Objecção de consciência.Um problema?

Tem causado alguma perplexidade, ou talvez preocupação, noutros casos regozijo, a notícia de que a maioria dos ginecologistas-obstetras serão objectores de consciência para a IVG.
Uns dizem que a lei tem que se cumprir quase à força
[Uma situação inaceitável, que põe em causa direitos fundamentais e que não deixa ao ministério senão uma opção: ordenar aos serviços de obstetrícia que se organizem de modo a que haja médicos não objectores nos seus quadros].
Outros põem em causa a legalidade de concursos com perfil de "não objector"
[É certo que podem ser lançados concursos à medida de certos médicos, definindo a priori o ‘perfil’ pretendido. Do que conheço, se isso acontecer, vai ser um cabo dos trabalhos nos tribunais administrativos e no próprio Tribunal Constitucional. Acredita mesmo que a valorização para efeitos de carreira da disponibilidade para realizar abortos venha a ser bem aceite entre a classe médica, logo entre os médicos que se dedicam à ginecologia e obstetrícia?(...) ninguém pode ser prejudicado pelo facto de ser objector de consciência]
O meu amigo Eric Blair, tal como o autor do post anerior, põem ainda em causa a objecção de consciência no público vs privado.
[Uma situação inaceitável, que põe em causa direitos fundamentais e que não deixa ao ministério senão uma opção: ordenar aos serviços de obstetrícia que se organizem de modo a que haja médicos não objectores nos seus quadros].
Outros põem em causa a legalidade de concursos com perfil de "não objector"
[É certo que podem ser lançados concursos à medida de certos médicos, definindo a priori o ‘perfil’ pretendido. Do que conheço, se isso acontecer, vai ser um cabo dos trabalhos nos tribunais administrativos e no próprio Tribunal Constitucional. Acredita mesmo que a valorização para efeitos de carreira da disponibilidade para realizar abortos venha a ser bem aceite entre a classe médica, logo entre os médicos que se dedicam à ginecologia e obstetrícia?(...) ninguém pode ser prejudicado pelo facto de ser objector de consciência]
O meu amigo Eric Blair, tal como o autor do post anerior, põem ainda em causa a objecção de consciência no público vs privado.
E já li por aí (não me lembro onde) quem considere a notícia como uma atitude sensata, antevendo nela a esperança de não aplicação da lei. Engano.
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Sobre o assunto, a minha opinião é a seguinte: em relação aos concursos com perfil, estes, ao contrário do que se possa pensar, são prática corrente e não contestada. Porquê? Porque não é visto no meio médico como um prejuízo de outros eventuais concorrentes mas como uma necessidade do serviço em causa e que precisa de ser colmatada, exactamente para que todas as situações possam ser cobertas. Os médicos que não incluem no curriculum o perfil pedido, por e simplesmente não concorrem àquele lugar. Nunca esta prática levantou questões. Um exemplo: se num serviço de Cirurgia for necessário um médico com experiência em cirurgia laparoscópica, esta necessidade é apresentada a concurso como perfil, aliás, o concurso pode até ser feito exclusivamente com esse objectivo. Quem não tiver essa experiência, não concorre.
Os serviços públicos poderão fazê-lo em relação á IVG se entenderem que esse serviço deve ser prestado (que no caso até é de lei).
No entanto, indo directamente para as últimas questões, penso que acontecerá em Portugal o mesmo que acontece em Espanha: devido à quantidade de objectores e à incapacidade efectiva de realizar todas as IGV's nos hospitais, tender-se-á para que a privada absorva os não objectores. Ou seja, estes médicos provavelmente terão oferta de emprego na privada sem necessidade de se manter no público, afinal, não sei se verão alguma vantagem em manter os dois. Por outro lado, pelo que ouço, quem se decide a não fazer IVG's no público, tendencialmente não o fará na privada. E se o fizer, sejamos claros, a oferta acabará por os afastar dos hospitais públicos.
Comentários
E, tal como tu, prevejo que os "não objectores" vão saltar todos para o privado; ie: "é permitido, mas não se pode fazer"
Penso que está tudo actual.
Assim, os hospitais públicos farão o mínimo de IVG, até porque têm outras coisas mais urgentes para fazer e as futuras ex-grávidas irão para o privado.
Quem perde?
Sim, porque há sempre quem ganhe e outros que perdem.
Quem perde é o contribuinte que vai pagar e pagar bem por todas estas intervenções que os privados irão fazer e que o estado prometeu na votação que iria fazer nos serviços em que manda.
Aliás este foi um dos slogans da campanha.
Lembram-se, com os meus impostos não!
Sim.
beijocas
azar...a objecção de consciência é só para profissões que lidam com Vida/Morte. sempre podes ir prá tropa outra vez :p
a mim só importa que sirva um interesse: o da mulher poder fazer a IVG em boas condições. tudo o resto, é secundário :))
beijinho
claro, é para isso que eles servem!
se tiveres um cancro da próstata acontece o mesmo e eu não me queixo...
(só a defunta é que tira o romantismo todo da coisa..lol)
vou deixar aqui o que respondi no Atlantico:
“condicionar um concurso para reforço do quadro de um hospital porque um dado médico é objector de consciência.”
mas isso SEMPRE se fez, não é prejudicar terceiros, é dotar o serviço do tipo de profissional de que ele necessita, exactamente para que todo o tipo de doenes possam ser atendidos… quase todos os concursos médicos têm perfil, porque dentro da mesma especialidade há varias subespecializações. nunca foi um assunto polémico para os médicos, não percebo onde está o problema…
no caso da oftalmologia, se um serviço precisar de um médico que tenha experiencia em operar cataratas, não tenha duvidas que inclui esse perfil no concurso. sem dramas.
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Ana Matos Pires diz:
"Faço notar que são duas médicas quem, nesta caixa de comentários, está a aceitar e defender que sejam as necessidades dos serviços a definir a ocupação de uma vaga de emprego no SNS. Curioso, significativo e muito positivo, pelo que isso implica em termos de mudaça de mentalidades." loool
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RAF
desculpe mas você fala em exclusão quando nos concursos médicos o que se passa é exactamente o contrário: não é excluir os outros, é admitir o candidato que poderá desempenhar determinadas funções. sempre se fez isso em todo o lado, os directores abrem concurso com o perfil que melhor servir as necessidades do serviço e dos utentes que tem que tratar, parece-lhe mal? entre nós, sempre pareceu óbvio.
é por ser um perfil em IVG? então desculpe, mas a objecção que coloca nada tem de técnica ou de organização de serviço, ou de prestação de detreminado cuidado a que o doente tem direito.. é só porque é uma IVG, contra a qual provavelmente não concorda (está no seu direito, mas as utentes também, não esqueça esse pormenor…).
agora pergunto: se um serviço deve por lei fazer uma IVG a pedido de uma utente e todos os médicos de que dispõe são objectores, o que defende? que seja integrado um médico que o faça, ou que seja encaminhada para a privada pago pelo Estado?
diz “O que não é possível (…) é condicionar um concurso para reforço do quadro de um hospital porque um dado médico é objector de consciência.” porquê, se ser objector lhe retira a possibilidade de prestar um procedimento a que o utente tem direito?
lembro-lhe que também há objectores de consciência em relação às situações previstas na anterior lei. no entanto, é já pacífico que essas mulheres têm direito à IVG. parece-lhe mal que, se por acaso estivesse a concurso um único médico que aceitasse fazê-lo, o serviço o não escolhesse sabendo que tem o dever de resolver esse problema e que só ele o poderia resolver?
quanto ao que pensa ser a “revolta” dos outros médicos, RAF, quase lhe garanto que essa revolta se dará fora do mundo médico, não lá dentro. por outras razões que não a prestação de cuidados, é claro.
cristina
June 19th, 2007 at 23:51 só mais uma observação
“Ora, se o médico A for mais competente para a globalidade das funções, poderá ser excluído face ao médico B, menos competente, por ser objector de consciência? A nossa constituição impede-o.”
pode e deve. um serviço pode até contratar um médico para uma função exclusiva, desde que se justifique.
dou-lhe um exemplo: conheço um ginecologista que só faz ecografia ginecológica/obstétrica. dentro da ginecologia e da obstetricia, não faz mais rigorosamente nada.
é o melhor a fazê-lo, dos melhores do país, e é uma grande mais valia para o serviço.
ninguém lhe pede mais. pelo contrário, agradecem que haja alguém que faça aquilo que os outros não sabem, ou no caso, não querem.
cumps.
e se quiserem ver a discussão completa..
aqui
Desculpe o desproposito mas o seu blog parece La Tomatina de Buñol
Mais um par, merecido, à sua espera aqui:
http://absolutamenteninguem.blogspot.com/2007/06/absolutamente-ningum-tem-um-problema.html
Se não viesse de quem vem, dava-lhe os parabéns!
PS: não se faz, a pessoa dá um prémio, vem cá dizer e ainda é obrigado a escrever dnbhzml!
:)
caramba, já nem sei o que dizer.....OBRIGADA!!!
olhe, um beijo grande, queria comentar no seu blog mas não consigo...:/ aquela coisa manda-me guardar um documento qualquer e volta ao mesmo e não me deixa entrar....
paciência! espero continuar a merecer a sua consideração, muito obrigada outra vez!
um abraço:)
Agradecer coisa nenhuma continuar a postar basta!
Beijo!
"Ou seja, estes médicos provavelmente terão oferta de emprego na privada sem necessidade de se manter no público, afinal, não sei se verão alguma vantagem em manter os dois."
Foi exactamente o que pensei, quando ouvi a notícia.
Mas agora pergunto:
- E esses médicos que forem objectores de consciência, no público, poderão deixar de sê-lo, na privada, à face da Lei ?
Outro assunto:
Está na ordem do dia, mais uma vez - a Eutanásia, tendo em conta a carência de cuidados paliativos, necessários, ao elevado número de doentes oncológicos existentes nos hospitais.
São os médicos oncologistas (20%)que estão a defender a eutanásia, uma vez que a resposta do Estado, nos cuidados paliativos, não é suficiente.
Estarei a dizer bem ?
O quê que se oferece à minha querida amiga dizer sobre isto ?
Se quizer dizer, claro ...:-)))
penso que não, não podem, se for uma postura oficial.
mas a oferta de emprego vai ser grande cá fora. acredito que muitos deixem o público.
jinhos