"O país está cheio de arguidos inocentes."
[Pinto Monteiro, Diário Económico]


Eu diria mesmo que, a avaliar pelos resultados dos processos dos detentores de cargos públicos, o país tem arguidos inocentes.
Logo, se calhar, até se devia acabar com esta figura desprestigiante e mesmo ultrajante para qualquer cidadão que com grande dignidade, dedicação, sacrifício, altruismo, quantas vezes em prejuízo próprio, aceite e se dedique em nome do bem do povo(em nome dele me curvo agradecida) a gerir a coisa pública......
Parte-se-me o coração ao ver o esgar de dor arrancado das profundezas da alma nos rostos estarrecidos pela infâmia, a aleivosia, a traição. Atormenta-me. Sério. Acho que deviamos acima de tudo ser-lhes gratos. Agora e na hora da nossa morte.

Comentários

Exacto!
Há dias, numa revista semanal perguntava-se ou sim ou sopas a 5 ou 6 desses ‘detentores de cargos públicos’ (um deles o Dr. Júdice) um conjunto de questões. Esta era uma delas: ‘um inocente preso ou 100 culpados à solta?’ Invariavelmente, todos se manifestaram em defesa do inocente, claro, só um deles se referiu à pergunta como inqualificável e não foi o ex-bastonário. Portanto, estamos no bom caminho para um país não corrupto, pensamos nós de que…
Por outro lado, se há assim tantas certezas disso, porque é que o Sr. PGR não fecha os processos, pronto, enfim, não pense mais nisso, com todo o respeito, cale-se…
Helder Robalo disse…
Pois, o problema é que a malta confunde arguido com culpado.
Um cidadão pode ser constituído arguido para sua protecção enquanto testemunha de um processo. Alguns são mesmo constituídos arguidos para, ao abrigo do Segredo de Justiça, ficarem de boquinha calada e não andarem por aí a falar de tudo e mais alguma coisa relacionada com determinado processo
;)
batuta disse…
Nunca a palavra arguido foi tão pronunciada. Tantas vezes tem sido explicado o que é um arguido. E nem mesmo assim...
astrid disse…
Isto é um país de gente inocente.Nem sabem que o Adão trincou a porcaria da maçã
Cristina disse…
amélia

estranhas mentes...

claro que há presunção de inocencia e udo o mais, mas ver a furia com que todos enfiaram a carapuça, foi lindo....:)
PA disse…
Não deixando de concordar em absoluto, com a ironia do Post escrito por Cristina, a propósito da afirmação de Pinto Monteiro, pelo lado dos arguidos políticos.

É tb importante contextualizar a citada afirmação. Vejamos:

Pergunta:

Numa entrevista que deu recentemente à RTP tentou desmistificar a figura do arguido. Este conceito deve ser alterado, ou deve apenas o país compreender que não se trata de uma condenação à priori?

Resposta de Pinto Monteiro:

A intenção do legislador ao conceitualizar a figura de arguido com os contornos que tem na nossa lei, foi a de criar mecanismos de defesa do cidadão. A ideia não resultou. No presente, para o homem médio o arguido é o culpado, o réu. O conceito vai ser alterado, passando a exigir-se para que alguém seja constituído arguido, que existam “fundadas suspeitas”, o que vai provocar modificações. Hoje, o país está cheio de arguidos inocentes (ao lado, evidentemente, de culpados)."

Faz sentido, o que justifica Pinto Monteiro, em especial, se nos lembrarmos no papel e desempenho da Comunicação Social.
Tem de haver um travão legal, que impeça a "condenação" sumária e pública, de quem é arguido.

Chega de associar ao termo "arguido", o termo de "culpado".

É um problema de cultura jurídica dos portugueses. E a CS ajuda "à festa".

Em bom rigor, o cidadão fica desprotegido no seu direito ao bom nome e à imagem, logo que passa à condição de arguido.

E arguido não é culpado.

beijinhos
Cristina disse…
para todos

cheiguei agora a casa e neste momento, estou a ouvir a quadratura do circulo.

se puderem vejam a reposição ou se estiver disponivel no site.

é opinião de todos que TODOS os partidos têm gente que não é honesta nem ha cultura partidária de ética e de boa prática, nomeadamente nas autarquias. JPP disse mais:que se confrontava frequentemente com isso.

Ora se quem está por dentro admite isto, imagine-se o que pensa quem está de fora. Ou quem nas varias autarquias necessita das camaras para resolver problemas...e das negociatas com que se depara e que se descrevem à socapa.

Falando claro a corrupção corre solta, pronto.
Lembremos ainda os varios processos em curso, os mais mediáticos. as pessoas em questão. presume-se-lhe a inocência? Fatima Felgueiras, não vamos mais longe. não foi eleita pelos partidos, portanto nem está sujeita a regras internas.
Deveria poder estar a exercer o cargo?? Na camara de onde deveriam sair as provas, ainda por cima?
Não me escandalizava que não pudesse até tudo se esclarecer. nada mesmo.
Dizem eles que primeiro, deveriam ser os dirigentes partidários a fazer as escolhas com critérios rigorosos ou a retirá.los se entendessem. E os independentes? Só através da lei..

depois comparemos com as condenações...atendendo ao que se vai sabendo de alguns por portas travesas, parecem-nos justas?

Lembremos a arrogancia com que essa gente se coloca acima de tudo e todos e pronto, está a cama feita: se os proprios não se mostram respeitáveis, alguém lhes há-de impor respeito.
Se os proprios não têm a cultura política necessária para entender que quando estão sob suspeita no exercício das suas funções devem ter a dignidade de se afastar para não prejudicar a imagem que um detentor de determinado cargo deve ter, a bem da transparencia, sujeitam-se a que alguém decida por eles.

O que se passou em lisboa, em que apos a completa inactividade da camara neste contexto teve como resposta a histeria do presidente dizendo "não saio e não saio e daqui ninguém me tira", que imagem dá dos politicos? que está lá pelo sentido do dever? alguem acredita nisto? não
É legitimo que as pessoas cada vez mais os condenem à partida? é. de quem é a culpa?
Do exempo que dão, nada mais.

isto é frequente em todas as profissões inclusive a minha. quando o profisssional não se mostra honesto, não deve escandalizar-se se alguem de fora lhe vier impor essa honestidade.
PA disse…
Vi uma parte, da Quadratura, depois deixei-me dormir.

Ontem, JPP, também fez uma afirmação, que à semelhança do estrilho que gerou as famosas declarações de Saldanha Sanches, deveria igualmente causar polémica.

É que JPP disse com todas as letras, que o Ministério Público "furava" o segredo de justiça.

Concordo no plano político, com o que refere a Cristina. Aliás, Jorge Coelho disse e bem que nem seria preciso haver uma lei. As próprias pessoas deveriam tomar por iniciativa própria, no plano ético, a decisão de sairem.

Agora, observando outras áreas, a Cristina deu o exemplo, da sua actividade profissional:

- Um doente falece, e a família, considera, por exº, que se tratou de negligência (situação que pode não corresponder à verdade dos factos !), o que conduz, o técnico de saúde, à condição de arguido. Será justo, divulgar o seu nome, impedi-lo de exercer, ainda que apenas e só arguido ?

Por isso, em parte, concordo com a perspectiva de Pinto Monteiro, quanto a uma exigente fundamentação, muito rigorosa (mesmo), para a condição de arguido, e não "por dá cá aquela palha" virar arguido.

Isto nada tem a ver com o facto, de existirem criminosos que não são, nem nunca serão julgados e punidos. Esse é outro problema.

beijinho grande
Anónimo disse…
Sexa: O problema destes sitios é que a grande maioria das pessoas não têm o minimo de conhecimento das afirmações proferidas pelos homens da quadratura como não têm acesso aos sitios. Pelo que assisto e leio estou em crer que no espaço curto de tempo as coisas começam a mudar.Já agora esta procura dos independentes será alguma sintoma Sra.Dra? Um beijo.
Cristina disse…
sofia

tem razão em tudo o que diz.

em relação à comparação com a medicina, há varios arguidos, ha varias queixas sem qualquer cabimento até porque as pessoas não se apercebem daquilo que para nós é mais grave...a maioria das vezes queixam-se porque acham que a "coisa está mal explicada", mas tecnicamente dificil de sustentar.

agora, não me escandalizaria que após a instrução do processo e considerado que o caso deve ir a tribunal, que o medico fosse afastado até a questão ser resolvida. é uma grande chatice, mas temos que ser honestos..

aí, parece-me que a proposta de melhor fundamentação da condição de arguido é fundamental sem duvida.
e apesar de tudo, atendendo a que os dirigentes dos dois maiores partidos portugueses concordam que as pessoas que têm não reunem essas condições de ética profissional, então concordo com eles.


bjinhos
Cristina disse…
sexa.

eu gostaria de ver os independentes como cidadãos que se propõem fazer coisas com projectos proprios, como actos de cidadania validos, respeitaveis e de louvar.
mas depois, olhamos para Fatima Felgueiras, e as boas ideias vão por água a baixo....

um tipo aproveita um partido, é eleito, monta o seu prorpio polvo e quando o partido o suspende aproveita esse polvo para se reeleger. fantastico, assim fica completamente fora de controlo, melhor ainda!

porque é que o PDS engole o João Jardim?
o problema é esse...faria exactamente o mesmo.

beijos
C Valente disse…
São todos inocentes, virgens até, onde á fumo á fogo, não se lhes aplica.
As palavras ética,honradez,verdade verticalidade, Não entrão no dicionario da maioria dos politicos. Felizmente á excepções

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