cuidado, que é pela falta de saúde que se morre. as pessoas como os partidos.

nos últimos dias temos vindo a assistir, com grande pena, a um meter os pés pelas mãos na gestão de recursos na área da saúde que é, para além de inexplicável, revelador de um verdadeiro desnorte e, pior que isso, de uma displicência pouco dignificante em relação aos primeiros destinatários destes serviços: os doentes. Exemplo disso, são as últimas decisões erráticas em relação ao caso do fecho urgências pediátricas no período nocturno, entre 15 de Junho e 15 de Setembro, nos Centros Hospitalares Barreiro-Montijo e de Setúbal comentado pela Sofia Loureiro dos Santos. Afinal os motivos do fecho existiam, ou não? Se eram consistentes porque não se avançou? Ou não eram? Temos cada vez mais dúvidas.
Nos últimos dias assistimos também ao surgimento de notícias segundo as quais helicópteros de emergência sediados em Lisboa e no Porto e algumas ambulâncias de Suporte Imediato de Vida (SIV) poderiam ser cancelados. Não menos grave, os enfermeiros do INEM denunciavam um peso excessivo de trabalho precário na tripulação de ambulâncias. Mesmo descontando algum exagero por força da pressão que se pretende com fim à satisfação de reivindicações, justas, é evidente que o funcionamento do INEM, organismo fundamental no atendimento rápido de emergência, se revela cada vez mais de uma fragilidade assustadora. Não sei se é exactamente assim mas é, seguramente, suficiente para a população se sentir insegura. E não há pior politica de saúde que a de deixar alastrar este clima de insegurança.
Mas houve mais. Como dei conta aqui, uma das medidas que o ministério adoptou para contenção de despesa foi o corte nas contratações de médicos e nas horas extraordinárias. Horas essas que sustentam, talvez, uma grande parte, se não a maioria, das urgências deste país. Ora não me parece, e posso apostar alto neste parecer, que quem faz urgências se tenha deparado alguma vez com excesso de médicos sem ter o que fazer. A experiência costuma ser a oposta. Por outro lado, se não aumentarem os quadros médicos dos hospitais e centros de saúde de forma a evitar as horas extraordinárias, de que forma vão ter pessoas a preencher as escalas? Não percebo. Ou então, não me explicaram.
Parece-me haver em tudo isto pouca racionalidade. Pior ainda, parece-me haver em tudo isto uma obsessão muito perigosa com a redução de custos. Pode-se sempre voltar atrás e ziguezagues não fazem mal quando é para bem. Temo é que estejamos à beira de um caminho sem retorno.


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