há dias.

Há dias que valem por uma vida. Ou, como dizia um saudoso e querido familiar, há dias que uma pessoa já podia morrer depois de os ter vivido.
Não era uma segunda-feira habitual porque não ia trabalhar, mas levantei-me para, como sempre, levar a filha à escola. Passados alguns minutos, estranhei que não se tivesse vestido. Que não ia. Mas porquê??, eu, espantadíssima, já que é uma coisa que ela detesta fazer: faltar. Queria ir comigo ao médico, disse-me. Aceitei sem contestar. Talvez porque me viu preocupada, ou, simplesmente, porque no seu coraçãozito se acendeu alguma luz de alerta, afinal está habituada a que eu fale de doentes e não o contrário, que a doente seja eu. Alguma coisa lá dentro lhe disse que devia ir. Foi. Disse que queria entrar e entrou. Ouviu tudo. Sorriu-me muitas vezes. Quando saímos, abraçou-me, beijou-me e disse-me apenas "vês? eu não te dizia? e agora?.... vamos fazer compras?"
Sim, vamos passear, ver coisas bonitas, pôr-nos bonitas.
Ao voltar para casa, entre sorrisos largos, trauteando as cantigas da rádio de fim de tarde, ainda me disse "sabes mãe? ontem quando me deitei nunca imaginei que hoje pudesse ser um dia tão tão bom. gostei tanto." Tinha razão. Não há escola, nem trabalho, nem compromissos inadiáveis que se devam sobrepor a dias assim. Nunca.
.
Pedro Dória
no matter who you are, no matter where you go in your life, you need somebody to stand by you.
Ao voltar para casa, entre sorrisos largos, trauteando as cantigas da rádio de fim de tarde, ainda me disse "sabes mãe? ontem quando me deitei nunca imaginei que hoje pudesse ser um dia tão tão bom. gostei tanto." Tinha razão. Não há escola, nem trabalho, nem compromissos inadiáveis que se devam sobrepor a dias assim. Nunca.
.
Pedro Dória
no matter who you are, no matter where you go in your life, you need somebody to stand by you.
É isso, não conheço nada melhor que a sensação, o aconchego à alma, de encontrar esse alguém.


Comentários
Um beijo à mãe e outro à filha...
Às vezes não há palavras suficientes...
Um beijo enorme a ambas. E obrigada por esta partilha Cristina.
eu também não consegui. somos umas choronas, mas afinal não é todos os dias que se ganha alguém para "stand by you" :)
beijos
desejo, e espero, que também já tenha tido momentos destes que muitas vezes até acontecem mais fora da familia que dentro.
beijocas
para ti também :)
beijinhos tb:)
saiu. é uma coisa tão forte que me apeteceu partilhar :)
beijinhos
E a música tem tudo a ver com o post!
Não sei se tu és a "minha" (perdoa) Cristina Vieira mas desconfio que sim por duas razões: pela cabeça que exibes, melhor dizendo, que escreves (sim, já tinha por cá andado);
porque vim aqui parar através do Sopa de Ideias;
Vai daí creio que és a "minha" Cristina ex-LFCL
Sejas tu quem fores quero aplaudir este post.
Tenho tido um ano difícil para me adaptar às idiossincrasias da escola do meu filho. Estas últimas semanas têm dado comigo a ir ao tapete. Porque é que uma criança no início da escola primária tem de ter "um emprego" com custos de assiduidade levados aos 10 minutos, às meias-horas? Porque é que a primeiríssima prioridade é uma aprendizagem chata porque forçada e tensa em detrimento da alegria e da felicidade?
Soube-me bem o teu post, sinto-me mais normal, porque há muito boa gente que acha que um dia assim não justifica faltas. Gaita!
Até breve!