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Vou deixar este livro. Adeus.
Aqui morei nas ruas infinitas.
Adeus meu bairro página branca
onde morri onde nasci algumas vezes.

Adeus palavras comboios
adeus navio. De ti povo
não me despeço. Vou contigo.
Adeus meu bairro versos ventos.

Não voltarei a Nambuangongo
onde tu meu amor não viste nada. Adeus
camaradas dos campos de batalha.
Parto sem ti Pedro Soldado.

Tu Rapariga do País de Abril
tu vens comigo. Não te esqueças
da primavera. Vamos soltar
a primavera no País de Abril.

Livro: meu suor meu sangue
aqui te deixo no cimo da pátria
Meto a viola debaixo do braço
e viro a página. Adeus.

Manuel Alegre


via Dolo Eventual

Comentários

Anónimo disse…
Se amanhã, não conseguir resultado que chegue para ir á segunda volta, então é mesmo a ultima pagina, mais precisamente 'morrer' na praia.
Bom fim de semana
JMC
Anónimo disse…
"De ti povo não me despeço"...Que o povo te siga,e juntos façamos renascer a Primavera, para que Abril não volte a ser Março!
Bom Abril, sempre.
Beijinhos
Cristina disse…
jmc

é bem verdade.
há quem acredite em milagres, pode ser que existam ;)

beijocas
Cristina disse…
helena

:))))))))))

é isso.
Abril nunca voltará a ser Março, anyway ;)

beijocas
wind disse…
Amanhã pelo menos o meu voto terá:)))) beijos
Hipatia disse…
"Vós que trazeis por dentro
de cada gesto
uma cansada humilhação
deixai falar na vossa voz a voz do vento
cantai em tom de grito e de protesto
matai dentro de vós el-rei Sebastião."
(Manuel Alegre, Abaixo el-rei Sebastião)

Eu acredito em milagres!
Eric Blair disse…
Pá, Garcia Pereira, não obstante.
Cristina disse…
wind

o meu também :)

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a.j.faria

eu espero que haja um milagre, embora não acredite muito neles.

o único reparo que tenho a fazer é exatamente na forma como conduziu a campanha...paciencia, agora ja passou.

beijo
Cristina disse…
hipátia

Deus te ouça, rapariga :)))

beijinho
Cristina disse…
Eric

looooool
pá, esse não faz poemas...


obrigada pela visita:)
Anónimo disse…
"Eu próprio me apaguei algumas vezes
e sempre me acendi com meu poema.
Os soldados sentavam-se ao redor da lenha.
Como falar-lhes?De repente eu disse:
camaradas a pátrai somos nós."
Manuel Alegre
excerto de "Como se faz um poema"
Cristina disse…
easy

olá!

obrigada por mais pedaço de Manel:))
bom ter-te de volta:)
beijocas
took a while to absorb the translation but loved the poem. and love the pictures above this post.
Cristina disse…
billy

and i loved your visit :)

thanks, see ya in "less people..."
Anónimo disse…
Nas próximas pode ser que ganhe. Daqui a 5 anos. Quem sabe? Este poema é um hino à esperança...

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