o que falta aos blogs?

A propósito de um post do GLQueijoLimiano.
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destaco alguns excertos:
O que serão os blogs vergonhosos? Aqueles que incomodam os sem-vergonha? Os que escrevem sobre os poderes de facto e de direito sobre a coisa política?
A definição escapa ainda à perfeição terminológica dos catalogadores oficiais, pelo que nada mais que um contributo, se poderá acrescentar à noção de vergonha pública exposta nos blogs(...)
Portugal, em 2007, será o mesmo país que era há 20 anos atrás, no final dos anos oitenta? Quando se diz “mesmo país”, quer dizer-se o país com o mesmo grau de evolução cívica e democrática, o mesmo desenvolvimento económico e a mesma perspectiva geral quanto ao futuro.
Nessa altura, -é preciso lembrar -, não havia Internet, nem telemóveis ou outros modos generalizados, de simplificar a circulação da informação. O que se podia saber publicamente sobre acontecimentos ligados às coisas públicas da governação e administração geral do país, restringia-se à informação provinda de agências de notícias e de media tradicionais, com destaque para os jornais. A televisão nunca logrou ser uma vergonha para os poderes de facto e de direito, ou seja, os que detêm o poder de mandar nos outros, definindo as regras do jogo democrático, executando-as e controlando a sua execução.
As únicas vergonhas expostas durante estes últimos vinte anos, apareceram nos jornais. Um deles se destacou pela quantidade de imoralidades e escândalos que logrou apresentar á consideração pública. O jornal semanário Independente, foi, durante toda a década de 90, antes do aparecimento da Internet, o veículo de denúncia de desmandos de governação pública e ainda o meio de ajustar contas, preferido, pelas oposições variadas aos poderes situados do momento. Os dirigentes do Independente, na altura, faziam oposição política, evidente, através da contestação aos governantes, denunciando os escândalos, mesmo mesquinhos ( o caso da manta no avião, por exemplo). Actualmente, os antigos dirigentes do jornal, são, eles mesmo, parte da super-estrutura que então se dedicavam a escrutinar para a minar em descrédito público.
Quer dizer, actualmente não há, nos jornais, ninguém com interesse político em apear os califas, para lhes tomar o lugar. Há jornalistas e jornais com interesses em sobreviver, seja com a publicidade, institucional e privada, seja com as vendas, tendencialmente diminutivas.
Nenhum blog que neste momento existe, cumpre a mesma função que o Independente se reservou desde o primeiro número. Nenhum blog, neste momento, é a vergonha que foi o Independente, para os poderes constituídos.
(...)
Mas, voltando ao ponto essencial: o que será, afinal, esta essência que faltará aos jornais e se pode ler na net dos blogs que aparentemente continuam a ser uma vergonha?
Em tempos, já se escreveu por aqui, algo que diferencia os blogs, em modo de qualidade. Um blog interessante, precisa de algumas desinências que o distinga. Precisa de “candor”, ou seja, franqueza ou mesmo sinceridade (as entrevistas da Playboy eram todas “candid interviews”); “urgency”, em português corrente, premência; “timeliness”, podendo significar oportunidade; “pithiness”, que traduzo habitualmente por substância, conteúdo; “controversy”, claramente controvérsia; e talvez “utility”, com o signficado de útil, relevante, interessante para alguma coisa.
Parece-me bem que é isso que falta aos jornais, hoje, como dantes. Se formos analisar, o Independente, tinha disso, um pouco mais do que outros. À medida que foi perdendo uma ou mais dessas características, foi naufragando nas vendas dos escaparates e afundou de vez, logo que se percebeu que perdera definitivamente a candura. Sim, a candura da franqueza e da sinceridade. Para mim, a palavra honestidade também serve (...)
Um blog que se preze, tem disso tudo. O que lhe faltará, mesmo assim, é a quantidade de matéria-prima para a premência; suficiente substância, para a relevância e utilidade prática, para os leitores. E falta ainda uma equipa que pensa profissionalmente, organiza com meios e produz profissionalmente. Um blog, é um exercício de artesanato do interesse pessoal de quem o anima. Um jornal, uma obra de grupo. Seria por isso importante que o grupo se desse conta disso. Afinal, vivem do que produzem. Um blog, produz aquilo de que vive. É uma diferença substancial, de facto.
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A Blogosfera tem uma história e uma evolução, cujo resumo aqui deixei. Se Portugal faz parte do mundo desenvolvido onde a maioria da população tem acesso à net e onde a blogosfera se tem desenvolvido de modo vertiginoso, continua porém, nesse desenvolvimento, a manifestar-se pelas características da segunda fase, ou seja: de modo individual, ou quando colectivo, por agregação de indivíduos com afinidades políticas, pessoais, ou outras. As tentativas em contrário, da inclusão de ideias diferentes e mesmo opostas, têm em vários casos dado mau resultado no sentido de que acabam por criar conflitos internos ou mesmo desencadeados pelos comentadores mais agressivos, aos quais o blog acaba por não sobreviver.
O que falta então?
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destaco alguns excertos:
O que serão os blogs vergonhosos? Aqueles que incomodam os sem-vergonha? Os que escrevem sobre os poderes de facto e de direito sobre a coisa política?
A definição escapa ainda à perfeição terminológica dos catalogadores oficiais, pelo que nada mais que um contributo, se poderá acrescentar à noção de vergonha pública exposta nos blogs(...)
Portugal, em 2007, será o mesmo país que era há 20 anos atrás, no final dos anos oitenta? Quando se diz “mesmo país”, quer dizer-se o país com o mesmo grau de evolução cívica e democrática, o mesmo desenvolvimento económico e a mesma perspectiva geral quanto ao futuro.
Nessa altura, -é preciso lembrar -, não havia Internet, nem telemóveis ou outros modos generalizados, de simplificar a circulação da informação. O que se podia saber publicamente sobre acontecimentos ligados às coisas públicas da governação e administração geral do país, restringia-se à informação provinda de agências de notícias e de media tradicionais, com destaque para os jornais. A televisão nunca logrou ser uma vergonha para os poderes de facto e de direito, ou seja, os que detêm o poder de mandar nos outros, definindo as regras do jogo democrático, executando-as e controlando a sua execução.
As únicas vergonhas expostas durante estes últimos vinte anos, apareceram nos jornais. Um deles se destacou pela quantidade de imoralidades e escândalos que logrou apresentar á consideração pública. O jornal semanário Independente, foi, durante toda a década de 90, antes do aparecimento da Internet, o veículo de denúncia de desmandos de governação pública e ainda o meio de ajustar contas, preferido, pelas oposições variadas aos poderes situados do momento. Os dirigentes do Independente, na altura, faziam oposição política, evidente, através da contestação aos governantes, denunciando os escândalos, mesmo mesquinhos ( o caso da manta no avião, por exemplo). Actualmente, os antigos dirigentes do jornal, são, eles mesmo, parte da super-estrutura que então se dedicavam a escrutinar para a minar em descrédito público.
Quer dizer, actualmente não há, nos jornais, ninguém com interesse político em apear os califas, para lhes tomar o lugar. Há jornalistas e jornais com interesses em sobreviver, seja com a publicidade, institucional e privada, seja com as vendas, tendencialmente diminutivas.
Nenhum blog que neste momento existe, cumpre a mesma função que o Independente se reservou desde o primeiro número. Nenhum blog, neste momento, é a vergonha que foi o Independente, para os poderes constituídos.
(...)
Mas, voltando ao ponto essencial: o que será, afinal, esta essência que faltará aos jornais e se pode ler na net dos blogs que aparentemente continuam a ser uma vergonha?
Em tempos, já se escreveu por aqui, algo que diferencia os blogs, em modo de qualidade. Um blog interessante, precisa de algumas desinências que o distinga. Precisa de “candor”, ou seja, franqueza ou mesmo sinceridade (as entrevistas da Playboy eram todas “candid interviews”); “urgency”, em português corrente, premência; “timeliness”, podendo significar oportunidade; “pithiness”, que traduzo habitualmente por substância, conteúdo; “controversy”, claramente controvérsia; e talvez “utility”, com o signficado de útil, relevante, interessante para alguma coisa.
Parece-me bem que é isso que falta aos jornais, hoje, como dantes. Se formos analisar, o Independente, tinha disso, um pouco mais do que outros. À medida que foi perdendo uma ou mais dessas características, foi naufragando nas vendas dos escaparates e afundou de vez, logo que se percebeu que perdera definitivamente a candura. Sim, a candura da franqueza e da sinceridade. Para mim, a palavra honestidade também serve (...)
Um blog que se preze, tem disso tudo. O que lhe faltará, mesmo assim, é a quantidade de matéria-prima para a premência; suficiente substância, para a relevância e utilidade prática, para os leitores. E falta ainda uma equipa que pensa profissionalmente, organiza com meios e produz profissionalmente. Um blog, é um exercício de artesanato do interesse pessoal de quem o anima. Um jornal, uma obra de grupo. Seria por isso importante que o grupo se desse conta disso. Afinal, vivem do que produzem. Um blog, produz aquilo de que vive. É uma diferença substancial, de facto.
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A Blogosfera tem uma história e uma evolução, cujo resumo aqui deixei. Se Portugal faz parte do mundo desenvolvido onde a maioria da população tem acesso à net e onde a blogosfera se tem desenvolvido de modo vertiginoso, continua porém, nesse desenvolvimento, a manifestar-se pelas características da segunda fase, ou seja: de modo individual, ou quando colectivo, por agregação de indivíduos com afinidades políticas, pessoais, ou outras. As tentativas em contrário, da inclusão de ideias diferentes e mesmo opostas, têm em vários casos dado mau resultado no sentido de que acabam por criar conflitos internos ou mesmo desencadeados pelos comentadores mais agressivos, aos quais o blog acaba por não sobreviver.
O que falta então?
Falta, como já acontece nos países onde a blogosfera se constitui como verdadeira alternativa-os que começaram em 2000-, o nascimento de agregadores reunindo vários blogs de noticias ou outros temas, incluindo o domínio comercial. É essa a verdadeira alternativa, ainda pálida por exemplo no espaço oferecido nas ofertas de conteúdos dos meios de comunicação, mas que neste caso enferma do facto de estar subordinada a um editor.
Falta espaço neutro de agregação de blogs que reúnam várias opiniões ou temas sem retirar a individualidade e a gestão de espaço próprio que cada blogger aprecia ter.
É uma questão de tempo. Estamos com provavelmente três quatro anos de atraso, mas lá chegaremos. Acho.


Comentários
Em primeiro lugar agradecido pela sua sempre boa camaradagem e talvez por isso mesmo um bocadinho discordante na matéria deste texto.
Parece-me que os Blogs devem ser concorrenciais. Tento explicar.
Um Blog é muito mais que a escrita que contém. Tem marca, tem estilo para lá do que se escreve.
Se é verdade que não é impossível a construção de um espaço com contraditório, no Tugir acontece muitas vezes, é também que, só com a leitura de outros blogs, que são espaços multimédia, não esquecer, conseguimos ânimo para avançar.
Veja-se, por exemplo, os mergulhos que damos na sabedoria da conjugação do som, da estética, da palavra e do aprender que nos refresca cada vez que abrimos o Contra Capa.
O que gosto desta hiperligação dos Blogs é precisamente a diversidade e ela só se atinge realmente na plenitude de todos os elementos que cada um de nós pode apresentar aos outros.
Um dia, hei-de ter tempo para desenvolver a ideia.
concordo consigo, claro que os blogs nunca poderão perder a sua individualidade.
do que falo é daquilo a que assistimos principalmente nos paises em que a blogosfera está mais desenvolvida, incluindo o Brasil, em que se agregam vários blogs. imagine que em vez de lista de links, tinha uma plataforma que os agregava: estariam aí as suas opções, mostrando desde logo essa diversidade. funcionando como um jornal, mas sem obrigações editoriais que não as dos proprios e sem confrontos internos como infelizmente acontece em alguns blogs:)
uma plataforma dessas substitui um jornal;)
um beijo Luis, sempre agradecida pelas visitas.
O resultado foi quase nada.
Se quiser pode dar uma espreitadela em
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Como dizem as meninas da NetCabo:
Há coisas fantásticas, não há?
:)
No BlogHer tem um exemplo.
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