_________
A Organização Mundial da Saúde (OMS), organismo sanitário internacional integrante da Organização das Nações Unidas, fundado em 1948, define saúde como “estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não somente a ausência de enfermidade ou invalidez”. A referência à ausência de enfermidade ou invalidez é componente essencial deste conceito de saúde e dele não deve ser separado sob pena de reduzi-lo à total utopia. Principalmente do ponto de vista médico.

Comentários

Anónimo disse…
E os que são realmente deficientes e que estão à espera do reconhecimento de tal facto?

Há algum combate, oficial ou não, para esclarecer e ajudar estes cidadãos?

Cristina, bom fim de semana e um beijinho.
Nilson Barcelli disse…
Não conheço a entrevista mas, porque estive ligado às IPSS durante uns anos, numa instituição e na direcção nacional/norte das IPSS, conheci de perto casos como o que é aflorado no excerto que reproduziste.
O que acontecia na altura era de uma perversidade que levava a que, por exemplo, muitas crianças não fossem adoptadas porque às instituições não interessava largá-las. Havia também uma trafulhice (é o termo) enorme nas listagens entregues à tutela (o número das crianças era intencionalmente maior que o real) de modo a aumentar o número de subsídios por mês atribuidos às instituições.
O dinheiro "a mais" que cada instituição recebia, muitas vezes era aplicado noutra valência (o que não era mau de todo...), mas noutras era utilizado em actividades alheias ao interesse das crianças (obras na sede paroquial, por exemplo) e casos havia em que o roubo em favor pessoal dos dirigentes era mais ou menos evidente.
Na altura (finais dos anos 80) foi feito e entregue à tutela uma espécie de livro branco (era muito negro...) sobre toda a problemática da criança. Que eu saiba, nada de significativo foi feito até hoje (adoptar uma criança, por exemplo, continua a ser extremamente complexo e moroso).
Não conheço a tal Margarida, mas tu e muita gente poderá estar a ser injusta com críticas que não têm em conta o verdadeiro contexto das ocorrências citadas.
Beijinhos.
Cristina disse…
nilson

o mundo da adopção é outro mundo e cheio de perversidades. tb sei que nem sempre é do interesse das instituições agilizar os processos.
essas fraudes de que falas são uma coisa diferente..

repara bem no que ela disse e o que valorizou da questão. uma mulher que tem responsabilidades na educação neste pais não pode analisar as coisas desta maneira, não pode.

isto é parecido com a analise dos juizes do acordão do pedófilo...


beijinhos
Cristina disse…
pendulo

é importante mesmo!! agora mais que nunca
Cristina disse…
reporter

bom fim de semana, beijinho
sem-se-ver disse…
eu fiquei a pensar quando li este pedaço da entrevista.

parecem-me ridículos, pelo menos excessivos, os termos que a senhora utiliza (mafia, milhões e milhões de euros, etc), embora eu não conheça os contornos do caso. reservo portanto a minha opinião.

contudo, a ser verdade, estava-se perante uma fraude, por melhores que pudessem ser as intenções que lhe presidiram. (e se calhar nem sempre o eram, atente-se no comentário do nilson)

as fraudes, quaisquer que elas sejam, são desprezíveis e condenáveis, do ponto de vista moral.

do ponto de vista jurídico, são ilegais.

muito mal ficaria a uma directora regional não as combater se fossem do seu conhecimento - aliás, a ausência de reacção seria, por si mesma, justificação para a demissão da senhora.

quem é funcionário público, ainda mais em cargos de responsabilidade, tem o dever público de combater este tipo de ocorrências. para isso, além de outras competências, são pagos pelo Estado (=nós).

tivera a directora regional sensibilidade humana, e cuidaria de accionar o que está previsto na lei para ajudar, via segurança social, estas crianças pobres. fê-lo? não sei. mas não me parece, pela forma como ela explica o que fez. mas isso é outra discussão.

seja como for, a questão de fundo quanto à acção desta senhora continua, para mim, após leitura desta entrevista, a mesma: neste país, democrático espera-se, ninguém pode ser perseguido por delito de opinião - tenha sido uma piada, um insulto, um trocadilho, o que for - proferido num contexto particular e não oficial. a constituição assim o dita, o direito à liberdade de expressão.
sem-se-ver disse…
e por esta razão a senhora teve uma atitude prepotente, de abuso de autoridade e inconstitucional, pelo que deve ser afastada do cargo.

(mas esperemos o desfecho, seja do processo disciplinar - !!!! - seja da acção interposta em tribunal pelo senhor afastado da dren)
Cristina disse…
sem-se-ver

o Nilson fala de dinheiro atribuido a instituições,com destino vago e duvidoso, ela fala de dinheiro e ensino especial atribido a familias pobres.

em relação às familias pobres, a ela, como responsável na educação, o que a preocupou? a legalidade, não a ajuda.

qual foi a sua coroa de glória? ter detectado o crime, a mafiazinha foi controlada, isso é que é importante, numa responsável pela educação.

é ilegal? é, portanto, o estado recupera os seus milhões e as familias voltam à miséria de sempre, encantados!

viva ela!
Cristina disse…
sabe que mais? eu até lhe desculpava a prepotencia se daí viesse melhoria para a vida das pessoas que tutela.

eu sei, que por vezes para conseguirmos coisas temos que usar de alguma prepotencia. não é isso que me escandaliza e como ja percebeu tenho pouco preconceito com os termos, depende da motivação.

mas esta senhora, não tem seguramente preocupações formativas, humanas, pedagógicas, nada. é um verdadeiro cão de fila, à antiga!

bj
sem-se-ver disse…
nao interpreto assim. essas familias pobres têm direito a subsidios atribuidos pelo sase. está consignado na lei e é pratica corrente.

outra coisa completamente diferente é inventar-se uma deficiencia para conseguir mais dinheiro, e através de outras vias.

isso é objectivamente uma fraude.

quem é deficiente tem direito a ajudas. quem não o é, não tem. quem não o é não pode invocar que o seja. prejudica - ou pode prejudicar -, aliás, quem o é.

para mim isto é líquido.
sem-se-ver disse…
eu nunca desculpo a prepotência. porque ela é indesculpável. e injustificável. sempre.

outro bj pra si.
Pêndulo disse…
O problema dessa fraude já é conhecido há muito. Ver aqui, por exemplo ou aqui. Podemos ver que, neste caso, a acção de Margarida Moreira foi positiva. Não pode ser tolerado que o dinheiro público seja atribuído fraudulentamente. Serem famílias carenciadas é uma desculpabilização curiosa. Quiçá algumas dessas famílias carenciadas o sejam por gastarem o dinheiro em vinho ou "droga" e será para isso que reverterá o subsídio (parte, a outra vai para a empresa de "bem-fazer", privada ou religiosa).
Queremos rigor ou não ?

Outra questão totalmente diversa é invocar isso como causa de campanhas . É outro aproveitamento dos deficientes, desta vez a justificar prepotência que não é, nunca, justificável. O prepotente não é um bom dirigente.
Cristina disse…
pendulo

eu não estou a defender a fraude (pode parecer...) eu estou a pôr em causa a única aparente preocupação da senhora. enfim, se fosse economista, talvez se compreendesse. mas não é, tem responsabilidades formativas.
pois, não sabemos se essas familias necessitam realmente ou não, também não é isso que a incomoda, percebes? mandou averiguar porque é que alguém tomou essa atitude? não..

eu já vi contornar situações de carência com soluções que não eram exactamente as mais indicadas...e se queres saber, não me indignou.
às vezes é mesmo a lei do "quem não tem cão caça com gato"
´que é preciso não é matar o cão e o gato, obviamente.
:)
Cristina disse…
sem-se-ver

é, é liquido.
sem-se-ver disse…
:))))

eis-nos finalmente!) de acordo?!? lol!!
Anónimo disse…
Olá Cristina

Ela não disse que as crianças precisavam de ensino social ou fossem "crianças problema" em vez de deficientes.

O que ela diz é que as famílias pobres conseguiam assim da Seg. Social que lhes fosse pago um SUBSÍDIO de ensini especial.

Para mim, não líquido que se possa extrapolar o que tu dizes.

Sei, entretanto, como tu também deves saber, que há muitas crianças defecientes, que não têm o apoio que deveriam ter.

Portugal é um país pobre, que não é elástico, por mais que se queira que seja.
Não é.
Quando se dá a mais num lado, falta noutro.

Beijinhos
Anónimo disse…
Parto do principio que aqui ninguém é a favor de fraudes mas que as há isso ninguém tem dúvidas e que às vezes a indignação deve ficar dentro do bolso porque por vezes é importante virar o cabo da boa esperança...e tal e coisa!

Aquilo que me parece é que a Sra. Margarida pretende ser a defensora dos 'descamisados' mas... cada tiro cada melro.
É tanta a incongruencia nesta senhora que até dói!
Esta coisa de rebelde sem justa causa, como é o causo desta necessidade de "devolver" os milhões de euros à segurança social porque achou que as familias se uniram para tramar os verdadeiros deficientes...e consequente prejuizo para o estado...que decisão mais estranha, esta.
Há tanta forma de ler a saúde, o social, as carencias materiais e afectivas.
Existem responsáveis pedagógicos que teimam em fazer do seu acordar matinal um acordar que está intrinsicamente ligado às oscilações climáticas.

Por este andar ainda temos que chamar Al Gore!

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