voltando à polémica das maternidades,

e independentemente da legítima ambição das futuras mães em poder parir o mais perto de casa possível, há aspectos na decisão do governo que têm algum sentido. Já por aí o disse num comentário, um dos parâmetros mais importantes de garantia de qualidade de um serviço que envolve especialidades cirúrgicas é a casuística. Ou seja, o "treino" e experiência do médico, é uma garantia em situações de maior risco ou gravidade. Os partos eutócicos correm bem em qualquer lado, com qualquer ajuda; já os distócicos, exigem pessoal experimentado. Há diversos estudos europeus que o demonstram e já em França foi tomada o mesmo tipo de decisão em hospitais de pouca afluência por se considerar que as parturientes estavam sujeitas a maior risco. O que é verdade. Em maternidades com meia dúzia de partos por dia, atendendo a que cada médico estará na urgência 1 ou 2 vezes por semana e a frequência de situações complicadas é baixa, facilmente se concluirá que este profissional rapidamente "perderá a mão" para as complicações. E este é um facto inegável de risco para as parturientes e recém nascidos.


Comentários
beijo
Beijooss
Beijinhos.
Beijitos
Tinha uma consulta marcada para as 10h 15m. a médica chegou ás 11h, fui atendida às 13h. Estive lá dentro 5m e teve a lata de me dizer que o problema que eu tinha não era nada com ela, embora e aqui sim surge o busilis, me tenha receitado duas coisas, que provam que o problema era de facto com ela! Conclusão, saí danada por não ter explodido, e hoje já marquei para ir a um médico particular. infelizmente a saúde só pode ser feita pagando! Desculpa o "testamento". beijos
tens razão, protasta-se por porque sim e porque não...mas, embora a gestão de recursos seja importante, embora seja dificil de engolir numa sociedade em que o governo esbanja tanto, aqui é outra a questão, e custa-me a crer que uma decisão com o custo político desta, fosse tomada se não houvesse realmente evidencia daquilo que eu disse no post.;)
beijinho
não, esta é uma questão real...a ordem tem números neste sentido, cada serviço deve ter um minimo de cirurgias para se considerar idóneo. essa é uma noção que ja se tem clara em outros países da europa.
eu vi na tv, alguns numeros que apontavam para 300 partos/ ano, 800 partos/ ano....o meu hospital tem mais que isso por mês... que garantias oferecem estes serviços? claro que as pessoas podem sempre, quando se virem aflitas, transferir para um central. mas ja pensou no que é uma emergência obstétrica???? a resolução tem que ser em minutos, segundos...
acredito que um ministro depois de se apreceber disto, fique sem opção...até porque em termos de europa, não sei se seria obrigado a isso. como disse antes, tem um custo politico demasiado grande para ser feito de animo leve...
beijos
boa tarde, um beijo.
claro que as pessoas tendem a defender o que lhes é mais conveniente...mas então, talvez fizesse sentido que estas explicações fossem melhor dadas...
beijinhos
um hospital não digo, mas uma parteira, talvez se arranje, que a menina a protestar não deve ser pêra doce... ;)
jinhos
nem mais.
desde que haja bom acompanhamento, as coisas podem ser resolvidas, afinal portugal não é um país tão grande assim...ou avançamos para parametros europeus, ou nos ficamos pela medicina tipo João Semana...
jinhos.
só para não me repetir peço-lhe o favor de ler a resposta que deixei ao crack...;)
junhos
nem sempre, felizmente muitas coisas se resolvem nos hospitais, a maioria mesmo. mas pessoas "desligadas" há-as em todo o lado. que pena, ter sido assim...
beijinhos
Agradeço a sua esclarecedora resposta, mas essa de ter que haver um número de cirurgias para um serviço se considerar idóneo, não entendo. Então a competência que a prática dá é do médico, ou do serviço? Por exemplo: podemos ter maternidades que fazem 5000 partos ano, em que trabalham médicos que fazem meia dúzia, não é assim? O princípio cai pela base, parece-me. E as emergências sempre foram canalizadas para os serviços mais específicos, mesmo em grandes centros. Quanto aos profissionais que perdem a mão, então qual é o papel da formação, do estudo/actualização, do acompanhamento contínuo e sistemático dos progressos na medicina? Tudo letra morta?
Note que não defendo a manutenção de serviços de interesse público a qualquer preço, nomeadamente por razões eleitoralistas das pequenas vaidades do poder local. Só digo que, a continuarmos nesta senda, temos que fazer novas abordagens à fixação das populações fora dos grandes centros. Fechar escolas, centros de saúde, hospitais e serviços de apoio ao cidadão são medidas puramente economicistas, que devem ser assumidas como tal. Não se use a propaganda para as mascarar de eficazes formas de gestão, em prol das populações mais carenciadas, porque o não são.
:)
pode parecer-lhe estranho, mas é assim...e não são regras portuguesas, é assim em qualquer lado do Mundo! é um facto que os serviços que fazem mais cirurgias, são considerados melhores, e dentro destes, os medicos que têm melhor curriculum cirurgico, que por sua vez lhe é oferecido pelo serviço...
e é tão verdade que quando se faz uma especialidade se escolhem os grandes centros, não só pela comodidade, mas porque são os serviços que operam mais, que têm maior número de doentes, é esta a GRANDE BASE DA FORMAÇÃO, a experiencia e o treino. o contrario tambem se verifica, se estiver abaixo de determinados valores pode simplesmente perder a idoneidade conferida pela ordem para formação.
aliás, quando se diz que um cirurgião É BOM em determinada cirurgia, isso está intimamente ligado ao numero de doentes que operou...se for uma cirurgia de risco então, mais evidente se torna. pergunte por exemplo a uma medica se arriscava um parto dificil numa maternidade que faz 300 partos por ano....
até os bons profissionais, se deixarem de operar, perdem a mão, é uma realidade bem conhecida. e não é tao empirico como isso, está sobejamente estudado, e ja motivou o fecho de blocos operatorios noutros paises da europa.
agora, eu não disse que nao há razões economicas também! é que apesar de ser teoricamente errado, é uma despesa brutal...é preciso é que as alternativas funcionem bem.
crack, em relação às clinicas, no caso da obstetricia, não é por aí! sabe que cada vez há menos obstetras a fazer partos na privada? levam as mulheres todas para o hospital porque não arriscam, ha menos condições e menos meios que nos hospitais e é uma área demasiado sensivel para que alguma coisa corra mal:))
beijos
Concordo com todos os teus argumentos. Até porque seria ignorância discutir o assunto com uma técnica de saúde.:)
No entanto, do ponto de vista dum leigo, esta é uma medida puramente economicista. Porque, por exemplo, no caso de Elvas, poderiam criar uma rotatividade dos médicos entre os hospitais de Portalegre e de Elvas. Para que não perdessem a mão. ;)
Andamos há 32 anos a pagar os custos da insularidade. Estes custos, apesar de brutais como dizes, são os da interioridade. O Estado não pode ter dois pesos e duas medidas para os cidadãos.
E, sobretudo, não se pode ter um ministro que manda as mulheres parir a um país estrangeiro porque é mais económico para o seu ministério. É uma aberração. ;)
eu compreendo essa sensação, e nem sequer garanto que va funcionar melhor! e até acho que há grandes possibilidades de a comunicação entre zonas nao se fazer da maneira ideal
agora, já viste as regras de funcionamento? 24 horas por dia com obstetras, pediatras, laboratorio, radiologia, serviço de sangue....é isto que define serviço de qualidae, são regras europeias, ou seja, ou se avança para isso, ou continuamos a ter xafaricas de provincia a que chamamos maternidades. entendes? ate pode ser o mais confortavel para a população, mas se por exemplo houver um processo num tribunal europeu por alguma morte num sitio desses, é obvio que o estado perde a causa...
em relação aos partos em espanha, confesso que é um assunto que me custa tambem aceitar, mas enfim, estamos na europa, os doentes em principio ja podem circular em termos de assistencia, se é um grande centro e as mulheres são bem atendidas, tambem nao me escandaliza muito..:)
beijinhos
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