

A velocista Marion Jones, estrela da Olimpíada de Sydney em 2000, viu o mundo cair ao ser apanhada com doping. A ex-superatleta, abalada, constrangida, envergonhada, tomou ontem uma decisão rara: devolveu as cinco medalhas que ganhou naquela edição dos Jogos e aceitou a anulação de todos os resultados posteriores a 1 de setembro de 2000, depois de confessar que usou drogas para melhorar seu desempenho. Marion Jones declarou-se ainda culpada de mentir às autoridades americanas quando testemunhou que nunca usou esteróides anabolizantes após ter negado, por anos, o consumo de substâncias proibidas. Depois, anunciou que deixava o atletismo
"Marion Jones já devolveu as medalhas que ganhou de forma desonesta nos Jogos de Sidney, as quais serão remetidas ao Comité Olímpico Internacional (COI), em Genebra, a fim de serem entregues aos verdadeiros vencedores dos Jogos", declarou o director-executivo do Comité Olímpico norte-americano, Jim Scherr.
Henry DePippo, o seu advogado diz que "Ela pede desculpas às adversárias e espera que o livro de recordes seja corrigido".
Na quinta-feira, o jornal The Washington Post divulgou uma carta que Jones enviou a familiares e amigos próximos por meio da qual confessou ter usado o anabolizante THG por dois anos, a partir de 1999. Disse que recebeu a substância de Trevor Graham, o ex-técnico. A ex-velocista estava ligada, desde 2003, com o escândalo dos laboratórios Balco, que fornecia o THG a atletas.
"Desiludi-vos e ao meu país. É com grande vergonha que estou perante vós e admito ter traído a vossa confiança. Abandono o atletismo que adorei profundamente", afirmou.
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A atitude de Jones não tem desculpa, ou tem? Já aqui disse a propósito do ciclismo e do atletismo que não acredito em milagres e que estou convencida que a quase totalidade dos atletas de alta competição, principalmente em desportos individuais, em alguma altura da sua vida desportiva usa substâncias que lhe aumenta a massa muscular. A causa é simples: basta que alguns o façam e os outros ficariam em clara desvantagem. Depois, é uma questão de saber usar(só durante os treinos) e não se deixar apanhar. É um jogo de gato e rato altamente potenciado por quem os orienta e quem também lucra com os seus êxitos. Mas, com isso, ninguém parece importar-se. Corre-se o risco e logo se vê. Aliás, para o atleta a dialéctica é simples: não uso não ganho; e para os preparadores-traficantes também: se ele não usa eu não ganho. Só que, quando a coisa corre mal, só há uma pessoa que coloca as suas glórias em cheque, assume a vergonha, o vexame, a desclassificação e a pena, judicial e social: O atleta. Os clubes em que se inserem continuam e, provavelmente continuarão, a reinar impunemente sobre o desmoronamento de sonhos e vidas.
O que Jones fez não tem desculpa, mas quem mais vai pagar por isso?


Comentários
sorry não resisti.
;)
não, como é que ela canta? ou não canta?
Caíu-me mal.
olhe que as orelhas do Vieira tambem não devem estar isentas...
sinceramente, a mim tambem, principalmente pela engrenagem que está por trás. os altetas não chegam às competições caidos do céu..
bj
"O que Jones fez" insere-se na lógica do negócio da alta competição desportiva, nas golden leagues, nos patrocínios de grandes marcas, na necessidade absoluta de ganhar para sobreviver, e por aí adiante, como bem sabes.
Nem todos são capazes de admitir a culpa de uma forma tão clara. Ao menos a Marion Jones teve esse mérito. Seria, obviamente, preferível que não tivesse tido que o ter...
Um beijo.
Beijocas.
Ps: Adorei o prémio, obrigado, vai direitinho para a minha estante lá do poiso
beijocas
Quem vai pagar?
Não serão os clubes naturalmente.
Nem as federações nem os países.
Óbviamente serão sempre os atletas.
Neste caso pagou a Marion Jones.:(
Beijos
Tá-se bem por aqui, musicalmente falando :)))
porque são indiscutivelmente os desportos individuais, em que a competição é mais directa e em que o esforço a gloria e a derrota estão concentrados numa só pessoa, que estão mais associados ao doping. o peso do resultado é muito maior.
beijos
pois, aposto que há muita gente a gradecer essa clareza! não deixa de me fazer pena..
beijinhos
foi digna, o que me irrita é que para os clubes é igual, outras virão. se os clubes vossem dramaticamente penalizados, haja ou não provas, até porque um clube que aceite atletas dopados ainda que não tenha contribuido directamente, devia ser igualmente castigado, se isso acontecesse, talvez as coisas começassem a mudar.
beijos
infelizmente, assim é.
gostaste da poesia? :)
beijinhos
se isso aconteceu, foi realmente uma atitude digna. não tendo sido assim...
dignidade, dignidade, negócios à parte. ou como dizia a anedota, alto lá que o comunismo é só para porcos.
bjs
-Romeiro, Romeiro, quem és tu?
- Ninguém!
beijocas
também pá, não sejas mais papista que o papa, embora tenhas razão:))
talvez o João Botelho se queira dedicar ao tema :)
beijinho
Beijo
Abraço *
um comentario feito no site Relvado.aeiou.pt
O doping sempre foi um problema e até na banda desenhada do Astérix se vai buscar uma poção mágica que faz com que os atletas ganhem (ver Astérix e os Jogos Olímpicos).
Foi no ciclismo, desporto individual, onde mais cedo se começou a falar de dopagem e mais cedo se iniciou o respectivo combate, acelerado por algumas mortes trágicas entre as quais avultou a do antigo campeão do mundo, o inglês Tom Simpson, falecido em plena prova por ter ingerido anfetaminas! Era o doping daqueles tempos, umas drogas (também usadas por estudantes) que evitavam que o cérebro sentisse a sensação de cansaço! O grande problema aqui é que também evitava que funcionasse o centro regulador da temperatura e alguns ciclistas como o já falado Simpson, morreram em hipertermia incompatível com a vida!
Os controlos tomavam conta destas substãncias, detectando-as na urina e assim muitos ciclistas foram apanhados e despojados das suas vitórias! Também em Portugal isso aconteceu até ao grande Joaquim Agostinho! Eram tempos fantásticos em que os ciclistas eram, por vezes, algaliados para lhes tirarem a urina no fim das etapas e meterem na bexiga uma outra supostamente limpa!
Era o tempo em que um ciclista perdeu uma volta a Portugal porque o filho do massagista, rapaz de 8 anos, tomava um xarope da tosse que continha uma substãncia proibida!
O doping evoluiu e foram usadas outras substâncias! Cada vez mais sofisticadas! E mais difíceis de detectar! Até por, como nos esteróides anabolizantes, na altura das cometições já não serem detectadas no organismo!
Durante anos e anos, os controlos estavam sempre, dum ponto de vista científico, um passo atrás dos mais evoluidos produtos dopantes! Até hoje! Em que graças às análises de sangue e aos controlos de surpresa durante a temporada é quase impossível evitar que os produtos sejam detectados! Hoje, até as auto-transfusões (transfusões de sangue do próprio atleta) são passíveis de ser apanhadas!
E sucedem-se os casos, sobretudo no ciclismo, atletismo, halterofilismo e natação, ou seja, desportos individuais em que a força física do atleta é fundamental para alcançar uma boa marca!