a grande montra e o teste
Camila Leporace no Opinião e Notícia, .
Antes de mais nada precisamos de separar o conteúdo do seu suporte. A gente tende a considerar eternos e imutáveis certos conceitos e formatos que conhecemos, como o livro, por exemplo. Mas o livro nem sempre foi o veículo de palavras e imagens", refere Mateus Kacowicz, jornalista e fundador da editora Xenon:
Antes de mais nada precisamos de separar o conteúdo do seu suporte. A gente tende a considerar eternos e imutáveis certos conceitos e formatos que conhecemos, como o livro, por exemplo. Mas o livro nem sempre foi o veículo de palavras e imagens", refere Mateus Kacowicz, jornalista e fundador da editora Xenon:
"O primeiro suporte foi o próprio cérebro, no tempo em que a informação era passada de boca a orelha, formando as tradições orais; depois foi o barro, a pedra, o papiro, o pergaminho, o papel, o ecran do computador. Ou seja, a humanidade tem percorrido um belo caminho do oral ao visual, do individual ao coletivo e de volta ao individual, do virtual ao virtual".
Kacowicz enfatiza ainda que, para uns, o livro como objecto é importante, enquanto para outros o que tem valor é somente o conteúdo da obra. "O estudante que fotocopia apenas as páginas do livro que vão sair na prova exemplifica bem essa situação. Ele não tem o menor interesse em possuir o livro, muito menos pagar por ele. Quer apenas o trecho de conteúdo que lhe interessa. A facilidade de download (legal ou pirata) estaria colocando em xeque a estrutura tradicional da edição e distribuição de livros. "
"A internet tende a aproximar os autores, publicadores e editores dos consumidores de livros, o que tende a reduzir a importância das livrarias. Estas, por seu lado, vão-se conglomerando, tornando-se mais e mais aquecidas até que venham a colapsar e se tornem buracos negros", diz Kacowicz, que acredita na existência de uma solução. "Para que os produtores de conteúdo não quebrem, terão que superar os piratas, terão que se aproximar dos consumidores".
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Sobre o mesmo assunto, no Digestivo Cultural
Desde os anos 2000, ou desde antes, existe um negócio chamado blog.
Sobre o mesmo assunto, no Digestivo Cultural
Desde os anos 2000, ou desde antes, existe um negócio chamado blog.
O autor, qual seja, não precisa de esperar mais por um editor para ter os seus escritos publicados. Nem precisa de alguém para distribuir, para divulgar. Só precisa de ter leitores; ou seja, como qualquer escritor (publicado ou não), precisa de ir conquistando leitores aos poucos. E esse é hoje o verdadeiro teste para dizer se um autor é bom ou não (se quiserem, publicável ou não): a audiência on-line.
Na internet, no blog, ninguém olha para a embalagem que envolve os seus escritos; ninguém liga ao local onde a sua obra foi exposta. Se você for bom, você vai ter leitores, ponto (que é o que interessa, no final das contas).
Escreva para a internet; a internet é o grande laboratório, hoje.
E os feedbacks vêm na mesma hora: você não tem de esperar que o leitor se convença a procurar o livro, comprar, ler por inteiro, para só assim gostar ou não. É muito difícil, custa dinheiro e – vamos admitir – você é um autor novo: você ainda não é suficientemente importante para ele, leitor, a ponto de justificar todo esse dispêndio de energia e tempo.
Seja franco: você compraria um livro de um autor desconhecido? se lhe o oferecessem de presente, você leria? eu também não faria nenhuma das duas coisas, em princípio.
Agora se me mandassem um link para um blog – como você – eu leria.
São muitos blogs, sim, mas eu tento ler. Agora, os livros... »
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Há duas situações diferentes nesta questão: uma, exemplificada pela fotocópia de conteúdos, nomeadamente técnicos, ou ainda o caso das assinaturas online que julgo mais ou menos consensual: já ninguém compra livros técnicos a não ser que sejam muito baratos. Os outros, fotocopiam-se ou assinam-se online. Outra, que me pareceu curiosa, foi a sugestão da publicação de E-books como um teste ao eventual futuro sucesso do escritor com a publicação em papel. Será este teste fidedigno? Serão os leitores online um bom espelho do que se passaria nas livrarias?


Comentários
Para mim e para a Cristina, que somos de gerações educadas no papel, não haverá substituição certamente e para os vindouros não me parece.
O prazer de ler não se resume à transferência para o nosso cérebro do conteúdo da obra, a forma como ela é feita determina também uma parte do prazer associado.
Se fosse possível (talvez o seja em breve) transferir informação directamente para a nossa memória em segundos (algo como uma ficha que se ligasse ao nosso cérebro) dar-nos-ia isso o mesmo prazer de ler ?
Reparem que estou a falar de prazer, não de informação útil.
Pegando na palavra "prazer":
Queriam ter orgasmos instantâneos em qualquer sítio ou gostam mais com preliminares tendo de procurar local?
Com os livros passa-se o mesmo, na informação de consulta, no texto curto, são superados pelos novos meios, Na parte puramente lúdica e com tamanho razoável ainda reinam e reinarão.
podemos deixar para já os prazeres e ir almoçar??:P
agora a sério...não falo do prazer fisico de de manusear que para mim ainda existe. :p
2º tentativa...o que eu quero dizer é: será que o publico que iria, eventualmente influenciado por mim, ler um E-book que eu editasse e que até gostava dele, seria uma garantia de sucesso da edição em papel?
isso é que eu não sei. dentro da blogosfera é assim, quem escreve bem tem leitores. mas será que essas pessoas lá fora seriam desconhecidos como os outros a contar do zero, ou teriam alguma vantagem acrescida para o Exito?
bj
Agora o assunto do post. O mercado do livro é já bem complicado. o êxito, por aqui, vem mais facilmente a quem já tem um nome, e, não precisa de escrever obras primas. o mercado do livro electrónico está, praticamente, no início, no mundo e, por aqui, está bem mais atrasado. as vendas fazem-se na net e, quem lê neste país, perfere comprar o livro tradicional a cheirar a verdadeiro papel e tinta. já li longos estudos e até obras literárias de livre acesso na net, e, pessoalmente, não vejo, aí, nenhum inconveniente, até prefiro, por estranho que pareça. passei a minha vida a carregar livros de um lado para o outro porque sempre os consumi em excesso, e sempre andei de casa às costas, e, se pudesse, punha a biblioteca toda no disco externo que não é maior que um livro de bolso. os locais de venda de livros, desde há alguns anos que me irritam, solenemente, com as suas florestas de "bestsellers" a esconder os livros que me interessam, que muitas vezes não têm em stock, porque vendem pouco (más políticas não só das livrarias mas, sobre tudo, das editoras) e os livros que me interessam raramente são propostos em e-book, mais uma vez, porque têm um mercado muito reduzido.
a blogosfera tornou-se num meio rápido de congregar um número mais ou menos importante de leitores, agrora, passar o que por aqui se escreve para papel é outro par de mangas... entra-se na lógica do mercado do livro. as editoras só se interessam pelo conteúdo que represente, potencialmente, um bom investimento e, para lá se chegar, é necessário todos aqueles requisitos porque passam os outros autores, ou nome, ou alguem que conheça quem.
isto, para chegar à questão do e-book antes do livro, e, aí, seguindo a lógica, só se for gratuito, porque a pagar, as pessoas, em geral, perferem o livro que lhes dá a possibilidade de folhear e ler passagens do livro antes de comprar. no caso do contéudo dum blog, porque razão irei eu comprar um e-book, se posso ler o blogue livremente ?
agora, sei que há programas softwere que permitem a qualquer um fazer os seus próprios e-books e de, eventualmente, os pôr à venda, por módica quantia, nos seus próprios sites ou blogs... questões a analisar ...
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