O Helder colocou em post um tema que já uma vez aqui foi aflorado mas que continua actual..
Começa com uma citação:
Segundo uma estimativa avançada pelo Correio da Manhã, em Dezembro de 2002, "a actividade da prostituição em Portugal deve representar um negócio da ordem dos 2,5 mil milhões de euros por ano (501 milhões de contos). Se a actividade fosse legalizada, o Estado português poderia arrecadar em impostos e contribuições para a Segurança Social, no mínimo, 684 milhões de euros (137 milhões de contos)" e continua colocando outras questões pertinentes.
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Na minha opinião, o problema vai muito além da economia sendo que é, de facto, um mercado florescente e livre de impostos. Comecemos por aí.
Na minha opinião, o problema vai muito além da economia sendo que é, de facto, um mercado florescente e livre de impostos. Comecemos por aí.
Quanto mais florescente e mais livre de encargos mais apetecível é um negócio.
E quanto mais apetecivel, mais agressivo na procura de novo produto vendável.
Logo, a alta rentabilidade conduz directamente à angariação de nova "mercadoria", ao tráfico e às situações de escravatura em que muitos deles se encontram, sem direitos e sem qualquer protecção legal.
Num contexto em que a indústria sexual não faz distinções entre "livre" e "forçado" quem compra seres humanos para a prostituição também não distingue.
Comecemos por aceitar o óbvio: há-de haver sempre procura e há-de haver sempre oferta.
A prostituição existe e existirá sempre. É uma actividade exercida em troca de dinheiro, logo é uma profissão.
A legalização e a regulamentação redefinem a prostituição como uma forma de trabalho, com limites bem estabelecidos. Pode não acabar com o negócio ilegal, mas será mais difícil de sustentar. E porquê? Porque uma prostituta optará mais facilmente por uma "casa" legal, que lhe confere direitos iguais aos dos outros cidadãos, nomeadamente à assistência médica e medicamentosa através de qualquer regime de segurança social , à compra de bens, a regalias sociais, basicamente a uma vida mais digna. Em último caso, sem essa figura sinistra do chulo ao mesmo tempo protector e castigador, haverá mais liberdades para exigir ou mesmo mudar de actividade caso seja esse o seu desejo.
Um trabalhador legalizado, com deveres e direitos iguais, é um trabalhador mais livre.
Alegam as vozes contra que é institucionalizar um trabalho degradante, humilhante.
Não acho.
Só é humilhante um trabalho em que a mulher se sinta humilhada, coagida, obrigada, desprotegida para se defender, à mercê de todo a espécie de violência na rua, nas beiras de estrada, na casa "da prima", nas casas "de massagens", etc. E, se existem casos destes, é exactamente porque se encontra fora da alçada de qualquer vigilância possivel. Obviamente, nestas condições é facilmente forçada a permanecer na profissão. À boa maneira do moralismo provinciano, faz-se de conta que não se sabe, ou quando se fala no assunto, lá vêm as associações de caridade da ordem falar em proteger as coitadinhas em casas de acolhimento para as salvar das malhas da perdição.
Deixemo-nos de paternalismos e encaremos o assunto como gente adulta.
O importante é criar condições para que quem queira sair, saia. É, sem dúvida. Mas também é preciso criar condições para que quer queira permanecer, permaneça.
Não emito nenhum juizo de valor em relação a essa opção e sei que as há. Admito-o sem grandes hesitações, porque conheço quem queira de facto exercê-la e sei que quem faz tal opção, fá-lo em consciência. Já ouvi a expressão "trabalho das 9 ás 5 não é pra mim", "já me habituei a esta vida e não me vejo a fazer outra coisa"...ok, faça-o mas com alguma dignidade.
Depois, há a questão de saúde pública. Nos tempos que correm em que as estatísticas dizem e a prática mostra que há cada vez mais homens a partir dos 50 anos infectados com toda a espécie de doenças sexualmente transmissíveis (a maioria dos consumidores não são os jovens), em que as estatísticas também dizem que Portugal é dos países da Europa com maior percentagem de infectados pelo HIV, é dificil defender com atitudes moralistas que não haja qualquer espécie de controlo sobre a população que mais contribui para esta realidade. A legalização prevê controlo sanitário, prevenção de doenças, detecção precoce, tratamento e aconselhamento anticoncepcional.
Trata-se de proteger a prostituta e o cliente. E as futuras relações dos clientes. Não me parece coisa pouca, nem desprezível.
E que não se pense que há terceira via, que não há. Ou se controla o problema ou o problema nos controla a nós. É o que infelizmente tem vindo a acontecer: correr atrás dos efeitos terríveis para a saúde de milhares de pessoas.
Que não se pense também, que com uma lei proibitiva se acaba com uma necessidade social desde que existem homens e mulheres. É o mesmo que ignorar que haverá sempre cidadãos que usam como único meio de satisfação dos seus impulsos, o recurso à prostituição. Acabar com esta realidade? Só se houver por aí umas boas samaritanas dispostas a consolar cidadãos solitários, tarados, enjeitados, maníacos e mais o que nem nos passa...
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___ler também o post do Helder Robalo, uma abordagem diferente.___


Comentários
um abraço
intruso
Um homem com bom aspecto fazia-se acompanhar de uma rapariga, também de bom aspecto, que "trabalhava" no Elefante Branco. O porteiro, o João, com diplomacia, chama o homem à parte e diz-lhe que não era conveniente entrar com uma puta.
O interpelado, com toda a educação, retorquiu que putas eram as que estavam lá dentro. Aquela senhora era uma prostituta. E entrou.
Copiona... Um gajo não pode falar em nada pá. Num há direito :p
Um beijinhu e bom fim de semana
E o dinheirinho que o Estado encaixaria? Pecunia non olet! e se calhar há dinheiro a circular que cheira bem pior do que este.
isto é que é giro, cada um dar a sua perspectiva, ou responder às questões do outros.
provavelmente ainda respondo aqui ás tuas dúvidas ;)
a mãe de todas as profissões...:))) e uma mãe tem que ser respeitada ;)
li por aí um excerto de uma entrevista já não sei de quem a proposito do tema, só me lembro destqs frases:
entrevistada para a jornalista:
-você não tem uma vagina?
jornalista:
-tenho
-e não pode dá-la a quem quiser?
-posso
-e porque é que não a pode vender?
:)))
já era tempo há muitos anos...aliás nunca devia ter deixado de ser legal. hoje talvez não houvesse tanta desgraça..
beijinhos
haver há sempre, mas era pelo menos mais digno e mais saudável..
beijinhos, bom fim de semana.
nem mais...
falando curto e grosso, se os filhos pagam porque é que as mães não?? ;)
Para quem deve tratar deste problema, isto é uma sopa com 'pedregulhos'!
Sou a favor da legalização por várias razões (já abordadas por si) e mais (o tal) par de botas!
olá!! esta miuda também tem insónias pá...então isto são horas??
parece ter lógica não? mas depois vêm as tias do costume fazer o encaminhamento das almas pra ganharem o céu e prontos...deixá-la existir que sempre os maridos andam mais calmos:))
ai,ai..
bjinhos boneca.
Digamos que sou, não o professor Marcelo porque isso faria de mim uma intelectual de primeira apanha :), digamos que sou uma Margareth Teacher, mais não seja porque é mulher e porque sou de ferro :)))
Ai as tias e as suas manifestações pseudo morais!
Há vários tipos de prostituição...balha-me deus
Beijo na ponta do nariz Dra House
umas são as "meninas", outras são as putas mesmo!
;)
jinhos Mrs Dalloway
Poeminha de louvor ao strip-tease secular:
Eu sou do tempo em que a mulher
nem mostrava o tornozelo;
que apelo!
Depois, já rapazinho
vi as primeiras pernas de mulher
por sob a curta saia;
que gandaia!
A moda avança,
a saia sobe mais,
mostrando já joelhos
luprecais!
As fazendas com os anos,
se fazem mais leves,
e surgem figurinhas, pelas ruas,
mostrando as lindas formas quase nuas.
E a mania do sport
trouxe o short.
O short amigo,
que trouxe consigo,
o maiô de duas peças.
E logo, de audácia em audácia,
a natureza, ganhando terreno,
surgiu o biquiní,
o maiô, de pequeno, ficando mais pequenos,
não se sabendo mais,
até o corpo branco,
pode ficar moreno.
Deus, a graça é imerecida,
Mas dai-me ainda
Uns aninhos de vida!
****
E agora vou portar-me bem e vou fazer óó
E fica dito para que não haja dúvidas: amanhã na mesma esquina do CC a tocar a concertina e a dançar o sólidó!
:)
- Um mercado florescente e livre de impostos.
- A indústria sexual não faz distinções entre "livre" e "forçado" quem compra seres humanos para a prostituição também não distingue.
- Há-de haver sempre procura e há-de haver sempre oferta. A prostituição existe e existirá sempre.
- O importante é criar condições para que quem queira sair, saia. É, sem dúvida. Mas também é preciso criar condições para que quer queira permanecer, permaneça.
- A legalização prevê controlo sanitário, prevenção de doenças, detecção precoce, tratamento e aconselhamento anticoncepcional.
Trata-se de proteger a prostituta e o cliente.
- E que não se pense que há terceira via, que não há. Ou se controla o problema ou o problema nos controla a nós.
- Que não se pense também, que com uma lei proibitiva se acaba com uma necessidade social desde que existem homens e mulheres. É o mesmo que ignorar que haverá sempre cidadãos que usam como único meio de satisfação dos seus impulsos, o recurso à prostituição.
Outros aspectos há, no seu Post, de que gostaria de dizer alguma coisa, vamos ver se tenho disponibilidade, mais logo.
Um beijo
E hoje é sexta-feira ! wowwwww !!
esteja à vontade.
Mas as palavras são quase todas da nossa Cristina, que tocou no essencial da verdade, neste tema.
Honra seja feita também a Helder Robalo, como sublinhou Cristina, que igualmente, aborda o tema, no seu blog, de forma múltipla, mas muito incisiva, em relação aos vários planos de análise que a prostituição, enquanto fenómeno social contempla.
abraço
(vê?...)
É imoral os filhos explorarem as mães... e muitos políticos até se nota bem que são filhos delas.