Trabalho infantil

Mario Volpi, oficial de programas do Unicef, o Fundo da ONU para a Infância e Adolescência diz que esta ideia está já incutida na sociedade.
"As famílias, principalmente as mais pobres, vêem a questão do trabalho como uma forma de livrar a criança, o adolescente da marginalização, da exclusão social, do envolvimento com drogas. É essa visão cultural que deposita no trabalho uma forma de prevenção dos males".
Mitos como: eu também trabalhei quando criança, meu pai trabalhou... só reforça esta cultura de que é normal a criança trabalhar.
Por outro lado, nos meios rurais, a actividade dos filhos na lavoura é necessária para que estes jovens aprendam a lidar com a terra, o filho só aprende, com o pai. Não fazem isso porque são maus, porque não gostam dos filhos, ou porque acham que o destino dessa crianças é ficar escravo do trabalho. A questão é, ou o filho auxilia o pai, ou não aprende a lidar com a agricultura.
Mas o que acontece normalmente é que o trabalho precoce prejudica a escolarização das crianças e uma futura colocação no mercado de trabalho.
a partir de uma notícia BBC Brasil


Comentários
Raios parta o politicamente correcto! Filhos meus, colocá-los-ei a trabalhar numa fábrica de sapatos desde a mais tenra idade!
não digas isso :) hoje estavas na falência loooool. já enm a agricultura se salva ;)
beijo
Porque é que trabalhar na agricultura é precoce, enquanto miúdos de tenra idade que são modelos ou actores e passam o dia debaixo dos holofotes a gravar - muitas vezes disparates - já não são explorados... ou se fala em exploração infantil?
(perdoem-me o post nabokoviano. A chuva - ou as autárquicas, não sei bem - tolda-me o intelecto...)
são explorados e muito, basta ver a quantidade de papás que viram "empresários" dos filhos :)
como ficam famosos, são outras contas;)
beijinho:)
não me parece nada católica essa aspiração a explorador de miudas looool, mas retável, é. ;)
exploração há sempre, não é? o pagamento é que é diferente.
beijinho:)
E o destino da Maria Armanda do "Eu vi um sapo" ? Ouvi-a há uns tempos, que amargura pela perda da fama. Era operadora telefónica de telemarketing ou algo assim.
coitados, será que esta geste (pais) não entendem que sem formação não se vai longe? lá porque cantam afinadinho em criança, já acham que têm o futuro na mão :(
e o pior é que a maior parte das vezes nem voltam a estudar.
bj
contribui para isso o facto de as pessoas não quererem perder a exploração das terras, os mais pobres porque precisam de ajuda, os mais ricos porque sabem que se os filhos forem estudar, essa exploração acaba por se preder:)
foi o que aconteceu na minha zona, os "estudantes" acabaram por vender tudo lol, o que custou muitíssimo aos pais.
beijo
E aquelas crianças que cosem bolas da nike, ou da adidas -ou outra marca qualquer - e recebem um dólar USD por mês?
Enquanto a bola chega ao mercado a custar +/-70 euros... é mais um flagelo global!
E estas crianças também têm pais a trabalhar no campo!...
Onde está a ONU, a UNICEF e outros...
as circunstancias são diferentes, ou nem tanto..na realidade que eu conhecia a produção de fruta dava muito dinheiro, mesmo.
no caso que falas, o dinheiro vai-se buscar a outro lado, mas a finaliadade é a mesma.
agora! é sem duvida uma questão de formação, por ex há pais que por muitas dificuldades que tenham, não permitem que os filhos deixem o estudo, recorrendo às ajudas que houver. isto vai levar décadas até todos os pais entenderem a importãncia da formação:)quando eles próprios a tiverem :)
mas para acabar com este problema, vai ser preciso mais do que boa vontade, e quantas personalidades a UNICEF queira nomear...
Eu por exemplo, quando chegar a altura, vou querer adoptar uma criança, em vez de proceder aos trâmites "normais"... pelo menos ajudo alguém que de outra forma iria passar muitas dificuldades.
E é algo que todos devíamos pensar em fazer...
esse é um tema muuuito interessante, havemos de falar sobre ele:))
quanto à formação, não achas que só se resolve quando os próprios pais a tiverem? enquanto não for assim, é dificil convencê-los da vantagem de não terem ao seu lado os filhos, a trabalhar. o que em abono da verdade, nalgumas situações, era melhor que se tivessem dedicado ao negócio dos pais,lol.
beijinho
Desculpa se me estiquei ... é no que dão as saudades !!!!
Beijinhos ~:o)
já falamos por aí neste tipo de trabalho que é considerado de luxo mas não deixa de o ser, com a agravante de que aqui, já nem há aquela inocência de quem põe um filho "a ajudar", aqui, oa pais tiram verdadeiro benefício disso além do económico, um benefício social. e isso de facto às vezes é difícil de ver.
uma vez vi um documentário sobre um concurso americano tipo miss/barbie para crianças de talvez 3 a 8 anos, as miúdas passavam a vida a viajar de terra em terra, vestidas como adultas (iguais à barbie), dormiam com rolos na cabaça, sempre com a família atrás dos prémios....deprimente!
ps:essa dos meninos azuis, há que tempos que não ouvia..
beijinhos:))
tb já disse que às vezes era preferível..como em tudo, se a pessoa gosta mesmo, porque não fazer disso profissão? desde que cumpra a escolaridade básica:)
mas é pena ver alguns miudos que poderiam ir tão longe, limitados á partida por um trabalho que não lhes diz nada, ou diz, mas sem a possibilidade de conhecer outros caminhos..
agora quando nem a escolaridade obrigatória tem possibilidade de ter, é reprovável, quanto a mim:)
beijinho:))
Não me venham defender o trabalho infantil. Não queiram prepetuar a miséria económica e cultural.
não é defesa, mas é preciso também entender determinados contextos.
ninguém defende o trabalho infantil..o que quero dizer que ás vezes acabar com ele pode ser igualmente violento, que te parece?
ainda para mais tem várias origens! é muito triste... mas pouco se pode fazer...
mesmo os pais estando informados, basta um contratempo para que eles mandem os conhecimentos adquiridos passear...
Muito bem. Bom tema. E há aqui opiniões muito interessantes a fugirem ao discurso oficial, normalmente incapaz de se debruçar sobre circunstâncias muito específicas de cada realidade em que estão inseridas.
é um equilibrio muito instável...ainda não está interiorizado, por enquanto, é visto como uma obrigação:)
bj
muito importante, numa altura em que se fala de educação..até parece que o problema são as propinas..
parece que ninguém se lembra do interior, do fecho das escolas e os miudos que não têm transportes e acabam por ficar em casa...
beijo, boa noite!
Olá!
É um assunto muito complexo, em que a generalização das situações me parece um caminho perigoso.
Cada pessoa é um universo de problemas e cada caso é um caso.
Tudo muito complicado...
Aposto que estás na TVI, como manda a tradição:)))
pois tou, e a pensar na quantidade de traumatismos que isto vai causar em muitas casas...também estou a apreciar muito a expressão dos presentes...:)
Porque é que achas que isto vai causar traumatismos em muitas casas?:)
As expressões? Anda muita fome encoberta:)))
Não vi as entrevistas de rua...
pelos representações apresentadas :)
perdeste um grande momento...;)
também gostei dos telefonemas...
e até com medo deste:((((
Quando fôr grande quero ser Manuel João Vieira!
Isto é que são carótidas apertadas:)
Tenho que tratar do MSN, bolas!
loool
grande serão! mas olha, falou de uma tradição muito importante e que eu tanto ouvia descrever na aldeia...looool.
acho que está a haver aqui algum obscurecimento do tema do post ;)
também acho...
o que já me ri aqui na conversa...
Viva a música portuguesa!!! Tás a ouvir???
Serões de província, portanto...
Obscurecimento do tema do post? Não:)))))))))))Nem pensar...!!!
O trabalho infantil também passa por aqui, infelizmente:(III
como não??
são uns romanticos, os portugueses...fiquei emocionada..
"Convém o homem estar encostado a um tipo de parede", diz ela!!!
"Já vimos nos filmes"...diz ela!!!
Extraordinário!!!
quem sabe faz, quem não sabe ensina...
mais entrevistas, é que mais gosto:))))))))))))))))))))))
Essa é típica e bem achada:)))
Venham mais cinco...entrevistas;)))
Já vamos nas artes plásticas!
Homenagem às nádegas portuguesas?
Escultura, Belas Artes, que grande magazine cultural:))))
FIM DE EXCITAÇÃO:(((((((((((((((
há-de dar um grande post...
já acabou?? agora que isto tava a correr tão bem..
Pois é, caramba, estava mesmo a correr bem:)))
Segunda-feira há mais. É uma...vez por semana:)
Embalado por este serão libidinoso da TVI, proponho que a música do blog para a próxima segunda feira seja o "Nobody does it better":)))
lool, ainda bem, preservar as coronárias...
não se aguenta ver muitas vezes estas coisas.
bem acho que me vou calar..
e a minha tese? prometida há anos...:(
Ai a tese, a tese...
Está toda na cabeça, mas o tempo esta semana foi tão pouco...
Prometi-te em 2003, não foi?:)
Mas há sempre a inefável, mas mui digna, possibilidade de levar em mão para o jantar do Blog:)))
Tinham-me escapado as...coronárias!!!! Venha de lá uma explicação:)
JC Analfabeto
há mais..há mais.
pois, pois, desculpas.
eu não disse que me ía calar? eu cumpro;)
e vou-me candidatar ás proximas eleições..
Há mais, há...mas eu desculpo:)
Tu vais QUÊ???
Tens que me pedir primeiro para ser teu assessor político, senão não vais a lado nenhum:)))
loool:) não sei se confie...não me disseste que a política eram águas passadas?:)
importa-se que eu durma alguma coisa? (o respeito...)
Nunca digas que desta água passada não voltas a beber:)
Em política tudo é possível.
Caramba, eu não ia deixar-te passear a tua ingenuidade nessa área para o país inteiro ver:))))
Fazemos assim: combinámos vários jantares do Blog antes das eleições e fazemos aí as reuniões:)))
Parece-me acima de qualquer suspeita, não achas???
Já agora, aque eleições estás a pensar candidatar-te?
agradecida:) so kind :)))bons sonhos.
Boa noite. Bjos.
A miséria dá outros tons à questão!E haver uma criança explorada, envergonha a "civilização" que julgamos ser!!
Que linda música!!!
Só conhecia o Nothing Compares da Sinead!!
esta é uma das minhas favoritas!!
Tens mesmo bom gosto!!!
um chuác e um bom dia!!
parabéns..
Bj
sem dúvida, é um parâmetro importante na avaliação do nivel de desenvolvimento de uma sociedade.e não pode haver descanso enquanto há crianças que praticamente não frequentam a escola, que são usadas como fonte de rendimento da família. aí o estado deve ter uma palavra dizer, mais, uma intervensão a fazer, mas quando falamos de ajudas do estado vamos sempre embater no mesmo tipo de limitações..
beijinho:)
ps-tb gosto desta versão:)
obrigada:)beijinho.
Cultura local influencia trabalho no cultivo do fumo
A presença de crianças trabalhando nas plantações de fumo, no sul do Brasil, é um caso bastante particular.
Não se trata de famílias vivendo na pobreza absoluta, e as crianças, em sua maioria, continuam freqüentando a escola.
De acordo com a professora Terezinha Condes, da Escola Cristo Rei, em Candelária (RS), a evasão escolar vem diminuindo na região nos últimos anos, graças a uma ação da Delegacia Regional do Trabalho e dos governos locais, que tem conscientizado as famílias.
Ainda assim, as crianças e os jovens da 8a. Série da escola trabalham praticamente todos os dias, ajudando seus pais nas plantações de tabaco.
Futuro
“Não sei se vou poder cursar o segundo grau”, diz Margareth Kremer Sott, de 14 anos, que gostaria de ser professora no futuro.
“Minha mãe trabalha sozinha, só tem a mim e minha irmã para ajudar na lavoura”, explica.
A supervisora da escola, Maria Matildes Paulus, conta que os agricultores não têm dinheiro para contratar ajuda no momento mais necessário no ciclo do fumo.
“Além disso, muitos funcionários contratados entram na Justiça contra os empregadores – e em geral têm ganho de causa – porque não cumprem um período completo de contrato”, conta ela.
Cultura
A questão cultural também é um fator de forte influência no trabalho infantil nessa região.
“A maioria dessas famílias é de luteranos, religião em que o trabalho é uma forma de louvar a Deus”, explica a geógrafa Vírginia Etge, coordenadora do programa de mestrado e doutorado em desenvolvimento regional da Unisc (Universidade de Santa Cruz do Sul).
“Além disso, eles reproduzem um regime servil, o que tem reflexos diretos nas relações intrafamiliares”, completa.
Visitando a escola Cristo Rei, no município de Candelária, cerca de 90% dos alunos são filhos de produtores de tabaco e boa parte deles é de ascendência européia.
Os pais dessas crianças, por sua vez, trabalharam desde cedo na lavoura, com seus pais.
“Só estudei até a quarta-série. Também plantava fumo com meus pais desde criança”, conta Geni Hemerdinges, mãe de Lairton, aluno da 8a. Série da escola.
O fumo é a cultura que mais gera lucro para o pequeno agricultor, e Lairton não se lembra de quando começou a trabalhar na plantação. “Desde sempre, acho”.
Os produtores de tabaco são contratados por produção. As companhias “encomendam” a eles um determinado número de pés de fumo no início do ciclo. A empresa fornece as sementes e o material necessário e se compromente a comprar a produção no fim da safra.
Levantamento
No fim dos anos 90, o auditor fiscal da Delegacia Regional do Trabalho, Claudio Menezes, e a socióloga Eridan Magalhães, também da Delegacia, fizeram um levantamento em cinco municípios produtores de fumo da região, para avaliar a situação das crianças.
“O levantamento foi feito para que fosse implantado o Peti (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil) na região”, conta Eridan.
Nem todos os municípios aderiram ao programa do governo, mas como resultado desse trabalho diminuíram sensivelmente o contato das crianças com agrotóxicos e a evasão escolar.
Mas as crianças continuam trabalhando.