Uma árvore não é só uma árvore


Anne Frank, a adolescente judia que permaneceu escondida dos nazis num sótão com sua família durante 25 meses (até serem capturados em Agosto de 1944), volta a preocupar os seus fãs.
Nesse sótão, ela escreveu um diário onde fez várias descrições de uma árvore que via, ocasionalmente, quando tinha possibilidade de chegar perto da janela e que constituia como que um símbolo de esperança e liberdade.
Em 23 de fevereiro de 1944, ela escreveu
"Nós dois (referindo-se a Peter van Daan, o filho adolescente de uma família que o pai levou para o esconderijo), "olhamos para o céu azul, para o castanheiro desfolhado reluzindo com o orvalho, as gaivotas e outros pássaros cintilando enquanto mergulham pelo ar, e ficamos tão tocados e encantados que não conseguimos falar..."
"Nós dois (referindo-se a Peter van Daan, o filho adolescente de uma família que o pai levou para o esconderijo), "olhamos para o céu azul, para o castanheiro desfolhado reluzindo com o orvalho, as gaivotas e outros pássaros cintilando enquanto mergulham pelo ar, e ficamos tão tocados e encantados que não conseguimos falar..."
"Eu acredito que, enquanto isto existir e eu puder viver para ver esta luz do sol, os céus sem nuvens, enquanto isto durar, não posso ser infeliz". E a 13 de Maio de 1944, "O nosso castanheiro está todo florido. Está coberto de folhas e ainda mais bonito que no ano passado”."
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Anne morreu, como é sabido, num campo de concentração, vítima de tifo. Somente o seu pai sobreviveu para retornar ao sótão, para encontrar o diário e publicá-lo.
Nos últimos anos, uma série de fungos apodreceram quase metade do tronco do famoso castanheiro e uma infestação de traças atacou a copa. A revista alemã “Der Spiegel” informou no ano passado que, vários botânicos passaram meses a observar a árvore e a fazer testes, mas os seus esforços não melhoraram a condição da mesma. As autoridades locais decidiram, então, que teria que ser derrubada.
Acontece que, três fãs e admiradores de Anne Frank se uniram para contestar o decreto municipal alegando que aquela não era apenas uma árvore, mas uma ligação viva a Anne e um símbolo de conforto no pouco da natureza que podia vislumbrar das janelas escurecidas dos quartos onde se escondia.
Os defensores da árvore argumentaram que o seu simbolismo exigia que todas as medidas fossem adoptadas para lhe salvar a vida. “As pessoas dizem sempre sobre as árvores: Esta árvore já viu muita coisa, algo que nunca diriam sobre um prédio", disse Annemiek van Loon, uma especialista em árvores da Fundação da Árvore Holandesa, "Elas são vistas como uma coisa viva".
A fundação reuniu uma equipe de especialistas em árvores para pesquisar formas de prolongar a vida do castanheiro. A árvore, imensa, com um tronco do tamanho de várias pernas de elefante, foi podada para reduzir a exposição aos ventos fortes, já que as folhas ficaram curvadas e douradas, no Verão, por causa da traça Cameraria ohridella que a infesta; dois fungos, o Fomes fomentarius e o Armillaria mellea, estão a provocaar apodrecimento do tronco.
Os directores da Casa Anne Frank (actualmente um museu) na altura, concordaram com o decreto municipal e planearam até a substituição da árvore por uma muda extraída dela, mas agora, concordam com os defensores da conservação. No ano passado, o museu escolheu mesmo o simbolismo dos seus galhos e folhas para um novo site Anne Frank.
Os directores da Casa Anne Frank (actualmente um museu) na altura, concordaram com o decreto municipal e planearam até a substituição da árvore por uma muda extraída dela, mas agora, concordam com os defensores da conservação. No ano passado, o museu escolheu mesmo o simbolismo dos seus galhos e folhas para um novo site Anne Frank.
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Depois de protestos e toda a argumentação, as autoridades locais deram um prazo até Janeiro para que os defensores da árvore elaborem um plano de salvação.
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Comentários
Birmânia diz-se na BBC Brasil.
Muito obrigado.
Batuta.
Eu, josef mario, devo dizer que tenho notado que todos voces, ao final dos seus comentários, estão a escrever "muito obrigado". Ou ficaram, repentinamente, muito bem educados ou estão querendo me sacanear.
Muito obrigado.
Muito obrigado, pá.
Coisa tão biruta
beijocas.
Ps: O blog está com cor nova ou é das minhas lentes?
Há uma cidade na Holanda, Tuilburg que deve o seu nome a uma árvore, uma tília.
Estava enorme sob os seus mais de 1.000 anos de existência e embora tenhamos a sensação de que as árvores sejam eternas, esta tília tinha chegado ao limite de não ser mais que uma amálgama de cascas e porções disformes de troncos. O diâmetro enorme, esburacado e quase todo podre...
Se fosse em Portugal, onde se cortam árvores por tudo e por nada, onde os incêndios são o que se sabe e mandatados pelos colarinhos das cores que tais, há muito que a árvore teria visto as raízes ao sol. Mas ali, toda a cidade chorou quando depois de muita luta para mantê-la e ao não restar outra solução, a árvore se viu perante os artefactos modernas que lhe haveriam de reduzir a sua porção de eternidade a lenha e lixo.
Foi então, depois de terem desbastado o que restava da copa e as máquinas se preparavam para desfazer o disforme tronco, que se deu o milagre!
No centro da tília, como numa ilha toda rodeada de cascas moribundas, uma nova tília nascera apresentando um tamanho já apreciável. Foi dia de festa. Todos os seres que há mais de mil anos viviam nessa árvore continuaram os mitos para outros mil e a cidade de Tuilburg sentiu que a árvore os tinha salvo.
Era de repente a materialização da Phoenix metamorfoseada de verde. A cidade sem aquela árvore não existiria mais, sentiam os seus habitantes. Afinal ela vira nascer todos os que á volta dela viveram e ela foi o legado comum de todos para a posteridade.
O esforço para salvar uma árvore, um bocado de História sob forma dum ser vivo, é duma ternura extraordinária e uma lição que só temo não atingir entre nós o alvo por manifesta incapacidade dos que tendo o poder para preservar a Natureza e incutir em todos os seus valores, aprovam projectos idiotas onde a tónica é a destruição de hectares de árvores para que uns palermas endinheirados andem de carro eléctrico atirando umas bolas em direcção a 18 buracos.
Se sou contra o Golf? Não! Contra o derrube de centenas de hectares de sobreiros como em Benavente? Claro que sim! Sé lhe encontro um nome: Crime, e isto sem falar nos incêndios....
Gostei duma forma muito particular de ler este post. Um relato tocante...
Een zoentje voor jou, en eem bloem Cristina
carlos
entendo tudo o que dizes, a adoração pela natureza e principalmente, a defesa de um símbolo com o significado que esta árvore tem e toda a carga emocional que ela transmite. é evidente que, numa sociedade que se pretende harmoniosa com essa mesma natureza, todos os órgãos dirigentes tinham o dever de zelar por ela e garantir que os cidadãos não a destruissem. estás à espera de um mas, não estás? já vem. então, no caso exposto, não conheço a árvore mas se conhecesse, e vá, mesmo não conhecendo, não deixaria de sentir alguma mágua pelo seu desaparecimento, sinceramente. aí vem o mas: maas, querido Charlie, eu tenho grande dificuldade, à semelhança do que acontece com a defesa dos animais,de isolar estes acontecimentos do mundo global em que vivemos. se a morte da árvore me deixaria alguma magoa, eu não consigo deixar de sentir uma angustia maior por este empenho e capacidade de mobilização não ser empregue em proteger ou fazer alguma coisa por crianças que morrem de fome, por crianças que são maltratadas e mortas em instituições e orfanatos por esse mundo fora, por pessoas que fogem aos milhares todos os dias de zonas de guerra, e a lista seria interminavel....
não sei se entendes o que quero dizer, quero dizer que há sociedades que choram por uma árvore e há sociedades que choram por ver morrer os seus filhos à fome ou sob chumbo, ou com doenças que não podem curar por falta de meios. isso são os verdadeiros dramas. é claro que devemos defender a natureza, principalmente quando representa um elemento vivo da nossa presença e daquilo que deve ser recordado por boas ou más razões mas, o que eu tenho receio, é que nestas sociedades ditas avançadas se perca um pouco a noção. a noção de que muitas vezes, meu amigo, uma árvore é mesmo só uma árvore.
beijitos, muitos.
http://www.annefranktree.com
beijos
Eu, josef mario, agradeço penhorado que a companheira tenha atendido ao meu apelo desesperado, retornando com a sua belíssima foto,que é um verdadeiro colírio para os meus olhos. Vê-se pela sua imagem encantadora e pelo seu texto impecável que a companheira, mais do representar a beleza da mulher portuguesa, também, é um poço transbordante de inteligência e cultura. Muito ao contrário de certas pseudo-intelectuais responsáveis por alguns destes blogs inúteis que inundam e poluem o espaço, algumas das quais que, por incrível que possa parecer, não conhecem, nem ao menos, a obra do companheiro saramago.
À propósito: A companheira gi é solteira?
Muito obrigado.
A par disto houve já importantes perdas de colheitas nos países que costumam ser excedentários em produção agrícola. E prevê-se que as mudanças climáticas agravem estas perdas. O aumento dos preços dos alimentos está para breve em toda a Europa. O que daqui se infere é evidente. E onde é que isto tudo desemboca?
Precisamente no respeito pela natureza. Esquecemo-nos que somos apenas um elemento da Natureza e que tudo o que lhe fazemos tem retorno, resposta, eco. O mundo chegou a este ponto dramático em que nunca houve tantos meios para fazer o bem e nunca se agrediu tanto como agora. Quer-se do mundo duas coisas inconciliáveis; que ele seja um manancial infinito de recursos e ao mesmo tempo um caixote do lixo auto-regenerador.
No meio disto tudo, sabe bem haver quem se preocupe com uma árvore.
Uma árvore é um símbolo, além do mais, de paz com o nosso suporte de vida, com o nosso planeta.
Só temos futuro como espécie se soubermos entender que esse futuro não existe sem biosfera. É dele que dependemos. Todos os dias se perdem milhares de hectares de terra arável, são 80 por minuto! A Amazónia a desaparecer com toda a sua biodiversidade e o potencial fito-medicinal que ele representa, os povos do terceiro mundo sem recursos e sobre povoados. Em todos esses países a fome surge como epígono final dum processo de empobrecimento que teve como um dos vértices (além de outros) a depredação inconsciente dos recursos naturais até à sua exaustão, desembocando no caos de produzir cada vez menos e ter cada vez mais bocas para alimentar. É um cenário que nos pode bater à porta, que nos bate já à porta nas consequências expressas na pressão da emigração clandestina e desesperada que todos os dias fura a fronteira desta velha e ainda próspera Europa.
No meio disto há quem se mobilize por uma árvore...
Como dizes, uma árvore é uma árvore apenas isso, mas a carga que ela representa transporta para todas as esferas um significado mais lato. O de que não podemos ser Homens sem elas. Que dependemos do nosso meio ambiente para sermos Humanidade. É o meio ambiente que nos dá tudo e ao qual devemos devolver apenas respeito. É quanto basta para que prossigamos a nossa marcha à superfície deste rochedo azul.
a o seu QI não chega nem ao menos para perceber que está a falar de pessoas diferentes com estilos obviamente diferentes??
a presunção cega, ein? a idiotice devia ter limites..
não se pode discordar, não é?? :)))
no entanto, a defesa daquela árvore não é feita nesse sentido, é feita num outro contexto um pouco diferente.
mas Carlos, estás a falar de uma postura de vida neste platena com a qual todos concordamos que pode levar seculos a implementar, se é que alguma vez.
eu falo daquilo que acontece todos os dias. toodos. e que poderia ter uma actuação imediata de tanta gente..
Há outro enquadramento no que toca a essa árvore,
Mas há lá coisa melhor do que uma bela discussão?
Há?
Ai sim! Claro que há!
Onde é que eu estava com a cabeça...
jokas
deixa fazer-te uma pergunta, tu não estavas na nossa conversa de café? só falta dizeres-me quem és, pra não estar praqui a trocar as caras.. :p
jokas
E até que adivinhes
levanto um copito de vinho
e petisco-te uma piscadela de olho.
~;)
Eu, josef mario, devo dizer que sempre tratei a companheira com a máxima educação, consideração e respeito que a companheira, bem como todo ser humano, faz por merecer. Portanto, eu, josef mario, estranho esta postura agressiva, deselegante e mal educada com que a companheira passou a me tratar, curiosa e coincidentemente, a partir do momento que comecei a elogiar a beleza, inteligência e cultura insuperáveis da companheira gi.
Muito obrigado.
a sua infantilidade não tem limites mesmo....não, você nunca me tratou com máxima educação, consideração ou respeito. nem a mim nem a ninguém neste blog, como já algumas pessoas notaram. alias, é dificil encontrar aqui alguém de tão baixo nivel. ainda tentei pelo humor, mas nem assim dá para o tolerar. portanto, se quer saber eu sou muito simples: sou sempre o espelho do modo como sou tratada. e sei ser mal educada sim, se o tivesse sido você ja tinha notado, sou competente para o bem e para o mal. portanto, garanto-lhe que ainda não viu.
como mais uma vez prova, o seu auto-denominado grande QI não é suficiante para encarar uma critica como homem adulto, reduz-se imediatamente à argumentação de nivel folhetim erótico de quinta, como quando exaltou as suas qualidades de afrodescendente e no caso agora.
cuidado Jose stalin, estou quase quase com pena de você...o que é um estatudo deveras baixo..
quando isso acontecer,Sr Prof Dr, não só passa a valer zero, como passa a ser transparente, não só para mim como para os outros leitores. pode acreditar..
Eu, josef mario, devo dizer que agradeço as suas palavras elogiosas e, tal qual o companheiro jesus cristo, a minha fé, estoicismo e amor ao próximo, felizmente, são suficientes para oferecer a outra face para ser esbofeteada.
Muito obrigado.
muito antes de o conhecer a si, conheço, e estimo, todos os que aqui vêm. você ja mostrou que não tem nenhuma consideração pelos amigos, mas eu tenho e estou sempre pronta para defender não só a mim como a eles, que não têm culpa que você tenha descoberto este espaço e não vêm aqui para ser insultados. eu também não, convenhamos..
Eu, josef mario, devo dizer que perdoô a companheira e não guardo nenhum rancor porque entendo perfeitamente que todos nós, como humanos que somos, temos as nossas fraquezas e momentos, inevitáveis, de descontrole emocional. Continue com o seu trabalho e que o Senhor ilumine o caminho da companheira.
Muito obrigado.