as ideias valem mais que o dinheiro,

mas é como o Binómio de Newton: O que há é pouca gente para dar por isso...

Entrevista com Francisco José Viegas no CM
....
- Estou a ouvi-lo e a pensar no queixume permanente de muitos agentes culturais sobre a falta de dinheiro como justificação para tudo, principalmente para o que não se faz.
- Esse é um argumento para a conquista do poder. Quer dizer. É muito bom ter o poder de se decidir que programação é que se faz. O programador tem um poder imenso. Decide qual é a política de gosto de uma determinada instituição. O que nós fizemos foi abrir completamente a estrutura. Perguntar o que é que diversas entidades podiam fazer pela Casa Fernando Pessoa. E ao fim de três ou quatro meses tínhamos editores a propor-nos ciclos sobre isto ou aquilo. E aí vimos que era possível fazer muita coisa.
- Sem custos astronómicos e desculpas de falta de dinheiro.
- Exacto. Lembro-me de um debate aqui na casa, na presença da ministra da Cultura, sobre política cultural em que havia três, quatro participantes que se queixavam que as suas instituições ainda não tinham os dinheiros prometidos. Eu estava aqui como espectador e ouvia falar em duzentos, trezentos, quatrocentos mil euros, já tinha milhões de euros na cabeça, e disse-lhes que esse dinheiro todo correspondia ao orçamento anual, bienal da Casa Fernando Pessoa.
(...)
- Não acha que se poderia fazer muito mais com os muitos milhões que o Estado atribui à cultura a todos os níveis, seja ao nível do poder central ou do poder local?
- Sabe que há uma indústria cultural que vive necessariamente dos dinheiros do Estado.
- Mas é uma indústria muito fechada, só para alguns, que apanha tudo o que é subsídio estatal.- É uma indústria que alimenta uma clientela.
- Clientela que vive do Estado e protesta muito.
- Eu desconfio sempre quando há protestos colectivos dos intelectuais contra o Ministério da Cultura, por exemplo. Há de certeza subsídios pelo meio. Eu desconfio sempre muito disso. Acho que é possível trabalhar de outra maneira. Não como nós fizemos, porque é esgotante.
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leia a entrevista toda aqui

Comentários

PintoRibeiro disse…
Duvido...mas...
Bjinho,
Francis disse…
o estado em portugal tem que pagar tudo.

há muita gente subsidio dependente, a maior parte mediocre, não há exigencia, toma lá umas coroas faz aí algo que ninguem liga mas não há problema.

tambem quero.
e-ko disse…
Cristina, v� l� tu, tenho uma prima que � m�dica no hospital da Figueira da Foz, que deve ter a tua idade. pequenina por fora e muito grande por dentro e que, com o irm�o que � professor catedr�tico no T�cnico (um engenheiro como manda a lei...e doutorado como se devem os professores universit�rios) e que me fazem crer que tudo n�o est� perdido neste pa�s, na realidade, porque acreditei, no in�cio, ao voltar para a terrinha, que todos estavam de boa vontade e de boa f� fui constatando que os problemas das m�quinas da sa�de, educa�o, justi�a, e, a marginal m�quina da cultura, decorriam exactamente da falta de organiza�o, responsabiliza�o e profissionalismo que deixam acumular muito p� e teias de aranha... Acredito no que diz o JLViegas, � s� a confirma�o do que fui observando por a�. Os "culturosos" n�o fazem algum esfor�o se n�o obtiverem subven�es consequentes. H� excep�es e conhe�o algumas. Mas, nesta quest�o de subven�es para a cultura, tamb�m os amiguismos pol�ticos e um potencial espectro eleitoral consequente e favor�vel, entram em linha de conta. Assim, o jogo de oportunidades est� viciado e comprometido.

Por motivos que n�o vou desenvolver aqui, depois de uma forma�o na �rea do planeamento urbano e do territ�rio, mas, tamb�m em artes pl�sticas, recusando-me a trabalhar para autarquias, por raz�es pouco evidentes para muita gente... eheheheheh!!! e para gabinetes de arquitetos, pelas mesmas raz�es e mais algumas... trabalhei durante alguns anos na gest�o e programa�o equipamentos culturais e sociais, fora de Portugal, � portanto, um dom�nio que conhe�o bem, como conhe�o bem os efeitos perversos das pol�ticas e dos pol�ticos oportunistas, das atribui�es ou n�o atribui�es de dinheiros p�blicos, da participa�o ou n�o participa�o dos cidad�os na defesa de pol�ticas culturais locais e nacionais que promovam n�o s� a cria�o de p�blicos mas tamb�m a cria�o de p�blicos activos que, praticamente, n�o existem em Portugal, a n�o ser nas pequenas sociedades de recreio que muitas vezes se auto financiam pelas presta�es das suas filarm�nicas e ranchos folcl�ricos, ficando a CULTURA para os doutores das grandes cidades... e se poss�vel bem remunerados e bem apadrinhados. Uma caricatura, este pa�s!

J� me excedi... estou a estudar nossa ideia para a cria�o duma charanga aberta... l� para s�bado j� devo ter a coisa a funcionar com algumas regras reajust�veis. T�?

bjs
C Valente disse…
O estado somos nós.
pagamos e não bufamso, outrs andam sempre á cata de mais dinheiro, pois nada sabem fazer ou não querem sem esse vil metal, muitas das vezes tambem por grande incompetencia de quem está á frente de coisas que nunca divia estar pois capacidade é que não tem
Saudações amigas
Sandra Mara disse…
Excelente blg. Parabéns. Que tal parceria no banner ou link ?
Cristina disse…
PR

acredito! lool :)

baci
Cristina disse…
francis

se fossem bons não eram subsidiodependentes. ou seja uma pessoa pode necessitar de um subsidio inicial, mas este deve ser atribuido a quem revelar qualidade e por tempo determinado.
mas para isso era preciso rigor...

bj
Cristina disse…
e-ko

infelizmente assim é. um dos problemas do nosso país é ser uma aldeia, conhecemo-nos todos uns aos outros, toda a gente tem amigos e conhecidos e há pouco distanciamento..pouca objectividade. e se alguém tenta ser honesto nas avaliações que faz, reza todos os dias para não receber algum telefonema ou cartinha com alguma recomendação.
mas há pessoas muito boas no que fazem, na minha área conheço várias. mas não são esses que geralmente são reconhecidos, são os que têm bons relacionamentos.eu vejo gente famosa que em mim ou na minha familia não põem as mãos, nem pensar.
a minha única vantagem é que os conheço.

quanto à descentralização da cultura, ha tempos tive uma saudável discussão num blog de um homem da cultura sobre as iniciativas que se devem ou não levar a essa população.
sabes que às vezes, os apadrinhados tambem pensam nisso....e depois assiste-se a uma plateia atónita, bocejante e enfastiada.pior a emenda que o soneto. enfim...e que admiração, em gentes habituadas a ranchos folclóricos.

tudo bem pensado portanto.ninguém se lembra de começar pela educação. mas já estou a resvalar do tema..

um beijo
Cristina disse…
c valente

a responsabilidade é sempre de quem gere..

bjinho
e-ko disse…
na questão da educação que levantas, está a educação do ministério, que deverá denominar-se instrução, e que é muito insuficiente, cá pelo burgo. depois temos a educação propriamente dita e que deveria ser maioritariamente administrada pelas famílias que maioritariamente não têm instrução nem educação, para não falar de cultura que é uma coisa que muita gente com instrução e educação não tem... nem vontade de ter! ou, se tem, limitam-se a ler as selecções dos RD e a ir ao cinema para ver os últimos melodramas hollywodianos.

é verdade que esta droga de toda a gente se conhecer num país tão pequenino incomoda-me... e imaginas que durante os vários anos em que estive à espera de ver os meus problemas de saúde resolvidos, nas minhas áreas de residência, não pedi, sequer, à minha prima que é médica, uma ajuda e que bem precisei! Feitios!
Cristina disse…
e-ko

pois a educação é dada pela familia, a formação é dada pela escola. ora se a escola não se preocupar com a formação para a cultura, como é que esta se pode desenvolver? é uma questão de pricipio..

beijinho

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