o pior bêbado é o que não bebe: cambaleia mas não cai.

Já não tenho dúvidas: uma das piores dores é a provocada pelo que fica entalado na garganta. Principalmente quando estamos a ser acusados de insensíveis, quase de crueldade em relação a outra pessoa, quando parece que somos nós os maus da fita e não podemos gritar bem alto as verdadeiras razões que justificam essa atitude. Quando sabemos que estamos perante um monstro, um monte de lixo humano, quando lhe conhecemos inclusivamente o modus operandi e não podemos denunciar. Hoje aconteceu-me duas vezes, uma na vida profissional, outra na pessoal. É demais para um dia só e ultrapassa largamente o limite da sanidade mental. Da minha, no caso. Mas afinal, o que é a vida senão uma sucessão de desvios, vícios imperceptíveis e máscaras monumentais? Um dia desmontaremos este imenso jogo. Um dia.


Comentários
A mais grata vitória sucede, quando o jogo se desmonta por ele próprio, precisamente porque as máscaras não estão coladas e acabam por cair.
E apeteceu-me partilhar um abraço ainda que virtual.
Beijocas
Pois faz muito bem em desabafar. Há dias um senhor que conheço, idoso mas ainda vai à pesca e safa-se muito bem, disse-me assim: "Há dias bons e dias cabrons".
Agora mudando de assunto é só para dizer que gosto muito da Marquesa. Acho um acto extraordinário, serviço publico a sério! Fachavor de arranjar mais qq coisa...
Bjs:)
Tino.
Assim de repente apetece-me lambuzá-la com carinho e momices mas como estou a falar para um ecran o melhor é dar-lhe um beijo na ponta do nariz.
A dado passo escreve a Amiga:
- "e não podemos gritar bem alto"
Um pouco mais à frente, volta a Amiga a escrever:
- "e não podemos denunciar"
Esta sua cumlicidade no silêncio da coisa (digo, coisa, porque não sei do que se trata, nem tenho que saber, obviamente) é voluntária ou involuntária ... ?
Quero dizer, a Amiga é "obrigada" a ficar calada ?
Dois pontos merecem reflexão e deve reflectir sobre eles, se me permite:
- O primeiro de todos e o mais importante:
Há vítimas do seu silêncio, e resultante directa ou indirectamente da prática de terceiros, Cristina ?
- O segundo, que pode gerar acção e mudança:
Que motivações tem a Amiga para ficar silenciosa, perante a situação ? Qual o peso de cada uma delas na sua Ética e na sua Moral ?
Se pensar a sério, nestes dois pontos, encontrará ums solução e perderá o nó na garganta.
beijo grande
um beijinho para ti. o pior é que a vida é bem pior que os filmes.
as situações profissionais desmontam-se, mas sempre tarde demais. e com dramas irreparaveis. a segunda situação duvido que alguma vez se saiba. e a pessoa vai continuar a fazer a sua vida social como sempre...
a vida é tão injusta caramba.
grande frase essa!!
obrigada, tenho que voltar a perguntar de que temas gostariam que falasse. é que às vezes nem imagino..
beijos
obrigada. não foi por acaso que cá vim desabafar...pelo menos alguem está sempre disponivel para mandar um carinho quando precisamos.
é por isso que é bom de vez em quando mostrar que não somos de ferro.
umabraço apertadito.
eu ja lhe resondo com mais calma, agora tenho que ir ao supermercado :p ate logo.
Espero que essa fase seja rápidamente ultrapassada.
E um fim de semana o melhor possivel.
JMC
Além dum miminho, só me ocorre dizer-te..nunca calar casos de pedofilia..( o resto é perder tempo de viver e dá mau feitio)
abraço
intruso
respondendo às suas questões, o silêncio só é voluntário no sentido de assumido. mas é obrigatório.
no primeiro caso, porque a lei o exige, e já falámos tantas vezes aqui nisso, lembra-se? são os tais coitadinhos que exigem sigilo profissional "porque não podem ser vitimas de discriminação" e a lei os protege. tem implicação para terceiros sim, incluindo crianças.
aliás, ja teve.
quando ha contacto com a familia, ainda se pode "forçar a barra" e obrigá-los a dizer a verdae, mas quando não ha, o doente manda e ponto final. há centenas/milhares nestas circunstâncias. e é das coisas mais revoltantes que se pode viver para nós, acredite.
a segunda siação, é uma situação que ja me tinha sido confessada de abuso sexual de uma menor(na altura) pelo padrasto. confessado por ela. foi levada ao medico, foi confrontada com a mãe e ele e decidiram abafar o caso com muito choro e pedidos de desculpa.
nem sequer é um problema de uma familia com distanciamento, não, é como se fosse a minha familia percebe?. vivem na aldeia. a miuda foi viver para casa da avó por motivos reais mas não justificativos por si só(a avó precisa dela, está na faculade e ali tem mais espaço e silêncio para estudar, a avó tem mais disponibilidade economica para a ajudar, etc., batia tudo certo)
ela propria me pediu por tudo que nunca contasse porque seria a vergonha total na terra e porque a reação do pai, avô, etc, seriam de contornos imprevisiveis (e eu sei que sim, não me admiraria que o avô pegasse na espingarda e desse um tiro no outro..) disse-me inclusive, que se se soubesse nunca mais voltaria à terra. e eu sei que não.
portanto, a situação foi contornada dessa maneira dentro daquele contexto.
o que acontece, é que como desde aí, ha 2 ou 3 anos, tenho mostrado alguma frieza em relação à mãe e ao padrasto, a restante familia acha que eu me afastei sem motivo, que já não sou a mesma pessoa pare eles,etc. isto me dizia uma tia da moça ontem. e realmente, aparentemente não há motivo.
agora o nó e a dor que fica na garganta é uma coisa insuportável. mesmo.
paciencia, quem me interessa proteger está bem e o resto, hei-de levar com isso tempo que for necessario.
portanto, uma boa dose para um dia só, verdade? mas hoje temos sol outra vez, é o que vale.
beijos