bibliotecas de 4 patas ou, sinergias para a excelência da sociedade civil.

Uma universidade no interior da Venezuela, Universidad del Valle del Momboy uma unidade educativa privada, implementou um projeto inusitado para levar livros e incentivar a leitura em vilarejos remotos do interior: criou bibliotecas itinerantes em mulas-as bibliomulas. A iniciativa atende comunidades remotas na região andina da Venezuela, usando para isso duas mulas e tem feito tanto sucesso que a instituição responsável pelo projecto, a Universidade, já está a transformar as mulas em cybermulas e até em cinemulas incorporando elementos eletrónicos como laptops e projetores.
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Todos os Domingos, Cenizo e Chiquito fazem esta caminhada admirável. Quando as suas cabeças assomam em algum povoado, são recebidas com tudo menos indiferença: centenas de meninos emocionados e ansiosos pela valiosa carga, precipitam-se sobre os alforges que contêm dezenas de livros infantis e de todo o tipo. A iniciativa chega a 1.878 crianças espalhadas por comunidades distantes.
A professora Cristina Vieras(?!) conta que, por exemplo, para chegar à aldeia de Mocojó, há que atravessar o rio Momboy 24 vezes porque este faz um ziguezague ao longo de todo o caminho. São umas 3 horas de viagem "agarrada à crina da mula com todo o cuidado para que não se molhem os livros".
O programa nasceu da união de um conjunto de vontades com início na Universidad del Valle del Momboy, privada, não filiada em qualquer tendência política ou religiosa, sem fins lucrativos cujas receitas são sempre reinvestidas na instituição, a que se juntou a Universidad Nacional Francisco de Miranda, em Coro, que ofereceu as mulas, e o Banco del Libro em Caracas.
Roberth, do Banco del Libro, descreve a experiência:
«Quando chegamos a La Laguna, somos recebido por muitos rostos inquietos; com os braços segurando os livros no ar, rodeiam a mula ansiosos para que se abram os alforges e possam trocar o livro que leram no mês anterior por outro diferente. Os eleitos não podem ser mais heterogéneos: desde contos infantis com um par de palavras por página, até Andrés Eloy Blanco, Gabriel García Márquez, Dostoievski, Thomas Mann, Esquilo, Sófocles, Eurípides o Herodoto;
uma das coisas mais emocionantes é quando os vemos pedir livros sem figuras: um livro que já abandona o conto infantil e passa à pequena novela. É algo que emociona muito, porque sentes que encontraram um caminho.»
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Em Abril deste ano, o Banco del Libro ganhou o prémio, Astrid Lindgren Memorial Award dado pelo Conselho Sueco para a Cultura com base em Estocolmo, criado para artistas, escritores, fundações ou projectos com trabalho destacado na área cultural infantil em qualquer lugar do Mundo e considerado análogo ao prémio Nobel para os que se dedicam ao trabalho com crianças.
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APLAUSOS.


Comentários
(como sempre em todas as bibliotecas itinerantes. difícil engolir a decisão da administração da gulbenkian, não é?)
Li tanto livro da biblioteca da Gulbenkian. Tenho pena do seu fim.
Gostei deste sítio.
Vou passando
BlogAbraço
obrigada, é sempre um enorme prazer dar conta de iniciativas destas.
irei visitá-lo :))
um abraço. volte sempre.
é triste mas, é uma instituição que tem que gerir os seus recursos e durante muitos anos foi -não sei se não é ainda-, o ministério da cultura deste país. fazer o quê...
é pena sim..
muito obrigada, volte sim:)
um beijo
É tudo bom, mas a classe dos actores é extraordinária, sobretudo os do Benfica.
Olha-se para o banco encarnado e fica-se esmagado pela classe daqueles dois, que parecem dois Lordes Ingleses, o Chalana e o Treinador.
A classe do Petit e do Luisão é imparável. Olha-se para aqueles homens e perguntamo-nos como podem aquelas pessoas estarem, de algum modo, conectadas com o mundo do futebol...
Mas a equipa é que conta. Tudo aquilo tem classe, é organizado, vê-se que cada pormenor foi estudado e é extraordinariamente executado, com requinte e inteligência.
A dignidade profissional que exala aquele relvado, no qual zizezagueiam atletas da mais alta estirpe.
Como poderia ser de outra maneira?
Quando o exemplo vem de cima, do grande empreendedor Vieira, só poderíamos esperar esta excelência e esta classe.
Pá, Vocês deixem lá a Gulbenkian. Olhem para o exemplo daqueles atletas de alto gabarito e compreendam que, tendo chegado a este nível, já ninguém precisa de bibliotecas.
passasteteze? a ver a bola? eu tou a ver a corrida de touros das mulheres. são um bocado mais elegantes em campo....
Passei-me mesmo! Parei na Sic para ver, porque era tão mau que só pensava: como podem aquelas equipas, sobretudo o Benfica, ter a pretensão de ir jogar para a Champion's daqui a meia dúzia de dias...
Que vergonha.
descansa, jogam só uma vez...:/
Também vi a corrida de toiros, sim senhora. Adoro!
ontem foi complicado aquilo...:)
safaram-se a mais nova e a mais velha..lol
beijinhos
Não sabia nem imaginava.
É pena que por cá, com algumas honrosas excepções, nos fiquemos por projectos tipificados para todo o país sem medição real de qual o seu impacto nas populações e qual a verdadeira relação entre esses mesmos projectos e o desenvolvimento do gosto pela leitura...