voltando à polémica das maternidades,


e independentemente da legítima ambição das futuras mães em poder parir o mais perto de casa possível, há aspectos na decisão do governo que têm algum sentido. Já por aí o disse num comentário, um dos parâmetros mais importantes de garantia de qualidade de um serviço que envolve especialidades cirúrgicas é a casuística. Ou seja, o "treino" e experiência do médico, é uma garantia em situações de maior risco ou gravidade. Os partos eutócicos correm bem em qualquer lado, com qualquer ajuda; já os distócicos, exigem pessoal experimentado. Há diversos estudos europeus que o demonstram e já em França foi tomada o mesmo tipo de decisão em hospitais de pouca afluência por se considerar que as parturientes estavam sujeitas a maior risco. O que é verdade. Em maternidades com meia dúzia de partos por dia, atendendo a que cada médico estará na urgência 1 ou 2 vezes por semana e a frequência de situações complicadas é baixa, facilmente se concluirá que este profissional rapidamente "perderá a mão" para as complicações. E este é um facto inegável de risco para as parturientes e recém nascidos.

Comentários

Kaos disse…
Tanto falam da necessidade de reduzir a os gastos do estado, mas quando alguma medida é tomada todos se levam contra. Poupar sim mas os outros. É como o desemprego, há quem defenda o despedimento dos funcionários publicos e andar a gritar contra os números do desemprego. Decidam-se.
beijo
crack disse…
Por este entendimento, a competência associada à prática quotidiana e volumosa, fecham-se várias especialidades médicas fora dos grandes hospitais centrais? Será impressão minha, ou esta é uma falsa questão, quando, em simultâneo, se diz querer impedir a desertificação do interior do país?
MariaTuché disse…
Eu concordo totalmente contigo Cristina, mas este nós Portugueses sempre reclamamos de tudo seja por se encerrar uma maternidade seja por uma autarca de uma terrinha do interior defender e trazer imigrantes de outro país para lutar contra a desertificação lá da terrinha e da população envelhecer...está enraizado na nossa cultura sermos contra sem perceber muitas vezes o porquê das coisas!!!
Beijooss
maloud disse…
Ainda não percebi, porque é que o meu condomínio {não, não é fechado} não tem hospital e maternidade. Espero que o Prof. Correia de Campos nos esclareça, e satisfaça rapidamente os nossos legítimos anseios, senão aí vamos nós de autocarro e farnel com cartazes para a porta do Sócrates, e mal as TVs entrem com os directos, abrimos as goelas e gritamos fascista! e outros mimos. Estejam atentos que qualquer dia somos nós as estrelas.
Alien8 disse…
Boas vias de comunicação, bons transportes, e sobretudo boa assistência durante a gravidez resolvem, creio, muitos problemas. Melhor ainda, previnem situações de potencial risco, de modo a que as maternidades funcionem com profissionais competentes e experimentados, e sem demasiado prejuízo. É uma questão sempre delicada, mas o caminho não é certamente, "uma casa, uma maternidade"...
Beijinhos.
Anónimo disse…
Eu parece q estou contra a maré... Mas a minha opinião está mais proxima da do "crack".
Beijitos
wind disse…
Neste post concordo completamente contigo, mas vou talves desviar o assuntopara algo que me aconteceu ontem no HSM, onde se prova que os hospitais e os médicos (desculpa se generalizo, com certeza que há excepções) só despacham.
Tinha uma consulta marcada para as 10h 15m. a médica chegou ás 11h, fui atendida às 13h. Estive lá dentro 5m e teve a lata de me dizer que o problema que eu tinha não era nada com ela, embora e aqui sim surge o busilis, me tenha receitado duas coisas, que provam que o problema era de facto com ela! Conclusão, saí danada por não ter explodido, e hoje já marquei para ir a um médico particular. infelizmente a saúde só pode ser feita pagando! Desculpa o "testamento". beijos
Cristina disse…
Kaos

tens razão, protasta-se por porque sim e porque não...mas, embora a gestão de recursos seja importante, embora seja dificil de engolir numa sociedade em que o governo esbanja tanto, aqui é outra a questão, e custa-me a crer que uma decisão com o custo político desta, fosse tomada se não houvesse realmente evidencia daquilo que eu disse no post.;)

beijinho
Cristina disse…
Crack

não, esta é uma questão real...a ordem tem números neste sentido, cada serviço deve ter um minimo de cirurgias para se considerar idóneo. essa é uma noção que ja se tem clara em outros países da europa.

eu vi na tv, alguns numeros que apontavam para 300 partos/ ano, 800 partos/ ano....o meu hospital tem mais que isso por mês... que garantias oferecem estes serviços? claro que as pessoas podem sempre, quando se virem aflitas, transferir para um central. mas ja pensou no que é uma emergência obstétrica???? a resolução tem que ser em minutos, segundos...
acredito que um ministro depois de se apreceber disto, fique sem opção...até porque em termos de europa, não sei se seria obrigado a isso. como disse antes, tem um custo politico demasiado grande para ser feito de animo leve...


beijos
Cristina disse…
Deus..
boa tarde, um beijo.
Cristina disse…
tuché

claro que as pessoas tendem a defender o que lhes é mais conveniente...mas então, talvez fizesse sentido que estas explicações fossem melhor dadas...

beijinhos
Cristina disse…
Maloud

um hospital não digo, mas uma parteira, talvez se arranje, que a menina a protestar não deve ser pêra doce... ;)


jinhos
Cristina disse…
Alien

nem mais.

desde que haja bom acompanhamento, as coisas podem ser resolvidas, afinal portugal não é um país tão grande assim...ou avançamos para parametros europeus, ou nos ficamos pela medicina tipo João Semana...


jinhos.
Cristina disse…
mar

só para não me repetir peço-lhe o favor de ler a resposta que deixei ao crack...;)

junhos
Cristina disse…
wind

nem sempre, felizmente muitas coisas se resolvem nos hospitais, a maioria mesmo. mas pessoas "desligadas" há-as em todo o lado. que pena, ter sido assim...

beijinhos
crack disse…
Cara Cristina
Agradeço a sua esclarecedora resposta, mas essa de ter que haver um número de cirurgias para um serviço se considerar idóneo, não entendo. Então a competência que a prática dá é do médico, ou do serviço? Por exemplo: podemos ter maternidades que fazem 5000 partos ano, em que trabalham médicos que fazem meia dúzia, não é assim? O princípio cai pela base, parece-me. E as emergências sempre foram canalizadas para os serviços mais específicos, mesmo em grandes centros. Quanto aos profissionais que perdem a mão, então qual é o papel da formação, do estudo/actualização, do acompanhamento contínuo e sistemático dos progressos na medicina? Tudo letra morta?
Note que não defendo a manutenção de serviços de interesse público a qualquer preço, nomeadamente por razões eleitoralistas das pequenas vaidades do poder local. Só digo que, a continuarmos nesta senda, temos que fazer novas abordagens à fixação das populações fora dos grandes centros. Fechar escolas, centros de saúde, hospitais e serviços de apoio ao cidadão são medidas puramente economicistas, que devem ser assumidas como tal. Não se use a propaganda para as mascarar de eficazes formas de gestão, em prol das populações mais carenciadas, porque o não são.
:)
crack disse…
Desculpe Cristina, mas só mais uma notinha. O custo político das medidas não é nada, quando comparado com os benefícios laterais para certos grupos de "clientes apoiantes" do partido. Surgem os consultórios e as clínicas privadas que se estabelecem onde falta a maternidade e o hospital; as clínicas a que são dados os abortos que os hospitais não têm capacidade para fazer; os privados que "ajudam" o Estado a limpar, rapidamente, as listas de espera... O etc... poderia continuar, indefinidamente, como sabe.
Cristina disse…
crack

pode parecer-lhe estranho, mas é assim...e não são regras portuguesas, é assim em qualquer lado do Mundo! é um facto que os serviços que fazem mais cirurgias, são considerados melhores, e dentro destes, os medicos que têm melhor curriculum cirurgico, que por sua vez lhe é oferecido pelo serviço...
e é tão verdade que quando se faz uma especialidade se escolhem os grandes centros, não só pela comodidade, mas porque são os serviços que operam mais, que têm maior número de doentes, é esta a GRANDE BASE DA FORMAÇÃO, a experiencia e o treino. o contrario tambem se verifica, se estiver abaixo de determinados valores pode simplesmente perder a idoneidade conferida pela ordem para formação.

aliás, quando se diz que um cirurgião É BOM em determinada cirurgia, isso está intimamente ligado ao numero de doentes que operou...se for uma cirurgia de risco então, mais evidente se torna. pergunte por exemplo a uma medica se arriscava um parto dificil numa maternidade que faz 300 partos por ano....
até os bons profissionais, se deixarem de operar, perdem a mão, é uma realidade bem conhecida. e não é tao empirico como isso, está sobejamente estudado, e ja motivou o fecho de blocos operatorios noutros paises da europa.

agora, eu não disse que nao há razões economicas também! é que apesar de ser teoricamente errado, é uma despesa brutal...é preciso é que as alternativas funcionem bem.

crack, em relação às clinicas, no caso da obstetricia, não é por aí! sabe que cada vez há menos obstetras a fazer partos na privada? levam as mulheres todas para o hospital porque não arriscam, ha menos condições e menos meios que nos hospitais e é uma área demasiado sensivel para que alguma coisa corra mal:))

beijos
PortoCroft disse…
Cristina,

Concordo com todos os teus argumentos. Até porque seria ignorância discutir o assunto com uma técnica de saúde.:)

No entanto, do ponto de vista dum leigo, esta é uma medida puramente economicista. Porque, por exemplo, no caso de Elvas, poderiam criar uma rotatividade dos médicos entre os hospitais de Portalegre e de Elvas. Para que não perdessem a mão. ;)

Andamos há 32 anos a pagar os custos da insularidade. Estes custos, apesar de brutais como dizes, são os da interioridade. O Estado não pode ter dois pesos e duas medidas para os cidadãos.

E, sobretudo, não se pode ter um ministro que manda as mulheres parir a um país estrangeiro porque é mais económico para o seu ministério. É uma aberração. ;)
Cristina disse…
portocroft

eu compreendo essa sensação, e nem sequer garanto que va funcionar melhor! e até acho que há grandes possibilidades de a comunicação entre zonas nao se fazer da maneira ideal
agora, já viste as regras de funcionamento? 24 horas por dia com obstetras, pediatras, laboratorio, radiologia, serviço de sangue....é isto que define serviço de qualidae, são regras europeias, ou seja, ou se avança para isso, ou continuamos a ter xafaricas de provincia a que chamamos maternidades. entendes? ate pode ser o mais confortavel para a população, mas se por exemplo houver um processo num tribunal europeu por alguma morte num sitio desses, é obvio que o estado perde a causa...

em relação aos partos em espanha, confesso que é um assunto que me custa tambem aceitar, mas enfim, estamos na europa, os doentes em principio ja podem circular em termos de assistencia, se é um grande centro e as mulheres são bem atendidas, tambem nao me escandaliza muito..:)

beijinhos
crack disse…
Cara Cristina, tenho para mim que aos leigos não compete insistir em matéria que não é da sua competência, mas esta é tanto uma questão de saúde pública, quanto uma questão política no domínio do desenvolvimento regional. Seja como diz, mas consola-me pouco saber que é assim em todo o mundo (o que só é verdade numa generalização muito ampla, como sabe).
Anónimo disse…
Obviamente que o ministro tem razão, mas obviamente que é um calhordas como político. Tão simples como isso... não vale a pena gastar tanta tinta!
Anónimo disse…
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