a violência da mensagem, será eficaz?





Uma polémica propaganda antifumo do governo britânico que mostrava fumadores "fisgados" com anzóis pela boca foi considerada inadequada pela agência controladora de publicidade do país.[filme que pode ver aqui(após o anúncio) ]
Os outdoors, anúncios na TV e impressos tinham como objetivo enfatizar os perigos de ser "capturado" e ficar dependente dos cigarros. A agência disse que os outdoors poderiam "assustar e perturbar as crianças".
O Departamento de Saúde, responsável pela campanha, disse que foi "altamente efectiva".Os anúncios antifumo apareceram inicialmente no fim do ano passado numa tentativa de chocar os fumadoes e levá-los a abandonar o hábito funcionando como preparação para a proibição do fumo em locais públicos a ser implementada na Grã-Bretanha.
Confesso que o assunto me provoca sentimentos ambivalentes. Neste sentido:
Por um lado acho que o choque pode ser dissuasor, que todos os recursos são válidos quando o que está em jogo é a saúde da população, que é preciso que as pessoas tenham consciência dos reais efeitos dos seus "vícios" e comportamentos em si e nos outros. Não sendo entendida em comunicação, parece-me óbvio que só o que o que causa grande impacto, positivo ou negativo, tem a capacidade de nos prender a atenção; tal como os publicitários bem sabem, para que a mensagem seja apreendida, a imagem deve captar a atenção do destinatário nos primeiros segundos. Nesse sentido consegue-se pelo impacto negativo. Mas atingirá o objectivo? Ou seja, se a imagem é tão chocante que horroriza, que assusta, quem a vê não se corre o risco de a pessoa fugir dela e nem "querer" pensar no assunto? Nos anos noventa, existiu na américa um programa de sensibilização antidrogas, penso que lançado pelo governo, com títulos e imagens como "hair care by heroin", "skin care by heroin", em que se utilizavam modelos escolhidos na rua entre drogados. Não sei se ajudaram a que alguém se decidisse a não consumir, mas muitas pessoas olhavam, pensavam que horror! e voltavam a cara. Os consumidores, provavelmente nem olhavam. Ironicamente, seriam posteriormente aproveitados pela industria da moda: a moda usou o seu look heroin chic para vender e vendeu bem....
Mas voltando às campanhas pela saúde, apesar de aprovar imagens reais dos afeitos de determinados comportamentos, acho que elas devem ser cuidadosamente doseadas e alternadas com mensagens positivas e de carácter mais informativo.
Nestas questões tão delicadas como a saúde, o pior que pode acontecer é a rejeição da mensagem. E corre-se eventualmente esse risco, se ela for persistentemente negativa e assustadora. Acredito que as pessoas preferem imaginar-se saudáveis ao invés de doentes. Ora, se oferecemos a alguém um espelho que reflecte persistentemente uma imagem horrível, se alguns têm a capacidade de ver que o problema está em si, outros há que o mais certo é partirem o espelho, ou nem sequer olharem para ele.
E claro que também se pode mandar uma mensagem, sem constranger ou violentar. Isso tem a ver com competência. Pode-se chocar com alguma subtileza (como a campanha em que estava integrada a segunda imagem, fantástica). Isso tem a ver com sensibilidade. Na campanha em questão talvez tenha faltado competência.

Comentários

A crer no efeito que produziu nos fumadores os ameaçadores avisos nas embalagens do cancro-a-pedido, podem fazer publicidade à vontade.
125_azul disse…
Alguns criativos não têm limites. Sabes que chocar também vende! É aquela coisa do falem mal ou falem bem...
Beijinhos
Alien8 disse…
Faltou competência, podes tirar o talvez, que estás cheia de razão. É cretinice a mais, e digo-o eu, que não fumo nem nada...

Um beijo.
Anónimo disse…
Como fumadora penso que é demasiado agressivo, uma agressão que resvala para a violência psicologica. Se o intuito era chocar, indignar e coisas afins, é obvio que conseguiram, mas isso não chega nem é por aí.
O outro exemplo que a Cristina deixa na segunda foto e que se refere ao HIV e doenças sexualmente transmissiveis, foi uma campanha muito bem conseguida, como aliás a maior parte das campanhas neste sentido.
O Fado lembra muito bem o que aconteceu aquando dos avisos nas embalagens...

No fundo no fundo, estas coisas comigo dificilmente fazem efeito porque quando tomar a decisão de parar será uma decisão muito minha, sem subterfugios ou porque isto e aqueloutro.
Sei contudo que não devo interpretar esta publicidade pensando em mim e talvez por isso também sinta essa ambivalência que a Cristina fala.

(vou enviar-lhe um jingle publicitário brasileiro sobre uso do perservativo.Mesmo que já conheça é sempre bom "roubar" uma gargalhada a alguém)
Anónimo disse…
Nada como rir de nós próprios :))
A miúda começa a pensar em sexo e...

Preservativo e não perservativo
Cristina disse…
fado

nem mais...campanhas só chocantes, servem para virar a cara pró lado e passar à frente.


já no caso da segunda imagem, a ideia é muito boa, a imagem é ao mesmo tempo chocante e belíssima. cativa.
Cristina disse…
125

o problema é que aqui nem vende, ou seja não atinge o publico porque o publico foge dela..

beijinho
Cristina disse…
alien

também me parece. um beijo:))
Cristina disse…
dalloway

claro...é claro que para a decisão é normalmente fundamentada nos efeitos que se vão mostrando. mas a decisão é acima de tudo solitária. se a pessoa não quiser parar não pára, não será por esta violencia psicologica que só afasta o destinatário da mensagem.

beijinhos, obrigada pelo jingle .)) lindo.
LopesCaBlog disse…
Concordo "pode acontecer é a rejeição da mensagem." e se a ideia não for transmitida não faz efeito.

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