na prática, a teoria é outra.


Uma pesquisa feita nos Estados Unidos revelou que apenas 41% dos entrevistados acreditam que ter filhos é muito importante para o sucesso de um casamento.
Na lista, ter filhos aparece apenas em oitavo lugar depois de:
Fidelidade (conceito lato...)
Vida sexual satisfatória
Divisão de tarefas domésticas
Bom salário
Boa Casa
Identificação de crença religiosa
Gostos e interesses coincidentes
.
Claro que quando um casamento acaba ninguém sai por aí a culpar os filhos mas, que estes o podem destruir, é verdade. O engraçado, é que este estudo/inquérito contraria a ideia clássica de que os filhos unem, que os filhos são "a" felicidade do casal, que consolidam, blablabla...ah, quantas vezes já vi cair-se nessa armadilha com péssimos resultados.
Na verdade, apesar de serem uma das maiores experiências de vida, de constituírem talvez a única oportunidade de viver um amor incondicional, ou talvez por isso, o amor continua a ser uma experiência a dois.
Puro engano, pensar que uma relação amorosa admite 3 ou mais pessoas, seja ela de que espécie for. O confronto é directo, consciente ou não. É nessa fase que se põe à prova a nossa tolerância, a nossa capacidade de cedência do outro, a resistência à frustração da perda de liberdade e de pequenos luxos que alimentam relações, quando não se tornam mesmo uma fonte de pequenas/grandes guerras domésticas; ou seja, uma infinidade de contrariedades parecem conjugar-se para arrasar os casamentos. E a verdade é que toda a gente nos diz que os filhos são a alegria do lar mas ninguém nos prepara para o contrário: que eles podem também tornar-se na prova de que pode ser impossível viver dois sonhos ao mesmo tempo, o da ma/paternidade e o do casamento feliz. Ou que, por outro lado, o sucesso do casamento quase nunca está dependente da existência deles, ou é reforçado por ela.
Parece que as pessoas começam a ter uma noção mais clara de que antes dos filhos, há que assegurar outro tipo de alicerces, ainda bem.

Comentários

Anónimo disse…
Chiiii!

Este post só não poderia ter sido escrito por mim, porque tu escreves primorodamente.
Mas tudo o que lá está escrito, foi sentido e dito e repetido para quem queira ouvir.


beijinhos
Anónimo disse…
primorosamente, como é evidente!
Eric Blair disse…
Olha, rapariga, nem sei que te diga. Ou antes, não te posso dizer aquilo que queria.
Deixo-te com desejo de bom fim de semana, e um beijo especial.
Lola disse…
Cristina
Os filhos são pessoas, independentes de nós que nós criamos e amamos incondicionalmente.
Não unem um casal que já esteja desunido.
Não é essa a função deles.
Podem ser factor de desunião mas também não a promovem.

Nós também somos filhos de alguém.
Também não fomos " a felicidade" dos nossos Pais nem a "cola" que os uniu.
Acho que o relacionamento entre os Pais e os filhos é diferente de "manter o casamento" ou unir a família.
Estes são conceitos ultrapassados.

Quanto ao Amor ser uma experiencia a dois eu não seria tão redutora.
Podemos "amar, amar a toda a gente, e não amar ninguém..." mas também podemos amar alguns e ama-los bem.

Beijos
Ka disse…
Assino por baixo.

Aliás uma relação tem a sua primeira prova de fogo no casamento (aqui alargo o conceito para o passo de se partilhar uma vida e não apenas o papel passado). Ao contrário do que muita gente pensa o casamento numa fase inicial é uma prova enorme já que são duas pessoas que têm de aprender a viver uma com a outra e as duas em conjunto, 24h/dia e 7 dias/semana, isto é não se encontram apenas quando querem. Feita esta nota também os filhos podem ser fonte de atrito se a relação não tiver uma base sólida e bem estruturada. E mesmo com essa base sólida as primeiras fases são complicadas pois no meio de uma relação de duas pessoas aparece uma 3ª que transforma o conceito de família até então existente.
Com um filho aprende-se sem nenhuma dúvida o que é o amor incondicional, por mais que tenhamos ao lado a pessoa da nossa vida e que amamos muito.
Mas o grande perigo é que com um recém nascido cria-se por vezes uma relação de paixão que pode fazer esquecer que devemos tratar a outra.
Nunca se poderá pensar que um filho simplifica ou resolve um casamento...nem pensar. Um filho realiza-nos e completa-nos como pessoas mas pode ser um grande factor de atrito e afastamento pelo esfriar da relação do casal em detrimento da relação pai/mãe com o filho.
Acredito que o importante é aprendermos a gerir bem esta trilogia que se cria: relação do casal, relação pai/mãe - filho e relação dos 3 enquanto família. Se conseguirmos isto estamos no bom caminho.

Ps - Cristina desculpa o testamento mas tenho um de 21 meses e estou bastante atenta ao tema...hehe
Beijinho
Isabel Filipe disse…
Absolutamente de acordo contigo ...

pensar que um filho poderá servir para salvar um casamento é pura parvoice...


beijinhos e bom fim de semana
PA disse…
Fantasticamente escrito, Cristina ! Escreveu a realidade.

Eu costumo dizer doutra maneira:

- Os filhos, não são o centro da nossa vida.
São uma parte do conjunto da nossa vida.
Igualmente importante a tantas outras partes da nossa vida(relação com o companheiro, com os amigos, com a família, realização profissional, equilíbrio individual emocional e psíquico, etc, etc. ...)

Os filhos tanto são, activa como passivamente, motivo de união e de desunião.

E o maior problema é quando eles são parte activa, na desunião, para "destronar" um afecto, que reivindicam apenas (e só !)para eles próprios. Egoísmo cruel ... "a rôdos".

Enfim, este assunto daria para várias teses de doutoramento.

Fico por aqui ...

E desejo-lhe um excelente fim de semana.

beijinhos
Anónimo disse…
(é impressão minha ou a DJ do CC está com tendinite?! Acho mal!!)

Como em tudo na vida temos a teoria e a prática e como nem na teoria nem na prática fui de pensar ou querer ter filhos...então estar para aqui a opinar acerca da importância dos filhos na felicidade conjugal e pessoal...não está com nada.
Confesso contudo que nunca fui dada a pensar que os filhos seriam a fonte principal de harmonia e felicidade entre um casal.

Acho interessante e bem disposto o livro de Daniel Gilbert - penso que em português tem o titulo - "Tropeçar na felicidade" onde ele destrói mitos sobre a felicidade: afinal, dinheiro, filhos, casa e carros não nos transportam para o outro lado.
Ele chega a dizer que, quanto mais filhos, mais infeliz se fica.
É psicologo e é norte-americano.
O livro tem por um lado 'tiradas' muito bem dispostas e por outro teoria/prática bem fundamentadas e é dos tais livros que se vai lendo...sem pressas...(ainda não o li na integra!)

(continuo à espera que me 'deêm' música!!)
Cristina disse…
Marta
este post, na verdade penso que poderia ser escrito por muitas pessoas :))

obrigada, beijinho
Cristina disse…
Eric

eu não digo que tu és uma pérola "perdida" por esta blogosfera??

podes sim, sempre que te apeteça :)

um beijo grande guapo! bom fim de semana
Cristina disse…
lola

claro que não é essa a função deles. mas às vezes ainda se pensa que sim:))
e não promovem desunião intencionalmente, mas são uma verdadeira prova de fogo dentro de outra união. é depois de eles nascerem que vêm à tona as fragilidades que eventualmente existam. quantos casais se separaram depois de ter filhos? muitos. essa é a verdadeira mudança, a que obriga a concessões, a que estica a corda até partir, muitas vezes.

quanto ao amor, amamos muitas pessoas, mas não estão na mesma relação, são relações diferentes, com caracteristicas e nem sempre compativeis.

beijos lolita bonita
Cristina disse…
Ka

obrigada. concordo completamente.

não conseguimos amar duas pessoas, ao mesmo tempo, e com a mesma intensidade.
este é o primeiro "contratempo" e o que explica tudo o resto.

se não se souber gerir, prescindir, ceder, esperar, o mal estar é inevitável. se em cima disso, outras condições, nomeadamente as primeiras citadas, não estiverem satisfeitas, então é quase o fim....

um beijo
Cristina disse…
isabel

parvoice, falta de maturidade e suicidio lol

beijinhos
Cristina disse…
Sofia

tocou noutra coisa fundamental: os filhos não são, ou não devem ser nunca, o centro da nossa vida, nem nós o centr da vida deles... a não ser que tenham algum problema grave.
nunca a exclusividade, ou o monopólio da atenção fez crescer alguem de maneira saudável. nem eles nem nós, que também vamos crescendo. :)
beijinho
Cristina disse…
dalloway

tenho uma doente que certamente concordaria consigo...quando lhe perguntei se tinha filhos, respondeu: tenho. sete. nenhum presta! se tivesse tido só um se calhar estava melhor :)))

pois é, ontem retirei a musica e não sei que por a seguir...lol. vou pensar ;)

bjocas
MC disse…
Pois eu tenho uma teoria que diz que a maioria dos casamentos acaba com a chegada dos filhos.
Mas é só uma teoria minha.


Mas acho que explicaste muito do porquê disso.

Bom fds!
Cristina disse…
miguel

o velho conceito acabou mesmo ein?

beijinhos e bom fds
Há aqui dois pontos que gostaria de salientar.
O primeiro no que aliás me repito é que vejo livros na FNAC que são lixo comparados com esta escrita.
Sobre filhos:
Tenho uma extrema paixão pelos meus que acho soberbos.
Não contribuiram em nada para o meu divórcio.
Para este contibuiu apenas o eu acreditar que um homem não pode amar uma única mulher em nenhum momento da vida.
Ela discordou.
Cristina disse…
Fado

não digas isso que alguém é capaz de acreditar, que exagero...lol.

quanto aos filhos, tens razão para te orgulhar. mas deixa-me que te diga uma coisa, que pena achares que um homem não pode amar só uma mulher, quer dizer que nunca passaste por essa coisa soberba, ainda que efémera, de só existir uma pessoa:aquela pessoa..
é muito bom garanto-te. enquanto dura :))

bjinhos
Alba disse…
Gostei muito do post, Cristina, e concordo com tudo aquilo que dizes.
Mas lembrei-me de outra coisa.
Para além dos filhos, com quem estabelecemos esses laços poderosos, os casais têm outro desafio doméstico enorme: os pais -de um, de ambos, os pais que na velhice necessitam de ser acompanhados dia e noite. E os pais, não sendo comuns, nem um projecto afectivo do casal constituem uma situação mais ingrata. E muitas vezes a "prova de fogo" da (relativa) harmonia do relacionamento...
Um bom domingo para ti.
Anónimo disse…
mais um post excelente.apenas quero acrescentar que no meu caso foi o casamento e o nascimento do meu filho que levaram ao fim da relaçao. isso e outra praga que anda por aí, são chamadas por sogras. eu chamo-lhe outra coisa...
Cristina disse…
alba

sem dúvida. é dose! se com os nossos é dificil, imagina com os que não nos são nada...

é, é outra prova de fogo de uma boa parte do caminho andado para o conflito, pode minar uma relação.

bjinho
Cristina disse…
sarol

pois, dizer o quê? que acontece mesmo.

qt às sogras, é uma questão de estabelecer regras à partida e não admitir ingerencias. quando se é novo é dificil, ha sempre o querer ajudar e isso arrasta o querer controlar. quando se é mais velho, esse instinto "ajudante" ja não se coloca.as pessoas são mais independentes, ja não admitem certas coisas...



beijinhos

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